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‘Que este dia seja um virar da página na história do Santuário do Cabo Espichel’

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“Este é o primeiro concurso lançado após o confinamento devido ao covid19, e o 24.º do Programa REVIVE” anunciou o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira durante o momento protocolar que assinalou o lançamento do concurso para a concessão do Santuário do Cabo Espichel.

A Igreja de Nossa Senhora do Cabo foi o local escolhido para este momento, onde participaram também Francisco Jesus, presidente da Câmara Municipal de Sesimbra: D. José Ornelas, Bispo de Setúbal e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa; Luís Araújo, presidente do Turismo Portugal; António Mendonça Mendes, secretário de Estado-Adjunto das Finanças e Rita Marques, secretária de Estado do Turismo.

A iniciar as intervenções, Francisco Jesus agradeceu “a todos os que tornaram possível este momento e sobretudo a Felícia Costa, vice-presidente da autarquia e que teve um papel fundamental para chegarmos aqui hoje”.

Invocando a história do Cabo Espichel, que remonta à época pré-histórica, com as pegadas de dinossáurios, até ao importante papel religioso que o Santuário teve, o presidente relembrou também “os alertas que ao longo dos anos foram feitos para evitar a ruína deste espaço, desde 1920 pela Confraria.

Também as obras recentes que o município realizou “na recuperação do aqueduto desde a Azoia, que deixou este equipamento pronto a entrar em funcionamento tal como há 200 anos atrás”.

Para Francisco Jesus, “este programa é muito importante, a recuperação do Santuário será um impulso para o desenvolvimento de Sesimbra mas também de todo o país, mas o investimento terá de respeitar a sua religiosidade e fruição pública. Teremos depois mais um cartão de visita de Portugal para o mundo.

Hoje é um dia marcadamente grande para Sesimbra, saldando desta forma uma dívida que o Estado tem para com o património do nosso concelho.”

«Sinto-me ludibriado»

D. José Ornelas recordou a sua chegada ao Continente em 1969, “quando vinha de barco da Madeira e deparei-me com as luzes dos dois faróis: o do Cabo da Roca e o do Cabo Espichel, e fiquei com um enorme desejo de visitar este espaço.

No entanto, quando aqui cheguei, ia ficando sem respiração pela beleza do local e de tristeza por ver como o santuário se encontrava.”

Invocando o Programa REVIVE que agora permite a concessão privada, considerou que “aquilo que se está a fazer na recuperação do património, virá a dar inspiração para a história que se segue, e manter este espaço para hotelaria é, no fundo, dar continuidade à razão pela qual o santuário foi também construído.”

O Bispo de Setúbal não deixou de criticar o Governo “pelo dinheiro que cobraram à Câmara Municipal de Sesimbra para uma obra que nunca foi feita. Espero que venham a devolver esse dinheiro à autarquia. Da parte da Diocese, sinto-me ludibriado por ter cedido uma ala ao Estado e nada ter ali sido feito até hoje.”

Apesar de tudo, considerou-se “feliz por fazer parte neste processo e espero a presença activa de todas as entidades responsáveis, e que isto seja uma forma de tornar o futuro mais humano e mais digno. Que este dia seja o virar de uma página para este local e para o país.”

Na sua intervenção Rita Marques salientou “a necessidade de, após a pandemia, não voltarmos a olhar o turismo da mesma forma.

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Não só queremos voltar ao que já conhecíamos, há que desconfinar com ambição mas também com a ideia de criar mais riqueza e empregos, preservando o património, o que conseguimos através do Programa REVIVE, com o qual já conseguimos lançar 24 concursos, contando para isso com um trabalho conjunto entre o Estado, as autarquias e os privados, e no caso de Sesimbra, também com a Diocese de Setúbal.”

Os objectivos do REVIVE e o projecto agora concessionado para o Santuário do Cabo Espichel, foram o foco da intervenção de Luís Araújo, seguindo-se António Mendonça Mendes, que destacou as relações entre os ministérios no desenvolvimento do REVIVE, na preservação do património público do Estado “colocando-o ao serviço de todos”.

‘E o dia de hoje é muito especial e irá ficar na memória de todos’

“Ter a oportunidade de participar neste programa é o que mais significado teve para mim enquanto ministro”, destacou Pedro Siza Vieira.

“O recuperar da memória e projectar o futuro para a nova geração é algo de indiscritível. Por isso a nossa preocupação em recuperar edifícios que durante anos estiveram votados ao abandono, colocando a memória ao serviço de Portugal e do mundo, assegurando valor económico, e esse caminho tem vindo a ser feito com uma equipa extraordinária e num trabalho por vezes muito moroso.

Aquilo que começou como um programa, é agora um método de trabalho para preservar elementos da memória, o que demonstra que é possível preservar o passado para assim o integrar no futuro. E o dia de hoje é muito especial e irá ficar na memória de todos.”

Destacando os problemas vividos no sector do turismo durante o confinamento, “o sector que mais sofreu, com perdas na ordem dos 60 por cento em relação a 2019, foi para evitar o seu colapso que o Governo investiu mais de 2.6000 milhões de euros no apoio no reabrir das portas. Estamos a procurar virar a página, com novas prioridades trazidas pela pandemia, que passam pelo apoio ao regresso e ao investimento.”


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