Opinião

Quando é que a saúde será “demasiado grande para falir?”

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Estávamos em 2008, Sócrates era primeiro-ministro e esta história começa a 2 de Novembro, o então Governo anunciava que iria propor ao Parlamento a nacionalização do BPN, devido à descoberta de um ‘buraco’ de 700 milhões de euros, que durante anos foi ocultado do supervisor através do Banco Insular de Cabo Verde, a 5 de Novembro de 2008 a Assembleia da República aprovou a nacionalização do BPN, promulgada a 11 de Novembro pelo Presidente da República. Começava aqui a saga dos “too big too fail”.

Em 2014, as conta do BES revelavam 3,6 mil milhões de euros de prejuízos e punham a descoberto uma série de irregularidades financeiras. Mais: o banco tinha um rácio de solvabilidade abaixo do exigido para funcionar. O banco foi alvo de um processo de resolução, dividido em “banco bom”, o Novo Banco e o “banco mau”, numa primeira fase, o Novo Banco foi capitalizado com 6,9 mil milhões de euros, dos quais 3,9 mil milhões de euros públicos, ainda que através de um empréstimo.

Depois do BES, também o Banif foi alvo de uma medida de resolução. As propostas de compra apresentadas implicavam auxílio do Estado. No âmbito da venda ao Santander, o Estado teve de mobilizar 2.255 milhões de euros, dos quais 489 milhões pelo Fundo de Resolução e 1.766 através de injecção directa do Estado.

Estes processos custaram milhões de euros aos contribuintes portugueses e custarão ainda mais, dado existirem processos a correr nos tribunais, exigindo milhões de euros ao Estado português em indeminizações.

De cada vez que um banco tinha problemas a narrativa era igual, temos de proteger o sistema financeiro, estes bancos são demasiado grandes para caírem, isso seria um desastre para o país. E assim fomos injectando milhões de euros em bancos, e os governantes que fizeram esses acordos a ficarem incrédulos com essas injecções, mesmo quando foram eles a assinar os acordos e a votar a favor de Orçamentos do Estado onde esses pagamentos estavam previstos.

Agora não é um banco mas uma transportadora aérea que precisa de salvação, que é como quem diz, precisa do nosso dinheiro para continuar a funcionar, convém relembrar que a TAP foi privatizada e foi esta maioria que decidiu reverter parcialmente essa privatização e agora prepara a sua nacionalização com o mesmo argumento: “A TAP é demasiado importante para a deixarmos cair” e aqueles que não querem injectar dinheiro público numa empresa que irá necessariamente ter perdas importantes e terá que ser redimensionada é apelidado de “irresponsável” como foi o deputado da Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo pelo Ministro Pedro Nuno Santos, que quando era vice-presidente da bancada parlamentar do PS proferiu as seguintes declarações: “Estou marimbando-me para os bancos alemães que nos emprestaram dinheiro nas condições em que nos emprestaram. Estou marimbando-me que nos chamem irresponsáveis. Nós temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e dos franceses. Ou os senhores se põem finos ou nós não pagamos a dívida” e se o fizermos “as pernas dos banqueiros alemães até tremem”. https://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/quotos_alematildees_que_se_ponham_finos_ou_natildeo_pagamos_a_diacutevidaquot_act Em matéria de responsabilidade estamos conversados.

A actual pandemia teve uma única virtude, demo-nos conta da importância de um sistema de saúde robusto e capaz de responder às necessidades das populações, e percebemos a importância de ter profissionais de saúde de qualidade e com os meios necessários a poderem desempenhar com dignidade o seu trabalho.

O ministro Pedro Nuno Santos pode achar que o país não se pode dar ao luxo de perder a TAP, eu continuarei a defender que a população da margem sul do Tejo não merecia ter perdido a urgência pediátrica depois das 20 horas e aos fins de semana, que a população e os profissionais de saúde em Setúbal  mereciam um Hospital requalificado e que a população do Seixal merecia o Hospital que lhes é prometido há décadas por governos socialistas.

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