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Rui Garcia | Um mandato em tempos de pandemia

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O que foi mais difícil neste mandato em período de pandemia?

Este mandato teve, naturalmente, situações novas, para as quais ninguém estava preparado. Os técnicos de saúde pública têm a sua formação e sabem, do ponto de vista académico, como devem reagir, mas no concreto, a sociedade não estava preparada para algo assim.

E quando acontece, de repente todos temos de aprender a lidar e agir numa nova realidade, com situações novas, mas também com impactos na sociedade muito duros.

Naturalmente os primeiros meses foram mais difíceis desse ponto de vista, porque tudo era novo e tudo tinha de ser experimentado, para conseguirmos chegar ao que seria o mais adequado. Todos fomos aprendendo com a experiência e na segunda vaga, já foi possível uma resposta mais sólida das instituições, porque já tínhamos a experiência do que tinha acontecido na fase inicial, mas não deixa de ser bastante difícil.

Foi uma enorme alteração ao nível das nossas vidas e dos nossos hábitos, mas sobretudo ao nível da economia, do emprego, e até da sociabilidade das pessoas, que ficaram impedidas de se juntarem nas suas actividades diárias, e tudo isto tem consequências profundas, e vamos lidando com isso dia-a-dia.

O que mudou com a pandemia de covid19?

Desde logo mudou um aspecto que pode ser menos perceptível para o exterior, mas que teve um impacto profundo nos nossos serviços e trabalhos, com tudo aquilo que foi necessário adaptar durante os períodos de confinamento e maiores restrições, em que tivemos de ter parte dos trabalhadores em pausa, equipas de trabalho em espelho, recurso a teletrabalho, etc.

Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, e acho que no essencial conseguimos manter a prestação dos nossos serviços essenciais ao nível necessário, mas tudo isto não deixou de ter consequências e houve serviços mais afectados, como a manutenção corrente, que não podia deixar de se notar em alguns períodos nos nossos espaços públicos e verdes, e alguns aspectos da higiene pública.

Admito que houve momentos em que se verificaram atrasos, e até no funcionamento interno, com alguns processos em que notámos uma maior lentidão, em função das adaptações que foi necessário implementar.

Fomos também chamados para dar resposta a uma série de novas questões que surgiram, do ponto de vista de apoios necessários, em função da situação sanitária, que exigiram um emprego de recursos, quer financeiros quer humanos, em que foi preciso também desviar meios e recursos para dar essas respostas.

Destaco a enorme colaboração que temos tido com o Serviço Nacional de Saúde, com as autoridades de saúde, os Centros de Vacinação, e os Centros de Acolhimento que estiveram disponíveis em 2020, mas também no acompanhamento e vigilância da situação nos lares e casas de repouso.

Interviemos também no apoio social e acompanhamento às instituições da nossa rede social que foram chamadas para um enorme esforço adicional ao trabalho que realizam desde sempre, e para poderem dar resposta às necessidades que cresceram significativamente.

Tudo isto teve consequências, que enfrentámos da melhor maneira possível, mas que teve consequências.

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Uma dessas consequências foi, sem dúvida, o cancelamento das Festas da Moita, um evento muito querido à população e também importante em termos financeiros para a Câmara Municipal.

Onde os impactos também se tornaram mais visíveis foi do ponto de vista do cancelamento das iniciativas culturais e de animação.

O ano passado todas as festas populares foram canceladas, assim como a Romaria a Cavalo, que também foi cancelada este ano; quer também iniciativas diversas no âmbito da Quinzena da Juventude, além da imensa actividade que todo o movimento associativo do concelho desenvolve.

Ainda temos algumas incertezas em relação ao que vai ser o ano de 2021, relativamente à programação cultural, sendo que as iniciativas de Abril e Maio foram canceladas ou profundamente diminuídas.

Sobre as Festas da Moita, que se realizam em Setembro, não temos ainda nada definido, e não podemos assumir já que se vão realizar ou que serão canceladas. A nossa intenção é que aconteçam, ainda que sujeitas a algumas restrições, mas temos de aguardar mais algum tempo, para ver como se desenvolve a situação pandémica. 

Em 2020 o cancelamento teve um impacto muito grande, porque todas as festas populares, quer na Moita, quer nas outras freguesias, têm uma grande importância, e o seu cancelamento prejudica o comércio local, os artistas locais, os feirantes, etc, porque sabemos que em redor destas festas anuais há toda uma economia que se move e uma riqueza que se cria, que vai para lá do simples lazer e convívio do ir ‘passear à Festa’.

Se o mesmo  voltar a acontecer este ano, tudo se tornará muito mais complicado, mas esperamos que a tendência positiva e a vacinação como está a decorrer, permita que este Verão se volte a alguma normalidade, para garantir também o sustento dessas pessoas que dependem destes eventos.


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