Santo António volta a abençoar casamentos em Lisboa

As Festas de Lisboa têm nos Casamentos de Santo António um dos seus pontos altos. Dos Paços do Concelho à Sé Patriarcal, 16 casais foram pedir a bênção do santo lisboeta - na verdade, um santo de todo o mundo - para esta nova etapa das suas vidas.

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A manhã de dia 12 de junho é tradicionalmente movimentada nos Paços do Concelho. Desde muito cedo que a Praça do Município se prepara para a chegada das noivas de Santo António (e, claro, dos noivos que com elas vão casar). Familiares e outros convidados chegam mais cedo, como manda o protocolo, em autocarros fretados para o efeito.

No Salão Nobre da Câmara Municipal de Lisboa, ultimam-se os preparativos para o início da cerimónia. Os noivos, esses, já estão à espera das futuras esposas e nem o sorriso e as palavras descontraídas escondem o nervoso miudinho.

A cerimónia civil inicia-se pouco antes do meio-dia e é presidida pela Conservadora Ana Luísa Grilo Ferreira. As cinco noivas entram no salão, já visivelmente emocionadas, mas também com algum nervosismo, e dirigem-se para os seus lugares, onde os noivos as esperam.

Depois de algumas palavras da Conservadora, os casais trocam palavras que atestam o seu amor e declaram, perante a família, amigos, a “lei e a República Portuguesa”, que é de seu livre desejo a união das suas vidas.

O final da cerimónia é marcado, como habitualmente, com a ida dos novos casais à varanda dos Paços do Concelho. Na Praça, dezenas de lisboetas e turistas testemunham estas cinco uniões e felicitam com aplausos, ao som da Tuna VenusMonti, da Faculdade de Direito de Lisboa.

Nos arredores da Sé de Lisboa, a azáfama já é evidente desde o final da manhã. É aqui que, pouco depois das 14h00, 11 casais vão unir as suas vidas numa cerimónia católica, presidida pelo Cónego Luís Manuel. A principal rua de acesso à Catedral está cortada e só circulam veículos das forças de segurança e os autocarros que transportam os convidados dos noivos.

Nos passeios, até bem perto da igreja de Santo António, que abriga o lugar onde nasceu o santo, começa a aglomerar-se uma multidão que deseja ver as noivas. A maior parte são lisboetas que já fazem desta espera uma tradição. Dentro da Sé, o coro do Espírito Santo, que com a fadista Teresa Tapadas vai animar a celebração, está nos últimos ensaios.

À hora certa, entram as noivas, acompanhadas pelos pais, ou por quem os representa. A Sé está decorada com flores brancas, bem distribuídas, engalanada para a festa. Depois das habituais leituras, o padre Luís Manuel dirige algumas palavras aos noivos, apresentando o “matrimónio como uma vocação”.

“Deus chama a viver a dois, a construir família”, disse aos noivos o presidente da cerimónia. E lembrou o que define uma união feliz e duradoura: “Fazer o outro feliz, ser o ouvido que escuta e o ombro que ampara”.

E é chegado o momento do “sim”. Um a um, ou melhor, dois a dois, cada casal faz as suas promessas de amor para a vida inteira, “diante de Deus e dos convidados”. É o momento alto da celebração.

Aos 11 casais agora unidos pelo matrimónio, juntam-se outros 13 casais que celebram as Bodas de Ouro. Foram abençoados por Santo António em 1969 e testemunham agora as cinco décadas unidos pelo casamento.

Depois de uma oração de entrega a Nossa Senhora, os casais terminam a cerimónia com a fotografia de grupo na escadaria da Sé de Lisboa. Depois, dirigem-se para a frente da igreja de Santo António e entregam uma flor à imagem do santo casamenteiro que se encontra ornamentada de flores e velas que os devotos ali deixam por estes dias.

Desfilando a pé até à Praça do Município, os 11 casais juntam-se aos cinco que casaram na parte da manhã, onde tiram nova fotografia de grupo. Em 16 automóveis antigos, os noivos de Santo António desfilam até à Estufa Fria, onde é servido o Copo de Água.

Mas o dia ainda não termina por aqui. É a noite das Marchas Populares na Avenida da Liberdade e os noivos vão integrar o desfile cerca das 22h00. Um dia pleno, cheio e cansativo. Um dia que estes noivos não esquecem. O dia em que foram os noivos de Santo António e encheram Lisboa de amor, alegria e encanto.

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