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Quercus alerta para destruição de árvores para obter eletricidade

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Em nota enviada esta terça-feira à comunicação social, a Quercus alerta para o facto de que «a aposta política europeia na utilização da biomassa florestal primária para a produção de eletricidade, para além da crescente contestação social, enfrenta a oposição de um vasto número de cientistas».

Na nota, a Associação Ambientalista refere que «são múltiplos os relatos de perda de coberto arbóreo decorrente da produção de eletricidade, quer dentro do espaço da União Europeia, quer da importação de material lenhoso proveniente dos Estados Unidos, do Canadá, da Rússia e do Brasil.

A alegada utilização de ‘resíduos’ florestais, para queima em centrais termoelétricas ou no fabrico de pellets de madeira, cai por terra quando se colhem registos dos parques de receção de matéria-prima destas unidades.

O facto é que neles predominam, quase exclusivamente, as seções de troncos de árvores (toros). Em todo o caso, os designados “resíduos”, na verdade são sobrantes da atividade silvícola, essenciais à manutenção do fundo de fertilidade dos solos, mais ainda em Portugal, um país de maioria de solos muito pobres em teor de matéria orgânica.»

Em relação a Portugal, a Quercus relembra que «os espaços arborizados em Portugal são, há décadas, vítimas de sobre-exploração.

Os incêndios têm vindo a acentuar a escassez de matéria-prima para suprir a capacidade industrial já instalada, seja no setor silvo-industrial, como no energético (por cogeração, por utilização de biomassa florestal primária em queima em centrais termoelétricas e na por produção de pellets de madeira).

O crescente número de unidades licenciadas para a queima de biomassa ou do fabrico de pellets de madeira, ocorrida significativamente após 2016, tem feito aumentar ainda mais a pressão sobre os recursos arbóreos nacionais. Os impactes nos ecossistemas, sobre a biodiversidade, os solos e os recursos hídricos têm sido muito nefastos.»

Em jeito de balanço, alerta para que «aos impactes sobre os ecossistemas acrescem os riscos da significativa poluição atmosférica e sonora inerentes ao funcionamento das centrais de queima de arvoredo. Veja-se o caso da central do Fundão.

A queima de arvoredo para a produção de eletricidade não produz menos emissões, nem gera menos poluição do que a queima de combustíveis fósseis. Na verdade, a opção pela queima de madeira corresponde a um retrocesso civilizacional, a 1850, ao período pré-industrial.»

 Os alertas sobre corte ‘indiscriminado’ de árvores em todo o país têm  vindo a ser feitos através das redes sociais, nomeadamente com o grupo «Plataforma em Defesa das Árvores», onde são relatados vários casos de cortes das árvores, e também à movimentação de partidos políticos, como Os Verdes, no caso do corte de árvores em Sesimbra, e o PAN, relativamente a abate de árvores em Lisboa.


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