Santo António. De Lisboa e de todo o mundo

É conhecido como o 'Santo de todo mundo', mas foi em Lisboa, a dois passos da Sé Patriarcal, que nasceu e cresceu Fernando Martins de Bulhões, em agosto de 1195. E é ali, onde agora existe a igreja de Santo António, que se juntam por estes dias centenas de pessoas para agradecer e pedir ao santo lisboeta proteção e ajuda para as suas vidas.

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O som do órgão que enche a igreja anuncia que esta é uma data especial. É 12 de junho, a véspera do dia de Santo António, um dos santos mais conhecidos em todo o mundo e que é padroeiro secundário de Portugal. É hora de almoço e a igreja tem cerca de trinta pessoas. A maior parte reza, compenetrada. Outras, principalmente turistas, admiram a arquitetura, as imagens, os altares e as pinturas.

No penúltimo banco, destaca-se uma mulher de cerca de 40 anos. Visivelmente de luto, chora compulsivamente. Está de joelhos e tem uma flor na mão. A sua expressão denuncia um desejo de encontrar uma qualquer explicação. Outra mulher, chorando de pé, tenta confortá-la com a mão no ombro. Perdeu um filho. A fotografia tipo passe que tem na outra mão mostra o porquê de tanto sofrimento.

Laura está parada em frente ao altar. Reza diante de uma relíquia de Santo António. É um ritual que cumpre há quase 50 anos. À saída, Laura protege os olhos com os óculos de sol. “Sabe, não sou de Lisboa mas sempre tive devoção ao Sant’Antoninho”. Desde que veio morar para a capital, Laura cumpre a tradição de vir “à casinha do santo” nestes dias da sua festa. “Não ligo muito aos bailes. Gosto de ver as marchas, mas é vir aqui [à igreja] que me fazem sentido as festas de Lisboa”.

Dentro da igreja, que está solenemente ornamentada com flores e velas, o órgão para de tocar. Um grupo de pessoas prepara-se para descer à cripta, onde se encontra o que resta do quarto onde nasceu Fernando Bulhões, que mais tarde adotou o nome de António, ao entrar da Ordem Franciscana.

Naquele lugar apertado, onde cabem poucas pessoas, reina um silêncio ainda maior. A cripta é toda de pedra e o pequeno altar, com algumas flores e encimado por uma pequena cruz, assinala o local do nascimento do santo casamenteiro. Ali, diante da grade que separa o corredor do altar, faz-se silêncio, reza-se e agradece-se.

Cá fora, no largo fronteiro, está uma imagem de Santo António que foi inaugurada por João Paulo II em 1982. Nestes dias, muitas pessoas depositam aqui flores e acendem velas. Um grupo de visitantes espanhóis está divertidamente a atirar moedas ao santo. Diz-se que, se a moeda atirada pela mulher cair dentro do gradeamento, ela irá casar-se brevemente. “Eu já sou casada, mas pode ser que o santo me dê um sinal que tudo vai correr bem!”, diz Almerinda, que veio de Sevilha passar uma semana na região de Lisboa. “E bem casada!”, acrescentou o marido.

Do outro lado da estátua, duas mulheres mais idosas acendem velas. “Uma é para pedir pelos meus netinhos, que estão a acabar os estudos. Outra para agradecer mais um ano que temos forças para vir aqui à casa do Santo António”, refere uma delas.

E ali ficam, agradecendo e pedindo, enquanto contemplam a imagem do santo que Portugal e Itália – onde morreu e está sepultado – tanto disputam. E basta olhar para a diversidade de nacionalidades que ali se reúnem para Santo António ter mais que justificado o título de Santo de todo o mundo.

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