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Seixal: Cada vez mais um paraíso turístico

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O turismo tem sido, nos últimos anos, “uma forte aposta da autarquia”, conta ao Diário do Distrito Joaquim Santos, presidente da Câmara Municipal do Seixal. “Em 2019 foram superadas as melhores expectativas, com um aumento registado de 133% da procura turística em relação ao ano anterior”.

Mas o que tem o Seixal de especial para os turistas? Muita coisa. Os turistas visitam a região para “conhecer o património, navegar pela baía com quase 500 hectares, que é o recurso natural mais valioso do concelho, experimentar a gastronomia, participar na dinâmica cultural, desportiva e também em grandes eventos como, por exemplo, a Aldeia Natal do Seixal ou o Seixal Jazz”, afirma o presidente da autarquia. Estes são apenas alguns exemplos do que se pode fazer, mas o futuro vai trazer mais.

“Projetos de grande dimensão”

O Hotel Mundet, na frente ribeirinha e com vista para Lisboa, será um dos grandes projetos. Esta “unidade hoteleira de 4 estrelas irá manter na sua arquitetura e decoração as memórias da antiga fábrica de cortiça, tratando-se de um investimento de 16 milhões de euros”, refere Joaquim Santos. A construção do mesmo está atualmente parada, e não há data prevista para a sua conclusão.

Além deste, “estão planeadas outras unidades hoteleiras como é o caso do Hotel e Porto de Recreio do Seixal, cujo procedimento de hasta pública está em concretização e uma outra junto ao palacete da Quinta da Trindade”. A frente ribeirinha da Amora também vai ser aposta da autarquia, estando já a ser preparados estudos para criar “o Porto de Recreio de Amora que, além de contar com uma unidade hoteleira, tem associado o projeto de requalificação de todo o passeio ribeirinho até ao Estádio Municipal da Medideira, o qual será também alvo de renovação, e onde irá nascer o Centro Náutico de Amora”, diz o presidente da autarquia.

Local onde será construído o Hotel Mundet, na Praça 1º de Maio, com vista para a baía do Seixal

Por último, mas não menos importante, está a ser estudada a criação do Eco-Resort do Seixal, localizado numa área de 90 hectares na Reserva Ecológica Nacional na Ponta dos Corvos. “Um projeto de ecoturismo, ambientalmente sustentável que necessita ainda de um plano de pormenor que se encontra em fase de adjudicação”.

Manuel Ribeiro, morador do Seixal há 25 anos, considera que “a evolução do turismo tem sido muito boa e traz muita gente. Quando vim para cá viver tudo isto era diferente. Acho que estão a tornar a zona cada vez mais bonita”. Já Mário Castro elogiou bastante a região. “Uma área muito bonita e calma, com uma grande paisagem. Cada vez se vê mais pessoas na rua, a experimentarem os restaurantes do Seixal ou a passear. Foi uma zona com uma grande evolução a todos os níveis”.

 “Requalificação da Mundet foi um sucesso”

A ‘Mundet Factory’ foi uma das apostas da Câmara Municipal do Seixal. Os antigos refeitórios da famosa fábrica de cortiça deram lugar a um restaurante bar, inaugurado em 2016, que tem bastante presente a cortiça na sua decoração, e foi um dos fatores que contribuiu para a elevada vinda de turistas ao concelho, de modo a experimentar a gastronomia. “A par deste surgiram muitos outros pequenos negócios, de pastelarias, restaurantes e bares ao longo da zona ribeirinha de Amora e Seixal que ajudaram a recuperar movimento e a trazer muitos centenas de pessoas a esta zona”, refere Joaquim Santos.

O Parque Urbano do Seixal também é uma das atrações por diversas razões. Com uma área de 5,3 hectares, é um local para passear e contemplar a natureza, com vários miradouros onde é possível desfrutar da paisagem que o Seixal proporciona. Quem sabe, até fazer um piquenique. No entanto, o Seixal não é só um local de passagem para turistas, longe disso. Zonas como a Quinta da Fidalga têm sido bastante procuradas para construção de grandes condomínios. A presença de várias cadeias de supermercados no concelho e do rápido acesso às autoestradas foi mais um dos motivos que fez com que muitas pessoas “fugissem” das grandes cidades como Lisboa e Setúbal, e fossem viver para o Seixal.

“O novo parque veio trazer outro encanto ao Seixal”, diz Joana Pereira. “É um ótimo local para passear com a família e desfrutar da paisagem”. Já Miguel Pontes vê com bons olhos a construção de novas habitações, pois “é sinal de que vai trazer mais pessoas. O Seixal está no mapa, já não é uma ‘terrinha’ esquecida na margem do Tejo.”

