País

SIM convoca greve nacional médica para dia 2 de julho

Num documento com sete páginas, onde a mensagem «A paciência, a compreensão e a colaboração têm limites!» é várias vezes repetida, o Sindicato Independente dos Médicos apresentou hoje um pré-aviso de greve nacional médica para dia 2 de julho.

«Os trabalhadores médicos foram compelidos à forma constitucional mais dura de luta e protesto (a Greve), por um Governo e um Ministério da Saúde que à vontade negocial dos sindicatos contrapõem intransigência e desinformação, empurrando-os para o papel de sindicatos de protesto em vez de sindicatos de diálogo» refere o documento a que o Diário do Distrito teve acesso.

No pré-aviso de greve, o SIM acusa o Governo de ser «responsável pela desorganização em que se encontram as urgências hospitalares, a desarticulação de serviços de saúde, a decadência acelerada em que se encontra um dos serviços sociais de maior importância e coesão social da democracia portuguesa: o SNS» e ainda de introduzir «contabilísticas nas unidades de saúde que limitam a liberdade de diagnóstico e de prescrição, introduzindo, sem os consultar, procedimentos administrativos na prática clínica que prejudicam gravemente a eficácia, a eficiência e a relação médico-doente. O ato clínico está ameaçado e os doentes são as principais vítimas.»

O SIM aponta o dedo para «a degradação das condições de trabalho dos trabalhadores médicos e a degradação remuneratória», com acusações sobre os horários sobrecarregados que são obrigados a cumprir, exigindo o «direito a condições de segurança de trabalho no SNS que protejam a sua saúde mental e física e a dos doentes que recebem os seus cuidados» e ainda «à sua vida familiar e social, que é repetidamente prejudicada» pelo não cumprimento dos horários de descanso obrigatório por parte «muitos conselhos de administração nomeados pelo governo, direta ou indiretamente através da conivência de Diretores de Serviço»

A falta de profissionais em vários serviços, ou o funcionamento destes «com recursos inferiores aos tecnicamente preconizados pela Ordem dos Médicos, ou ‘tarefeiros’»; equipamentos hospitalares obsoletos e sem manutenção periódica, e cada vez mais longe dos disponibilizados pelos privados (que têm investido fortemente) são outros dos pontos referidos.

No documento do pré-aviso de greve pode ainda ler-se que «apesar da maior carga fiscal de sempre (35,4% pelos dados INE), o Relatório do Tribunal de Contas evidencia o menor investimento de sempre na saúde, 4,8 % do PIB.

Os contribuintes portugueses tiveram de suportar um custo líquido com a ajuda à banca e restante setor financeiro no valor de 12,9 mil milhões de euros, entre 2007 e final do ano passado, indicam dados apurados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Tudo para um sector que afunda o país. Mas para a Saúde, o orçamento continua depauperado.»


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