Requiem por um país que já fomos!

Estamos de luto em Portugal, e o mais triste neste luto é que, em tantos casos, ele diz respeito a perdas evitáveis não fosse uma sociedade em mudança para uma acentuada quebra de valores humanos e humanitários, para a revivescência de atitudes extremistas e para o habitual laxismo nacional plasmado no ditado popular agora tão tristemente em voga que reza assim:” Depois de casa roubada trancas à Porta!”

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Em 2017 o país viu-se confrontado com outro ano maldito em termos de perdas humanas com a trágica contabilidade dos Incêndios de Pedrógão Grande que trouxe à vista as diversas falhas organizacionais, de meios e humanas de um sistema que tem por missão garantir a segurança de pessoas e bens perante catástrofes naturais ou causadas por mão humana. Pedrogão nada de relevo nos ensinou a não ser, infelizmente, ver com nitidez que continuamos hoje, três anos depois, a não ter meios de fazer punir culpados, de repor a justiça possível e de evitar que possam suceder iguais tragédias.

Tem de ser dito com todas as letras que Portugal é o país onde surgem milhões dos contribuintes para injectar em bancos privados e empresas públicas que acumulam prejuízos fruto de gestões que seria importante averiguar em termos de potencialmente danosas, mas é neste mesmo país que os nossos Bombeiros lutam contra os incêndios tantas vezes com equipamentos obsoletos (os materiais utilizados pelos soldados da paz estão sujeitos a desgaste e mesmo a prazos de validade para garantir a sua plena eficácia) que podem custar-lhes a vida e não se negue que se perdem vidas estupidamente por falta de meios ou pelo uso dos recursos possíveis que não são os ideais nem estão aptos em pleno a satisfazer as necessidades nos teatros de operações. A lista de prioridades de investimento deve urgentemente ser revista, daí que tenha de reconhecer alguma razão às vozes críticas que se levantam na Europa quanto à atribuição de fundos avultados a fundo perdido destinados a Portugal, porque gestão de recursos financeiros, logísticos e humanos não é mesmo o nosso forte! Portugal está de luto pela perda de vidas humanas entre elas dos nossos Bombeiros que perecem às mãos desta incapacidade nacional!

Em termos de COVID-19, estamos de luto por todas as vítimas que diariamente partem, mas estamos também de luto por falta de meios assertivos e duros de controlo da epidemia (mormente testagens que podem ser recusadas nos nossos aeroportos e fronteiras com total acesso por terra). Estamos de luto pela falta de responsabilidade cívica e pela falta de inteligência emocional e racional de acharmos que somos imortais e que podemos, de quanto em vez, arriscar em insistir em acções pontuais de desconfinamento desregrado (é só uma vez, é excepcional, é por uma boa causa, é porque não podemos estar presos tanto tempo) e pela insistência em realizar eventos de massa (festas privadas e públicas) que são excepções permitidas ou a que se fecham os olhos. Mas depois, a partir das oito horas há estações de serviço, pelas estradas deste Portugal fora, que se recusam a vender uma garrafa de água (bem essencial à vida) a uma criança ou adulto sequiosos se for depois das oito da noite!

Estamos de luto porque na passada semana fomos confrontados com a teimosia, indiferença e falta de sensibilidade de autoridades locais de Santo Tirso perante a perda de vidas de animais em abrigo onde ocorreu incêndio, e assusta só pensar em tudo o que se esconde por trás do que está à vista e constitui apenas a ponta de um icebergue.

Estamos de luto porque ontem, em plena Lisboa, no Bairro de Moscavide, um actor, pais de família e que passeava na rua o seu animal de estimação foi assassinado na Rua gratuitamente, sem aviso, sem hipótese de defesa e tanto quanto se sabe por motivo fútil de racismo.

Estamos de luto porque o país tolerante, solidário, de brandos costumes que um dia já fomos desapareceu do mapa, somos uma nação doente, carente de valores humanos, carente de empatia, carente de respeito pelo próximo, carente de respeito pela diferença, carente de respeito pelos mais frágeis. Matamos e deixamos morrer com demasiada facilidade para não estarmos nós também desumanizados e mortos enquanto o país que um dia já fomos! Estamos de Luto!

 

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