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Saúde em Sol Maior, o projeto que leva música aos lares da Covilhã | Entrevista

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Saúde em Sol Maior é o nome do projeto que funciona da parceria entre o Grupo de Concertinas da Covilhã e as Farmácias Holon dos concelhos da Covilhã e do Fundão. O Diário do Distrito entrevistou João Pinto, membro do grupo musical composto por nove elementos, entre os 51 e os 74 anos, e Andreia Martins, Gestora de Responsabilidade Social das Farmácias Holon (Covilhã, Fundão, Montijo e Costa da Caparica), que deram a conhecer as raízes do projeto que trabalha em prol da saúde mental dos utentes de lares.

«O projeto surgiu em cima da minha cama. Deitei-me, tinha a televisão ligada e vi uma pequena reportagem sobre um lar de idosos e sensibilizou-me. Pensei “temos o nosso grupo, podemos fazer alguma coisa de bom aqui no nosso concelho», começou por dizer João Pinto. Apresentou a ideia aos colegas e todos concordaram em avançar. Entraram em contacto com as instituições da região, 24 no total, mas devido à pandemia foi complicado obter respostas, até aparecer Andreia Martins, «um anjo» nas palavras do músico.

«Felizmente, tudo se compôs e apareceu em boa hora a doutora Andreia, que se quis associar, fazer uma parceria, nós com as Farmácias Holon, e a partir daí tem sido o nosso braço direito, porque é ela que faz os contactos com as diretoras e presidentes dos lares, centros de dia, etc. Eu quando ligava para um lar, era o porteiro que me atendia… E o diretor não estava. Aqueles que não me responderam, ela chegou até lá e conseguiu entrar em contacto diretamente e conseguiu fazer aquilo que não consegui fazer».

Fotografia: Farmácia Holon

Foi através do contacto de Andreia Martins que surgiu a parceria e se abriu portas para a concretização de atuações nos lares. A mesma explicou que a sua experiência como profissional com passagens por lares cativou a uma parceria em prol da saúde mental dos utentes.

«Sempre desenvolvi muito projetos e há uma coisa que eu gosto muito, que é trazer soluções para problemas. Nós temos um grande problema que é a saúde mental que tomou proporções completamente diferentes em tempos de pandemia, e até assustadoras. Tendo em conta que até há muito pouco tempo trabalhava enquanto diretora técnica de um lar, quando eu ouvi o “zunzum” do senhor João e percebi que tinham vontade de ir tocar às instituições, fiquei com a pulga atrás da orelha, como se costuma dizer. Vi que era uma iniciativa muito interessante para os dois lados, porque efetivamente, e eu sei por experiência própria, aqueles minutos em que estão a ouvir música transforma a semana dos idosos e, com os idosos transformar-se as das direções, a dos funcionários, etc. A verdade é que nos lares, neste momento, vive-se um clima muito pesado. Tínhamos aqui uns problemas e na metemos num saco mágico e transformámos numa solução, que é importante para nós enquanto farmácia porque estamos a despertar e a consciencializar a comunidade através desta ação de divulgação para a importância da saúde mental, mas acima de tudo, fazer entender as entidades, os organismos, que, mais do que falar, é preciso fazer alguma coisa. Sabemos que a música não vai trazer uma solução definitiva, vamos pôr um penso rápido naquele momento, transformar um bocadinho o dia. É preciso chegar, seja de forma formal ou informar. Temos de olhar para a questão da saúde mental, para a questão do isolamento, da falta do afeto, de uma maneira diferente. Faço parte do departamento de responsabilidade social, sou coordenadora desse departamento das farmácias Holon (Covilhã, Fundão, Montijo e Costa da Caparica), e as nossas farmácias pensam em mais do que o medicamento, em mais do que uma venda… Nós queremos dar saúde, e isso passa pelo contributo que damos à comunidade. Somos uma empresa de sucesso porque as pessoas nos procuram, então nós vamos retribuir, seja por via de rastreios, seja por idas às escolas com ações de sensibilização, seja nos lares, seja onde for».


As atuações são realizadas com a devida distância de segurança e com todas as precauções necessárias. Só não utilizam máscara dois elementos do grupo,os cantores. Como correram as primeiras? As reações falaram por si.

«Fizemos duas atuações (dia 31 de março) e foram magníficas, conseguimos perceber que é isto que nós queremos. A presidente da instituição disse que foi a melhor prenda de páscoa que nós podemos ter. Os idosos estavam a vibrar e a dançar, mesmo sentados. Os sorrisos, o entusiasmo… não há nada melhor! Viemos para casa com o sentimento de missão cumprida», disse Andreia Martins.

Para os músicos, as atuações «deram-nos um sabor enorme, saímos dos lares de coração cheio. Há pessoas que não veem os familiares há imenso tempo, que não dão abraços nem beijinhos devido à pandemia. Nós não damos beijos nem abraços, mas transmitimos algo», acrescentou João Pinto.

O futuro do projeto passa pelo querer atuar em todos os lares do concelho da Covilhã,«esperamos fazer os lares todos, não deixamos ninguém para trás», salientou o músico. A Gestora de Responsabilidade Social acredita que esta será a primeira edição, tendo a ambição de «conseguir levar para o concelho vizinho, para o Fundão» e quem sabe mais território nacional.

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