Opinião

Quais as expectativas para o novo ano lectivo?

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Habitualmente todos os sectores ligados à educação iniciam bem cedo os preparativos para o cada ano lectivo, em todos os níveis de ensino e com preocupações ora em comum ora muito específicas para cada um dos actores do circuito educativo: alunos, pais, professores, auxiliares de acção educativa, funcionários administrativos. E este ano surge uma preocupação adicional herdada já do final do ano lectivo anterior: como gerir o ensino em todos os seus cambiantes face às necessárias medidas de segurança a cumprir perante a pandemia de corona vírus que teima em não nos deixar em paz? O que podemos esperar? Estamos preparados para tudo o que possa surgir? E os alunos, afinal são eles os destinatários de todo este sistema de ensino, estão preparados para mais desafios constantes? E os pais? E os professores? E as nossas escolas em geral? E as editoras de manuais escolares?

A polémica começou cedo, com uma falha colossal e sérias dificuldades no acesso e concretização dos processos de matrícula que, inicialmente se pretendiam única e exclusivamente electrónicos a nível nacional com o nobre propósito de facilitar a vida a pais e administrações escolares, e ainda para evitar a afluência em massa às secretarias o que constituiria um potencial alargado de risco de contágio. Mas não correu bem, como é apanágio tantas e tantas vezes nas plataformas do Estado (e isto sabem todos aqueles que, por dever de ofício diariamente lidam com plataformas informáticas do Estado), o Portal da Matrícula causou crises de ansiedade em muitos Encarregados de Educação e fez perder horas a muitos outos pela madrugada fora. Existem ainda alunos a regularizar os procedimentos de matrícula mediante marcação presencial nas escolas.

Questão não menos polémica é a determinação de uma distância mínima de segurança entre os alunos nas salas de aula correspondente a um metro (se houver condições, diz a DGS, e se não houver questionamos nós cidadãos?) e estando já legislado o uso obrigatório de máscara durante as aulas presenciais para todos os alunos a partir do segundo ciclo do ensino básico torna-se legítimo questionar se os tempos lectivos terão a mesma duração: ou seja, 90 minutos dentro de uma sala de aula, como sucede a partir do terceiro ciclo, sem interrupção no uso de máscara? E a rebeldia própria das crianças e adolescentes vai aceitar esta regra sem questionar, sem testar limites? Assumir que tudo vai correr na perfeição, com normas cumpridas à risca é desconhecer por completo o normal funcionamento de crianças e adolescentes em idade escolar.

Muitos pais e mesmo alunos manifestam neste momento sérias reservas e mesmo um justificado receio quanto ao regresso às aulas em formato presencial, todavia, também se reconhecem falhas no funcionamento do ensino à distância, nomeadamente, houve problemas de segurança em algumas plataformas informáticas com ataques de hackers, com perturbações que passaram pela supressão de som ou imagem durante as aulas online via Teams devido a habilidades informáticas de desestabilização num exercício de pequeno terrorismo informático promovido por amigos de alunos, ao que se soube.

Compreendo e comungo dos receios de pais e alunos quanto a aulas presenciais, e parece-me que o mais sensato é que todas as hipóteses estejam sobre a mesa. Pode haver necessidade total ou parcial e localizada de aulas à distância, urge limar arestas, motivar os alunos para estas novas realidades mas transmitir-lhes confiança e a sensação de motivação e apoio constantes que lhes permitam aderir facilmente aos novos métodos de ensino. Exige-se a toda a comunidade escolar um esforço reforçado de resiliência e adaptação rápida a novos métodos de trabalho, e deve ser potenciada a autonomia no estudo e a criação efectiva de métodos de estudo autónomos mas passíveis de avaliação e orientação mesmo que à distância.

É um novo mundo, estamos a exigir métodos de ensino próprios do nível universitário a alunos muito jovens, com naturais diferenças individuais em termos de maturidade, estruturas de apoio socio-familiar, acesso às novas tecnologias (já se parou para pensar numa solução para que todos os alunos tenham acesso à internet e a meios de comunicação à distância compatíveis com o uso de plataformas de ensino: no mínimo um telemóvel, mas mais desejável seria mesmo um tablet ou computador), mas não tenhamos ilusões, a pandemia está longe do fim e não podemos accionar o modo standby nas nossas vidas, por muito cómodo que nos fosse, vamos mesmo ter todos de reaprender a viver neste nada admirável mas estranhíssimo e hostil novo mundo.

E quanto à supervisão parental? Como se pode ajudar os pais a ajudar os filhos? Não será de considerar a mobilização de forças locais, como autarquias, colectividades, IPSS, empresas e voluntários anónimos que tenham meios, disponibilidade e estejam predispostos para aprender a ajudar a aprender?

Também a indecisão, a incerteza, o desconhecimento do futuro imediato assusta todos os agentes envolvidos no sistema de ensino. Não sei como vai correr o novo ano lectivo, mas de algo tenho a certeza, todos nós vamos ser forçados a aprender algo de novo perante estas novas necessidades que se vislumbram no horizonte de uma dura e cruel mudança!

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