Sirenes de emergência soam nos quartéis

O Diário do Distrito inicia hoje uma série de entrevistas com representantes das corporações de bombeiros do distrito de Setúbal, para dar a conhecer os receios para o futuro e como estão a enfrentar o novo desafio que o COVID-19 veio trazer ao país.

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Na linha da frente nas situações de emergência, as corporações de bombeiros participam também no combate ao coronavírus 19, sobretudo no transporte de doentes ou suspeitos de infeção.

O Diário do Distrito procurou saber junto dos presidentes das Associações Humanitárias de corporações do distrito de Setúbal os receios para o futuro e como estão a enfrentar este novo desafio, tendo ainda em consideração que se aproxima mais um Verão, com os consequentes fogos florestais.

No entanto, se no passado já eram vários os problemas que as Associações Humanitárias enfrentavam, com o novo paradigma imposto por um vírus mundial, a situação complica-se, com a diminuição dos serviços prestados, do transporte de doentes não urgentes às formações, o que a curto prazo irá levar a uma quebra acentuada a nível financeiro.

A isto vem juntar-se o aumento ‘brutal’ dos preços dos equipamentos de proteção descartáveis, e a não actualização da tabela de pagamentos pelos serviços prestados na área da emergência médica, no âmbito do acordo entre o INEM e a Autoridade Nacional de Proteção Civil.

«É hora das federações dos bombeiros falarem e apresentarem propostas»

Bombeiros Voluntários de Palmela

Os bombeiros de Palmela estão a viver a atualidade com algum sobressalto, mas Octávio Machado, presidente da Direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Palmela, revela que “a situação financeira está equilibrada e que não há problemas de tesouraria”, porque no passado” tiveram “a capacidade de antecipar toda esta situação”, pois muito “antes da epidemia, o serviço de saúde já estava em rutura”.

Octávio Machado, no entanto, não esconde a revolta do rescaldo da reunião, no início de abril, entre Jaime Mota Soares, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, e o Ministério da Administração Interna, que considera estarem a “negociar o fim das associações de bombeiros”, já que as soluções discutidas como o “lay-off ou o despedimento nos bombeiros me repugna só de ouvir falar, dado que os bombeiros são fundamentais no socorro à população e nos fogos florestais”.

Inconformado, o presidente da Direção da AHBVP, avança que a estabilidade financeira das associações de bombeiros não se resolve com moratórias que apenas “empurram o problema com a barriga”, complementando que “moratórias já estão a fazer há muito tempo com a incapacidade do Estado em cobrir as dívidas que tem para com as corporações”.

Aponta ainda como uma solução válida para dar algum oxigénio às finanças dos bombeiros a aplicação de benefícios fiscais como “a isenção de pagamento à Segurança Social até ao fim da pandemia, o que representa o dobro do que recebemos do Estado”.

Apesar da inquietação, Octávio Machado acredita que o bom senso vai imperar e que “é hora das federações dos bombeiros falarem e apresentarem propostas, com o efetivo conhecimento da realidade e Estatuto que têm negociarem com o poder central”, assumindo “claramente o rumo dos acontecimentos”.

Quanto à covid-19, a resposta foi garantida pela colaboração de empresas que cederam equipamentos de proteção individual, já que o reforço do Estado às corporações “é show-off para enganar o povo, porque entregaram mil fatos, o que em média só dá dois fatos por corporação”, acusa Otávio Machado.

Apesar disso garante que “as reservas estratégicas estão garantidas”, embora reconheça a falta de fatos de proteção e que “Palmela tem tido algumas dificuldades nos autos integrais, para não expor os profissionais ao risco, porque se correrem risco o socorro perde eficácia”.

«Algumas Associações de Bombeiros terão de fechar as portas  caso nada seja feito»

Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo 

 O alerta é feito por José Calado, presidente da Direção da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo, que ainda garante o pagamento de salários, mas alerta para que “as associações já vivem há muitos anos com dificuldades, e claro que com a pandemia da covid-19 a situação agravou-se”.

As preocupações de José Calado estendem-se à época de incêndios florestais que está a despontar e que revela “ter muitas dificuldades em dar respostas”  adiantando também o receio desta crise poder levar “mesmo a algumas Associações, caso não seja feito nada, a fechar as portas ou falharem compromissos financeiros pela incapacidade de pagarem os ordenados já no mês de abril”, sendo fundamental o apoio camarário e estatal.

José Calado salienta que “a situação das Associações de Bombeiros é muito grave” e que em relação “aos equipamentos de Proteção Individual, no princípio tivemos de assumir a compra dos mesmos, mas atualmente já nos estão a chegar alguns equipamentos por parte da Câmara Municipal de Palmela e por parte da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil”.

DR – Facebook – BVPN

«Contas para abril são preocupantes»

Bombeiros de Águas de Moura

A situação financeira da Associação Humanitária de Bombeiros de Águas de Moura foi agravada pela redução do transporte de doentes não urgentes “que verificou uma redução substancial no serviço por se tratar de um importante fator financeiro para as associações”. No entanto, António Braz, presidente da Direção da AHBAM, adianta que a quebra de receitas ainda não se fez sentir no mês de março pela sua relativa normalidade, mas adianta que os dados que já dispõe de abril “são preocupantes nesta matéria e muito maus”, apesar de deixar alguma margem para alarmismos,  “porque ainda não podemos fazer conjeturas sem termos os números reais desta epidemia”.

A luta contra a pandemia covid-19, nas palavras de António Braz tem sido feita com a salvaguarda da “proteção dos nossos bombeiros na sua intervenção”, o que em muito se deve ao “reforço de equipamento da CMP, ANEPC e FBDS, que permitem ir repondo o material que vai sendo utilizado”, conclui.

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