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Serra da Arrábida registou a menor área ardida dos últimos dez anos

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Os dados foram apresentados esta manhã pelos três autarcas responsáveis pela gestão do Parque da Arrábida, Palmela, Setúbal e Sesimbra, em representação do Gabinete Técnico Florestal Intermunicipal da Arrábida, criado em 2018.

A exposição decorreu no Convento de S. Paulo, e coube a Maria das Dores Meira, autarca de Setúbal, apresentar o Balanço da Época de Incêndios Florestais – DECIR, que se iniciou a 15 de Maio e terminou a 15 de Outubro.

A autarca saudou os parceiros, como os Bombeiros “sem os quais não nos seria possível ser bem sucedidos”, e a GNR, responsável pelos postos de vigilância; e agradeceu também “o esforço conjunto que foi feito pelos três municípios, que permitiu obter um assinalável sucesso”.

Referiu depois que “com os dados disponíveis é possível verificar que se registou em 2020 a menor área ardida dos últimos dez anos, ou seja 59,83 hect, valor substancialmente inferior ao de 2019, quando arderam 112,24 hect. e à média dos últimos dez anos, que foi de 17567 hectares.

O ano de 2020 apresentou durante o período de DECIR o valor mais reduzido em número de ocorrências e de área ardida desde 2010. Outra diminuição ocorreu com os incêndios rurais, que em 2020 foram menos 52 por cento, e menos 84 por cento de área ardida relativamente à média anual.”

Maria das Dores Meira lamentou que “registou-se um aumento generalizado de falsos alarmes, que obrigam à alocação de meios de combate que podem ser necessários para as ocorrências reais”.

Em relação aos concelhos que integram o Gabinete, o município de Setúbal regista 10,3 por cento da área ardida; Sesimbra 6,2 por cento e Palmela 28,5 por cento.

No que respeita à prevenção, através de notificações aos proprietários para gestão de combustível em área florestal, no concelho de Palmela foram elaboradas 86 notificações e a autarquia substituiu-se aos particulares na limpeza de 55 hectares e no de Sesimbra, foram notificados 25 proprietários e executados trabalhos de limpeza numa área de 48 hectares, sendo que a autarquia se substituiu a 7 dos proprietários em 10 hectares.

O presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Francisco Jesus, salientou que “no caso do nosso município temos uma vantagem porque grande parte da mata é de grandes privados que têm feito um excelente trabalho na limpeza e vigilância, alguns dos quais até com equipas próprias de combate a incêndios e de vigia, como é o caso da Herdade da Apostiça”.

Os proprietários do concelho de Setúbal forma os que menos cumpriram a legislação referente às faixas de gestão de combustível: foram elaboradas 271 notificações desde o início do ano, referentes a 161 processos, e a GNR procedeu ao levantamento de 34 autos de contraordenação aos proprietários, com a autarquia a efectuar trabalhos de limpeza numa área de 155 hectares e executou trabalhos em 5,76 hectares em substituição dos proprietários, encontrando-se em execução trabalhos coercivos em 18,3 hectares.

Preocupações e projectos

Maria das Dores Meira apresentou também as preocupações dos autarcas relativas ao financiamento do Gabinete Técnico Florestal Intermunicipal da Arrábida, com missivas enviadas para o ministério do Ambiente, bem como os pedidos de esclarecimento relativas ao Plano Intermunicipal de Defesa da Floresta.

Também o financiamento das Associações Humanitárias dos Bombeiros por parte da tutela, é uma preocupação para garantir os Dispositivos Especiais de Combate a Incêndios, bem como os recrutamentos, fardamentos e manutenção dos veículos, além da urgência da revisão dos valores pagos por hora aos operacionais.

Outra preocupação dos autarcas liga-se com a insuficiência de pontos de água na Serra da Arrábida e no parque natural, pelo que as três autarquias estão a programar a instalação de reservatórios de água de grande capacidade em locais estratégicos da Serra da Arrábida.

Tendo em conta que “mais de noventa por cento das ignições têm origem humana, associadas a negligência e acidente, devido a queimadas e queima de sobrantes”, segundo Maria das Dores Meira, as três autarquias discutem um projecto de parceria para recuperação da biomassa.

Em resposta a uma questão do Diário do Distrito acerca do projecto de biomassa, Maria das Dores Meira referiu que “ainda não está operacionalizado, estamos a contactar parceiros e empresas, mas é algo que tem bastante importância para podermos evitar muitos dos focos de incêndio que se registam”.

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