Será que se eu chamar as autoridades eles aparecem de veículo pesado?

Aqui está o meu editorial desta semana, uma semana que está a ser bastante agitada pela greve dos motoristas de matérias perigosas e de mercadorias, e com uma requisição civil que ainda ninguém percebeu como se está a fazer.

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Mais uma semana, mais um editorial que gostaria que fizesse os nossos leitores refletirem e pensarem muito bem no assunto que vos falo aqui hoje.

A semana, essa, entrou com o pé direito, esquerdo, dois pés. Começou logo com a greve dos motoristas e o braço de ferro com a ANTRAM. Mas vamos lá ao que interessa, depois do primeiro-ministro, António Costa, ter vindo para a ribalta das televisões dizer que não era necessária a ativação da “Requisição Civil”, passadas poucas horas, dá o dito pelo não dito, e não teve outra alternativa senão reunir com o seu elenco politico e decidir avançar com a “Requisição Civil” para assegurar os combustíveis nos postos de abastecimento que ficaram sem gota, mas que ainda estão sem gota de gasóleo.

Mas esperem lá, “Requisição Civil”? Não será antes uma “Requisição Militar”? Sim, porque já foram vistos militares da GNR e agentes da PSP a conduzir pesados de combustível a saírem das refinarias de Aveiras e Sines.

Tudo isto dá que pensar… Então vamos para os lados do Alentejo e conseguimos vislumbrar postos territoriais fechados, porque só existe um militar naquele posto que faz de comandante, patrulheiro, secretário, atendimento e telefonista; vamos para a zona rural de muitos concelhos e não conseguimos ver nenhum patrulheiro a fazer ronda a essas zonas, nem o programa a idosos da GNR funciona.

Claro que a resposta de muitos Destacamentos Territoriais é: “Ah e tal, não temos homens suficientemente para esses serviços”, mas depois já temos homens para andarem a conduzir pesados de mercadorias perigosas, com 30 mil litros de material inflamável às costas, e a levar combustível para o aeroporto, para o Algarve e outros destinos?

Isto leva-me a pensar que, se eu precisar de autoridades nestes dias, ligo para o posto ou esquadra e estou na iminência de ter na ocorrência uma patrulha da GNR ou da PSP a deslocar-se num camião-cisterna.

Mas eu só chamei as autoridades, não chamei o serviço de combustível ao domicílio! Muitos vão ficar admirados se isso acontecer (claro que sabemos que não).

Em tom irónico, a semana passada, José Alho da ASPIG, disse: “A GNR não é pau para toda a obra… Qualquer dia estão a requisitar a GNR para a greve dos médicos!”, pelos vistos o dirigente da ASPIG já está a prever o futuro e o Governo a requisitar os serviços da GNR, da PSP ou dos militares para se substituírem aos médicos, ao que Portugal chegou!

Será que António Costa ainda não viu o que se está a passar e o que está a fazer ao povo, sim, porque os militares no seu geral e os agentes de autoridade, são povo, não é só o civil que é povo, tudo entra no ciclo da sociedade civil.

O nosso primeiro-ministro está a sujeitar homens e mulheres que desempenham funções de autoridades militares e civis a um estado de ridicularização perante a sociedade.

Um militar da GNR cujo ordenado base ronda os 850 euros (simples patrulheiro) um agente da PSP o mesmo e um militar de exercito ronda os 700 euros, vê depois esse ordenado ser pago para servir outros interesses da sociedade, sim, podem dizer-me que isto é um interesse da sociedade, concordo, mas a sociedade não poderá compactuar com estas situações, não temos autoridades suficientes onde elas são precisas, mas temos homens e mulheres suficientes para transportar combustíveis para a sociedade não ficar apeada?

A Soflusa e a Transtejo fazem muitas greves, isso não é um atrapalhar da sociedade? Onde esteve a “Requisição Civil” para que muitos moradores da margem sul do Tejo não ficassem no desemprego? Sim, porque agora alguém da margem sul do Tejo que seja entrevistado para uma oferta de trabalho em Lisboa, a empresa questiona logo de onde é, e se tem o azar de dizer que é da margem sul do Tejo, a sua candidatura fica logo pendurada, porque os transportes são deficitários.

Onde estava o Governo na altura das greves das empresas fluviais? Não estava, porque só o combustível é que interessa, mesmo a descer 4 cêntimos por litro, o imposto está lá, e esse não desce, pois, o Estado recebeu sem oscilações.

E posso também questionar onde estão agora aqueles partidos que dizem defender o povo… a fazer comunicados nas suas páginas, assim a modos do ‘digo algo para não dizerem que não disse nada’, mas assim muito escondidinho para não dar muito nas vistas.

É o Portugal que temos, o cantinho à beira mar plantado!

Boa semana.

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