Vista de um dos miradouros do Parque Urbano do Seixal

O desporto é também um dos pontos fortes no concelho. A renovação de pavilhões multidesportivos tem sido recorrente, como é o caso do novo pavilhão do Portugal Cultura e Recreio e também do pavilhão Leonel Fernandes, para a prática de Hóquei em Patins. Não esquecer ainda a total renovação do Estádio do Bravo, do Seixal 1925, com a implementação da relva artificial sintética, novos balneários e bancadas. No entanto, nem tudo tem resultado…

A ponte e os culpados

A construção da nova ponte entre o Seixal e o Barreiro é um tema controverso. “Visava a aproximação de dois concelhos que distam entre si um quilómetro linear, mas equivalente a 13 quilómetros de distância em função das acessibilidades. Teria um enorme impacto, tanto objetivo como subjetivo, na vida das populações decorrente do restabelecimento de uma ligação perdida há quase 50 anos”, diz Joaquim Santos. Esta ponte já existiu, sendo demolida em 1969. Naquela altura servia essencialmente para transporte ferroviário, mas desta vez iria permitir uma ligação muito maior entre as pessoas dos dois concelhos. Existiam planos para a construção de uma nova ponte, mas o acordo acabou por cair.

O projeto não se iniciou e houve um culpado, de acordo com o Presidente da Câmara do Seixal. “Foram desenvolvidos estudos aprofundados que resultaram num projeto ambicioso, entretanto com o programa-base adjudicado, escrutinado por diversas entidades e adaptado em conformidade. Lamentavelmente, o atual executivo da Câmara Municipal do Barreiro decidiu não avançar com o projeto da ponte pedonal e ciclável Seixal – Barreiro”.

Joaquim Santos, Presidente da Câmara Municipal do Seixal

Mesmo assim, “continuam a evoluir os projetos e obras dos acessos pedonais e cicláveis que ligarão o núcleo antigo do Seixal à Estação Fluvial e ao pontão da Azinheira. Estes projetos, ainda que sem a ponte, darão continuidade ao passeio ribeirinho do Seixal”. Maria Vaz, residente no Seixal e trabalhadora no Barreiro, considera que “uma ponte dava muito jeito. Ir daqui ao Barreiro era um saltinho, em vez de estar a dar uma volta descomunal até lá chegar”. Já Paulo Pereira ainda sente alguma indignação pelo falhanço do projeto. “Não sei o que se passou para não avançarem com a construção. Acho lamentável que dois concelhos tão grandes e com tanta história não tenham conseguido chegar a um acordo, optando por colocar interesses à frente do negócio”.

Villamix, um festival a estrear no Seixal

Em outubro está marcado o Festival de música brasileira Villamix, a realizar-se no parque da Quinta dos Franceses. Para Joaquim Santos é uma grande oportunidade de atrair turistas e utilizar aquilo que o Seixal tem de melhor. “Com duas edições realizadas no Altice Arena, sempre esgotadas, a organização do Villamix abordou a Câmara Municipal do Seixal com a intenção de realizar um evento ao ar livre em 2020, tendo em conta as características únicas e os espaços públicos de grande qualidade, com uma Baía inserida em pleno estuário do Tejo, ampla frente ribeirinha e excelente localização perto da capital, Lisboa, cidade a que está facilmente ligado por autoestrada, por via fluvial e por ferrovia”.

À semelhança da Festa do Avante!, a realização do Festival Villamix também não agrada aos moradores do Seixal. “Espero que não se atrevam a fazer um festival e a trazer tanta gente para cá durante esta crise de coronavírus”, diz Miguel Rodrigues, morador na região. “Acho que teria tudo para ser um grande festival, mas duvido que se vá concretizar. É uma pena”, considera Joana Pereira. Devido à atual pandemia de COVID-19, a realização do festival “está pendente da Direção-Geral da Saúde. Entendemos que é imprescindível o acompanhamento e parecer favorável das autoridades de saúde, cujas orientações deverão ser escrupulosamente seguidas de forma que seja garantida a segurança e confiança de todos aqueles que pretendam participar no evento”, refere Joaquim Santos.

A verdade é que o Seixal está cada vez mais no mapa. Com a forte aposta da autarquia no desenvolvimento do turismo, são cada vez mais as pessoas que começam a ver a região como uma referência, e não apenas como um local de passagem. Com hotéis, restaurantes e parques a surgir, o Seixal pode tornar-se, no futuro, um verdadeiro paraíso turístico.

 

 

 

 

 

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