Rio correu para o mar

Esta semana um artigo de opinião de Pedro Guerreiro Cavaco, que deixa um convite especial também aos leitores do Diário do Distrito.

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Alguém duvidava que Rio se candidatasse? Eu não. Só não o sabia messiânico. Rio, qual homem desprendido, não deixa o partido nem à força de derrotas (sucessivas) e, inopinadamente, aparece como um messias que tem de si uma imagem tão boa que, na sua visão, ou ele próprio ou o caos.

Mas pior. O Rio que não é calculista vai liderar a bancada parlamentar até às directas fazendo do parlamento, claro está, um palco de campanha interna. Debaixo dos holofotes, irá aparecer um Rio mediático e combativo, um Rio que nunca foi o que agora procurará demonstrar ser, fazendo uma oposição que nunca existiu no decorrer do seu mandato, procurando fazer salivar os militantes mais sedentos de êxitos políticos do partido. Desenganem-se. Esse Rio mediático está maquilhado.

Quando Rio afastou Maria Luís Albuquerque da lista de candidatos a deputados pensei para mim que aquela data marcava o emergir da sua própria candidatura. Estava errado. E tenho pena de o ter estado, pois seria uma candidatura simpática de uma pessoa que colhe estima de muitos militantes, além de ser uma mulher. Maria Luís, no jornal Expresso da semana passada, manifestou apoio a Luís Montenegro na sua já anunciada candidatura a líder do PSD. É indubitavelmente um apoio forte de quem poderia ter ido mais além, de alguém que colheu apoio expresso há poucos dias de Aníbal Cavaco Silva, mas, quiçá, resguardando-se para o futuro. A seu tempo descobriremos.

A par de Rio e Montenegro, também Miguel Pinto Luz, um ilustre desconhecido, apresentou a sua candidatura num vídeo bem conseguido. Creio que apenas seja conhecido entre Lisboa a Cascais, o que não invalida que apresente um projecto sério e deva ser ouvido. Um elogio lhe faço, ousadia de se apresentar a votos e ser “sangue novo”.

Sem embargo, face aos candidatos, corroboro plenamente da opinião de João Miguel Tavares quando diz que a “melhor cabeça” ainda não se candidatou e, quiçá, tal como Maria Luís, ainda não saiba ou sinta se chegou o seu tempo. Falo de Miguel Morgado, a quem vejo como futuro líder do PSD. É sem dúvida a melhor cabeça e a pessoa que pensa a política além, à frente do seu tempo. Acresce ser agregador, como se viu no Movimento 5.7 e isso é uma mais valia. Se se candidatar, estarei ao seu lado.

Independentemente dos candidatos e tal como escrevei no pretérito artigo, o PSD não pode padecer da sua – perdoarão – “sportinguização”, isto é, ser um partido ingovernável por haver, dentro do PSD, vários PSD. Entenda-se, nem só de “alas” se faz a ingovernabilidade aparente. O partido ficou ferido de morte com esta campanha interna que erradicou das listas pessoas com competência demonstrada. Urge assim que o PSD tenha, além de um presidente, um líder que agregue.

E depois de arrumar a casa, falar para fora. Além das áreas tradicionalmente caóticas – que se mantêm caóticas – há muitas outras para chegar perto.

O PSD terá de chegar ao eleitorado do CDS que, por motivações vários, não conferiu ao seu partido o voto. Não sei se algum dos deputados eleitos tem carta de táxi, mas face ao reduzido número de eleitos e face aos rostos que aparentemente se posicionam para uma candidatura, é claro para mim que o PSD tem aqui uma oportunidade única, assim a saiba aproveitar. Se não o fizer, a Iniciativa Liberal o fará.

Sem embargo da conquista do seu espaço – um partido que não sendo liberalista é liberalizador, que agrega sociais democratas, democratas cristãos, conservadores e outros mais liberais – implicará urgentemente um diálogo com o cento e a direita, como bem propôs Miguel Morgado.

Os partidos à direita não poderão ser, doravante, entidades estanques, mas deverão correlacionar-se. E repare-se que esta proposta não é virgem. Ou não teria havido a AD… isto é, está nos genes do partido ir além, como um pivot.

Mas não apenas. Repare-se, o PSD deve assumir uma direcção diferenciada em relação aos trabalhadores. Nem só de funcionários públicos vive o país. Os profissionais liberais e os trabalhadores por conta de outrem estão esquecidos pela esquerda desde o início da geringonça. Só se ouve falar na função pública e só se governa em função dela. Porquê?

O PSD não deverá ocupar esta zona, questiono? Esperam o quê? Estes trabalhadores estão ávidos de atenção. Como não querem abstenção se nem toda a sociedade é tida em conta? Repare-se como Catarina Martins veio a terreiro falar nos trabalhadores do privado em plena campanha eleitoral. Adiante.

Rio não teve arte deles se aproximar, cravando ainda mais fundo assimetrias. Se o PSD quiser governar, terá de ganhar o país primeiro. Conquiste-o à força de mudança.

 

No dia 7 de Novembro será lançado o meu livro “O Homem que acusou Deus – Um advogado criminal no mundo secreto do Opus Dei”, no Salão Nobre da Ordem dos Advogados, pelas 18.30H e será apresentado pelo Dr. Henrique Monteiro e pelo Dr. Gonçalo Portocarrero de Almada.

Naturalmente, o convite que enderecei ao Diário do Distrito, para estar presente no evento, endereço igualmente aos seus leitores, o que faço desde já e com muito gosto.

 

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