Distrito Setúbal

Setúbal: Mulher morre no Hospital São Bernardo após o nascimento do filho

publicidade

Vânia Graúdo, de 42 anos, entrou no Hospital de São Bernardo, em Setúbal, no sábado, 1 de agosto, dia em que o parto começou a ser induzido. O bebé veio a nascer segunda-feira, dia 3, pelas 13h55 e a mãe morreu às 18h15, segundo o hospital, por “embolia de líquido amniótico é uma das hipóteses de primeira linha perante um quadro clínico súbito após a rutura da bolsa de águas.” O funeral realizou-se nesta terça-feira de manhã, em Pinhal Novo.

Mãe de duas filhas, uma adolescente e uma adulta, preparava-se agora para receber o terceiro filho a quem foi dado o nome Rafael, através de uma cesariana segundo relatos da família, seguindo-se de um procedimento de laqueação de trompas

O hospital de Setúbal, contactado pelo DN, contesta a versão da família e afirma que “não estava prevista a realização de cesariana”, adiantando que “foi realizada a indução de trabalho de parto no dia 1 de agosto, conforme planeado com a grávida em consulta de vigilância realizada em 29 de julho.”

A respeito do período de 48 horas entre a indução do parto e o nascimento de Rafael, o Hospital de São Bernardo indica que “foi iniciada a indução de trabalho de parto às 17h45 de dia 1 de agosto com a administração medicamentosa, e continuada no dia 2, segundo protocolo habitual, e cuja rapidez do efeito é variável de mulher para mulher. Durante todo este período a grávida e o bebé permaneceram monitorizados com CTG sem intercorrências, até um início de um quadro convulsivo súbito”, completa.

Paula Oliveira, irmã de Vânia, indicou ao DN que a gravidez decorreu sem sobressaltos, embora “a partir dos 40 é sempre uma gravidez de risco, mas a minha irmã esteve sempre bem, não tinha problemas de saúde”. A irmã explica que Vânia entrou no hospital com a certeza de realizar uma cesariana, já que pretendia laquear as trompas, mas “a médica disse-lhe que já tinha tido duas filhas por parto normal, não fazia sentido a cesariana”, explica ao DN.

A mesma versão é corroborada pela cunhada de Vânia que a levou ao hospital no sábado com um documento para se apresentar na unidade às 8h30, sem mencionar a cesariana, mas este método sempre foi referido por Vânia como garantia que era assim que Rafael viria ao mundo.

A irmã Paula falou com Vânia ao telefone no domingo à noite, um dia antes do bebé nascer, e adiantou que a mandaram andar no corredor para o bebé descer e efetuar-se o parto normal. Paralelamente foram administrados fármacos, “a minha irmã disse-me que estavam a dar-lhe medicamentos para fazer a dilatação, mas que quanto mais andava de um lado para o outro mais o bebé subia. Sobre a laqueação disseram-lhe que faziam dois furinhos no umbigo.”

Vânia não se queixou de dores à irmã Paula, a razão para a família é simples, “até na hora da morte foi a Vânia. Ela era assim, não queria chatear ninguém. Preferiu sofrer, mas não pediu ajuda. Esteve três dias sozinha e não pediu ajuda”.

O marido Jorge contactou o hospital durante este período para saber informações sobre o estado clínico da mulher e do filho, mas indicaram que Vânia tinha o telefone com ela e podia contactá-la.

O hospital contactou a família a primeira vez na segunda-feira, 3 de agosto, no dia em que morreu, dando conta de complicações no parto e que iam fazer tudo para salvar a recém mãe, mas que não tivessem muitas esperanças quanto à recuperação.

“Foi transmitido que o líquido amniótico foi para o sangue. E que a minha irmã começou a fazer convulsões e começou com uma hemorragia. Fizeram três transfusões, mas o sangue já estava envenenado e ela rejeitou o sangue novo. Entrava pela veia e saía por baixo. Fez duas paragens cardíacas, mas não conseguiram reanimá-la”, explica a família.

Vânia faleceu aos 42 anos no Hospital de São Bernardo, após paragem cardiorrespiratória sem resposta aos procedimentos tomados, devido a uma embolia por líquido amniótico. A morte associada a esta complicação é rara, tem um maior risco de ocorrer em cesarianas e partos com fórceps. Mulheres mais velhas, com mais de um feto no útero, descolamento de placenta, lesão abdominal, rompimento do útero, partos induzidos e/ou quantidade excessiva de líquido amniótico podem levar a este desfecho.

A cunhada Carina diz que depois do anúncio da morte de Vânia, já no hospital, junto com o pai da criança, uma médica lhes explicou que poderia ter ocorrido uma embolia de líquido amniótico, isto é, a entrada do líquido no sangue. Dando conta também que, antes do nascimento de Rafael, Vânia teve uma convulsão.

A família conta ainda que quarta-feira anterior, Vânia esteve no hospital para uma ecografia e, “nesse dia, transmitiram-lhe que os níveis do líquido amniótico estavam elevados, mas a enfermeira disse que era normal, para não se preocupar porque não havia problema”, adianta a irmã Paula.

O bebé Rafael ingeriu o líquido amniótico e passou os primeiros dias de vida com uma sonda no hospital, mas já está “clinicamente estável”, afirma o hospital.

Rafael nasceu com 3,040 kg e por não ter mãe teve de ir para a incubadora. Apesar de ter duas irmãs por parte da mãe, é o único filho do pai Jorge.

A irmã questiona-se porque insistiram no parto normal, se já havia referência ao excesso de líquido amniótico e porque não tomaram medidas preventivas. A aguardar os resultados da autópsia, o Centro Hospitalar de Setúbal, vai averiguar as circunstâncias do óbito, uma medida padrão já que “investiga sempre todas as situações de morte não expectável que ocorram”.

Ler mais

Artigos Relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo

Permita anúncios

Detetámos que utiliza um bloqueador de anúncios. Apoie o jornalismo sério e considere desativá-lo para o nosso site