Opinião

Racista eu?

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Para a maioria dos portugueses a pergunta “Você é racista?” é, quase, um insulto.

E porquê?

Porque, dizem, Portugal é um país de brandos costumes, de sã convivência entre todas as raças e onde só mora gente acolhedora.

Nada que se compare com países onde a cor da pele pode limitar direitos e fechar portas.

Na nossa “santa terrinha” o Dr. Charles Drew, teria tido um destino diferente. (Para quem não saiba este estudioso descobriu a maneira de impedir o sangue de coagular, permitindo assim que pudesse ser armazenado, o que levou a que milhões de vidas fossem salvas, e morreu vítima de acidente de automóvel porque o hospital para onde foi levado não o recebeu por ser negro.)

E com toda a certeza, nas nossas escolas ensina-se (será?) que foi o negro Mattew Henson quem descobriu o Polo Norte, como o “New York Times” chegou a noticiar, e não o branco Perry a quem, hoje, é dado todo o mérito.

No entanto…

No entanto às nossas crianças passamos, desde o berço, centenas de mensagens subliminares do mais primário racismo.

O bem e o mal são, sempre, identificados com o branco e o preto.

A luz e as trevas.

A fome é negra. A “coisa” (quando corre mal) está preta. Os criminosos andam por caminhos escuros. O mau da fita é a ovelha negra. Os males estão na lista negra. Rir das desgraças é humor negro. Morre-se nas estradas, nos pontos negros. Os maus economistas levam às cifras negras.

O luto faz-se de preto vestido. A poluição é a maré negra. Quando custa atingir um objectivo uma pessoa vê-se negra para lá chegar. Os acidentes dos aviões ficam registados em caixas negras (que por sinal são… vermelhas).

A mulher que assassina o marido, para dele herdar, é uma viúva negra. Em qualquer clube mais restrito os sócios colocam uma bola negra quando votam contra a entrada de alguém indesejado.

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Até na eleição do Papa o fumo negro é a prova de falta de consenso que só o branco faz festejar.

E para que não pensem que quero, com isto, fazer uma campanha negra nada acrescento a este retrato negro da nossa educação.

Só espero que não vendam esta crónica no mercado negro…

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