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R de Racismo

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Sendo psicóloga e terapeuta familiar, com prática clínica há 20 anos, muitas são as vidas que tenho tido o privilégio de conhecer. O meu trabalho permite-me também perceber que, aos olhos do mundo, e mais concretamente, em Portugal, as vidas humanas não merecem todas o mesmo respeito e não são valorizadas da mesma forma.

Sendo mãe, há mais de 10 anos, e tendo duas filhas negras, percebo no quotidiano o meu privilégio branco e o quanto as minhas meninas vão ter de lutar, bem mais do que eu, para realizar os seus sonhos. A sua cor da pele, castanha como o cacau, representa uma clara desvantagem em uma sociedade impregnada de preconceitos e resquícios colonialistas.

Não, não somos brandos e sim, os nossos costumes estão impregnados de racismo. Muitas vezes de um racismo subtil e silencioso, denunciado nos detalhes, nas meias palavras e nas atitudes.

Sai daqui sua preta que este colégio é para branquinhos; Não dou a mão à preta; Então, caíste na chaminé? Vou usar o teu cabelo para esfregar a minha casa de banho; És da cor do cocó; Cheiras mal, a macaco.”

As frases citadas em cima foram proferidas por crianças brancas dirigidas a crianças negras, em anos, recentes, e contextos socioculturais diferentes. São exemplos da perpetuação do racismo, do preconceito e do ódio racial. Sim, as crianças imitam o exemplo dos adultos, neste caso dos seus adultos de referência, racistas.

Não basta denunciar esta realidade, é preciso intervir para a mudança, é preciso educar contra o racismo. Precisamos de pais conscientes desta realidade, de educadores e professores com zero tolerância para toda e qualquer linguagem, atitude e comportamento discriminatório.

Precisamos punir, de forma inequívoca, o racismo! Urge parar de escamotear esta realidade! Urge criar as oportunidades de educação para que as minorias marginalizadas possam também sonhar e realizar! Urge lutar pela representatividade da população negra, em todos os setores da sociedade! Quantos colegas negros teve na faculdade? Quantos chefes, médicos, advogados, psicólogos ou engenheiros negros conhece?

Combater o racismo estrutural exige uma mudança política, económica, jurídica, educacional e da saúde.

O Amor e o pensamento crítico como agentes principais de mudança! Eu acredito!

A luta contra o racismo é uma das causas da minha vida. Não me calarei nunca.

Junte a sua voz à minha! Nunca nos silenciarão!

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