Rubrica

Segundas Oportunidades

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Sendo eu “uma pessoa de pessoas”, psicóloga e terapeuta familiar, é quase uma inevitabilidade acreditar no potencial de mudança do ser humano. Ao longo de 20 anos de prática clínica, esta crença tem sido colocada à prova, por vezes treme, mas reergue-se e permanece em mim.

Nestes 20 anos aprendi também sobre zonas cinzentas, sobre contextos e circunstâncias, heranças e segredos. Aprendi que, quase nada, é “preto ou branco” e que, quase tudo, é possível a qualquer um de nós. Basta que estejam reunidas determinadas condições ou a ausência das mesmas.

Aprendi também sobre perdão, humildade e recomeços. Sobre tolerância e empatia. Ninguém é melhor do que ninguém. Somos diferentes, na nossa personalidade, nas nossas figuras de vinculação e de imitação, nos nossos sistemas e oportunidades.

Em tantos anos de clínica, conheci o preconceito, o racismo, a xenofobia, o machismo e a desigualdade. Indignei-me com a (in)justiça, com as decisões pouco ou nada fundamentadas na realidade e que ignoram os relatórios e depoimentos dos psicólogos.

Nunca me calei. E sofri as consequências disso mesmo, até entre os meus pares. Faria e farei tudo de novo. Não me calarei.

E não me calarei porque acredito em segundas oportunidades, porque sou e serei “uma pessoa de pessoas”, uma mulher da ciência e da clínica, apaixonada pela sua profissão e pelo potencial do ser humano.

É por isso que creio em segundas oportunidades, em reabilitação credível, acompanhada por técnicos competentes, e que continuo a colaborar com os tribunais, na defesa da psicologia ao serviço de melhores e mais justas decisões.

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