Opinião

Quem nos salva deste SNS?

Uma crónica de Bruno Fialho

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Durante anos, os partidos que fizeram parte do “Governo da Geringonça” (PS/PCP/BE) diziam que queriam salvar o SNS, inclusive, até podiam ter aproveitado uma alegada pandemia para mudar tudo aquilo que era necessário alterar no sector da Saúde em Portugal, pois, entre Março de 2020 e Abril de 2022, o SNS atendeu um número muito inferior de utentes, em relação a anos anteriores.

Infelizmente, na passada quarta-feira, dia 8, um bebé morreu durante a realização de uma cesariana de urgência no hospital do Centro Hospitalar do Oeste, nas Caldas da Rainha.

A razão foi que o serviço de urgência obstétrica do hospital estaria encerrado por falta de médicos.

Todavia, porque a natureza humana ainda não foi mudada, uma mulher grávida, por se encontrar em trabalho de parto, teve de ser admitida, mas a demora ao ser atendida terá levado à morte do bebé.

Isto é inadmissível num país que se orgulha de pertencer à União Europeia! Alguém acredita que na Alemanha, no Luxemburgo ou na Holanda morrem bebés por falta de médicos?

Em comunicado, o Conselho de Administração do hospital refere o seguinte:

“O Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Oeste confirma que no passado dia 8 de junho, a urgência obstétrica do Centro Hospitalar do Oeste teve constrangimentos no preenchimento da escala médica, o que determinou o encerramento da urgência”. “Confirma ainda que se verificou uma ocorrência grave com uma grávida, tendo sido determinada a abertura de um processo de inquérito”.

Assim, já não bastava vermos os adeptos da “ideologia esquerdopata” trabalharem em conjunto com o lóbi LGBT para acabarem com a Família, sendo um dos seus objectivos reduzir o número de nascimentos, também conseguiram arruinar o SNS, mesmo a afirmarem que o queriam defender a todo o custo, conseguindo manter o foco no objectivo deles, que é a redução da população.

Mas não culpo apenas o Governo da Geringonça destes “homicídios” que temos vindo cada vez mais a observar, muitos elementos da classe médica durante dois anos andaram a brincar com a vida das pessoas, defendendo o fecho de serviços hospitalares para manterem a mentira sobre a “fraudemia”.

Todos aqueles que, ao invés de lutar pela verdade e pelo SNS, apenas quiseram ter mais tempo livre e umas férias adicionais, também são responsáveis pela morte lenta do nosso SNS e pelas mortes que aconteceram devido à alegada falta de médicos disponíveis (provavelmente estariam a fazer uma “perninha” no hospital privado), porque as medidas contra o covid-19, alegadamente, os impedia de cumprirem com o seu papel de médicos.

E esta “tempestade perfeita” aconteceu porque há décadas que a classe médica não era idolatrada, como o foi durante os dois últimos anos, mas também porque houve uma enorme redução do esforço de trabalho diário dos médicos, excepto para aqueles profissionais (poucos) que estavam de serviço nas chamadas “enfermarias covid-19”, os quais até tiveram um aumento do volume de trabalho diário.

Depois, também tivemos médicos com transtorno histriônico, que é quando alguém tem a necessidade de ser o centro das atenções, pois estiveram mais preocupados a aparecer diariamente nos programas de televisão a debitar mentiras do que em ser médicos e salvar vidas.

Aliás, na minha opinião, hoje em dia, já existem poucos médicos, o que temos são profissionais de saúde que têm conhecimentos técnicos sobre determinado assunto, porque médicos de verdade, aqueles que observam, conversam e preocupam-se com os doentes, esses, são uma raça em vias de extinção, o que também aconteceu por culpa do governo que resume o SNS a um matadouro com objectivos financeiros que têm de ser cumpridos.

Até é fácil salvar o SNS, mas, mais uma vez, os lóbis da indústria farmacêutica e até o de alguma classe médica não o desejam, uns porque ganham dinheiro a manter as pessoas doentes, outros porque podem perder rendimentos se tiverem de trabalhar apenas no sector público ou se não tiverem a possibilidade de enviar pacientes para serem tratados no sector privado.

Entre hospitais novos sem serem inaugurados há anos, hospitais que há anos não saem do papel e são essenciais para a população de determinado concelho ou distrito, milhares de utentes sem médico de família, médicos a fazer de gestores hospitalares ou o medo de recriar uma lei bases de saúde que defenda a população, nada foi feito em décadas e agora estamos a pagar por isso.

Por último, uma palavra de apreço a António Arnaut, o pai do SNS, que dias antes do seu falecimento nos deixou uma mensagem escrita, da qual deixo aqui alguns excertos:

[…] o nosso SNS atravessa um tempo de grandes dificuldades que, se não forem atalhadas rapidamente podem levar ao seu colapso. E tudo em consequência de anos sucessivos de subfinanciamento e de uma política privatizadora e predadora (…). A destruição das carreiras depois de tantos anos de luta, iniciada em 1961, foi o rombo mais profundo causado ao SNS. Sem carreiras, que pressupõem a entrada por concurso, a formação permanente, a progressão por mérito e um vencimento adequado, que há muito defendo seja igual aos dos juízes, não há Serviço Nacional de Saúde digno deste nome.

A expansão do sector privado, verificada nos últimos anos, deveu-se a esta desestruturação e ao facto de a Lei 48/90 considerar o SNS como um qualquer sub-sistema, presente no “mercado” em livre concorrência com o sector mercantil. […]

É preciso reconduzir o SNS à sua matriz constitucional e humanista. Há agora condições políticas e parlamentares para realizar esta tarefa patriótica e o governo propôs-se fazê-lo.

[…] É preciso reconduzir o SNS à sua matriz constitucional e humanista. Há agora condições políticas e parlamentares para realizar esta tarefa patriótica e o governo propôs-se fazê-lo. […] Aliás, parece verificar-se um amplo consenso nacional sobre a indispensabilidade do SNS, como garante, em primeira linha, do direito fundamental à saúde. […] no final resulte um contributo substantivo em defesa da consolidação do SNS, para que nos 40 anos desta grande reforma possamos todos voltar a ter orgulho no nosso SNS”

Pelos vistos, tal como referi no início, o Governo de Geringonça teve todas as oportunidades para fazer aquilo que o “pai” do SNS referiu antes de morrer, mas os lóbis falam mais alto.

Assim sendo, QUEM NOS SALVA DESTE SNS?


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