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Sector da Saúde ameaça paralisar

Enfermeiros da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo em greve quinta-feira. Os trabalhadores do setor da Saúde fazem greve de 24 horas na próxima sexta-feira. Os médicos estão descontentes. Até as associações de utentes da saúde da Península de Setúbal protestam contra as falhas nos cuidados de saúde em frente ao hospital Garcia de Orta na próxima quinta. Vejamos os motivos de protesto caso a caso.

Enfermeiros


Os enfermeiros da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) estarão em greve esta quinta-feira para exigir uma valorização salarial e a admissão de mais profissionais, nomeadamente a vinculação efetiva dos enfermeiros com contratos precários.

Numa nota, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) adianta ainda que será feita uma concentração, pelas 11h30, em frente à sede da ARSLVT, que acusa de inação, um mês após uma denúncia pública pelo sindicato de vários “problemas e injustiças”, entre as quais a “inadmissível situação precária de cerca de 150 enfermeiros contratados, no contexto da pandemia, e que ficam fora das 152 vagas do concurso para vinculação”.

“Apesar dos descongelamentos de progressões, consagrado na Lei do Orçamento de 2018, a generalidade dos enfermeiros da ARSLVT (ACES, DICAD e Serviços Centrais) não tiveram qualquer valorização remuneratória nos últimos anos, muitos dos quais a exercerem há mais de 20 anos, porque o Conselho Directivo (da ARSLVT) mantém um intolerável impasse”, considera o SEP. Em termos de carreiras, os enfermeiros pretendem também a consolidação dos profissionais em situação de mobilidade, a manutenção das 35 horas semanais em todas as unidades funcionais, a constituição de listas de utentes por enfermeiro de família, a contabilização de pontos e correspondentes reposicionamentos remuneratórios, a transição de todos os enfermeiros especialistas e em gestão para as respetivas categorias e ainda a admissão de outros profissionais, nomeadamente para condução de viaturas e remoção de resíduos contaminados.

Nos próximos dias, ocorrerão ainda várias mobilizações dos enfermeiros. Hoje de manhã os enfermeiros do IPO Porto concentram-se pela contagem dos pontos do biénio 2019 /2020, pelo pagamento de todo o trabalho extraordinário e pela vinculação. Os seus colegas do IPO Coimbra já o tinham feito na última quarta-feira “para exigir a harmonização dos nossos direitos no que concerne à atribuição de pontos para efeitos de progressão salarial”, segundo o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.

Também de manhã, mas no dia 11, em frente ao Hospital Júlio de Matos, convocados pelo mesmo sindicato, os enfermeiros do Centro Hospital Psiquiátrico de Lisboa fazem ouvir reclamações semelhantes, nomeadamente a necessidade de mais contratações, de vinculações, de valorização dos cuidados de saúde mental e psiquiatria.

Trabalhadores do sector da saúde

Os trabalhadores do setor da Saúde vão fazer uma greve de 24 horas na próxima sexta-feira. Exigem abertura dos processos negociais, melhores condições de trabalho, dignificação e valorização profissional, justa contagem do tempo de serviço e a admissão de mais trabalhadores.

A greve, que não inclui médicos e enfermeiros, surge na sequência da falta de respostas do governo. Em abril, a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS) tinha reunido com a Ministra da Saúde que se tinha comprometido, segundo a direção sindical, a agendar para Maio uma nova reunião. Esta “mais uma vez” não se concretizou. Um “esquecimento” que os trabalhadores não querem deixar passar para que não suceda nesta legislatura “o mesmo que aconteceu nas anteriores, muitas promessas e nenhuma ação para a resolução dos problemas e das suas reivindicações”.

Em conferência de imprensa, a coordenadora da FNSTFPS, Elisabete Gonçalves, sublinha que os trabalhadores estão há “muitos anos” a esperar a resolução dos seus problemas, que são também problemas de toda a gente porque a instabilidade que criam prejudica o Serviço Nacional de Saúde. Em causa estão questões como as lutas por uma carreira específica para os Auxiliares de Ação Médica que se arrasta há 14 anos, pela aplicação do Acordo Coletivo de Trabalho das carreiras gerais e pela realização de um ACT nas carreiras não revistas, pela contratação de trabalhadores “que supram as necessidades dos serviços e organismos”, pelo fim do trabalho precário, pela abertura de procedimentos concursais de promoção e de integração e pela correta contagem dos pontos aos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica.

Médicos

Os médicos não farão greve esta sexta-feira mas tal não quer dizer que estejam satisfeitos. A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) diz que vai esperar pela próxima reunião com a ministra, marcada para dia 13, na qual pretende que esta possa “emendar a mão”. Se isso não acontecer, três dias depois a federação sindical reúne e poderá decretar uma greve.

Em declarações à Rádio Renascença, o dirigente sindical dos médicos João Proença indica que a solução encontrada para tentar resolver o problema das urgências “é insustentável”. Para ele, “o Governo quer empurrar os médicos para trabalharem apenas para as urgências, destruindo as suas carreiras, a sua capacidade de resposta e a sua vida familiar. Porque estar a pagar acima de 250 e 500 horas extra, mostra mesmo que o objetivo deste Governo não é organizar serviços que deem resposta clara aos utentes que necessitam e dar uma vida de qualidade aos médicos que prestam esses cuidados”.

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O responsável da FNAM diz ainda que “é um bocadinho vergonhoso o Governo promover as horas extraordinárias em vez de promover um trabalho durante 40 horas, que é a nossa proposta e um máximo de 12 horas de urgência”. A proposta governamental de “obrigar a fazer 100 horas por semana”, “vai criar uma indignação e espero que a crie para criar condições para que nós façamos uma grande movimentação política que provavelmente vai passar pela greve, porque isto é insustentável”.

Também na quinta-feira, as associações de utentes da saúde da Península de Setúbal protestam contra as falhas nos cuidados de saúde em frente ao hospital Garcia de Orta.


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