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Opinião

Qatar rima com Matar!

Uma crónica de Bruno Fialho.

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Todos já sabemos que o futebol é considerado o ópio do povo, mas numa altura em que a União Europeia aplica sanções a um determinado país como “o Diabo esfrega um olho”, parece-me, no mínimo, estranho que seja passivamente aceite vir a ser realizado um Mundial de Futebol num país onde os Direitos Humanos são diariamente violados.

Só posso crer que as pessoas andam “drogadas” com esse ópio, para nada dizerem contra o Qatar ou sobre as violações dos Direitos Humanos cometidas por aquele país.

Provavelmente a vida dos trabalhadores que morreram a construir os estádios de futebol no Qatar e que vieram da India, do Paquistão, do Nepal, do Bangladesh ou do Sri Lanka, valem menos do que as vidas de outros que nasceram noutros países.

E o que dizer sobre as 100 chicotadas que são aplicadas a quem cometer adultério no Qatar, que pode ser convertido em pena de morte, se estiverem envolvidos uma mulher muçulmana e um homem não muçulmano, e que passam ao lado das associações que se dizem defensoras dos direitos das mulheres.

Todavia, considero ainda mais surreal que essas associações tenham conhecimento que caso uma mulher, nacional ou estrangeira, seja violada no Qatar, ou vai presa ou é morta, porque imediatamente o Tribunal condena-a pelo crime de adultério e o violador pode ficar “autorizado” a cometer novas violações e continuam perpetuamente em silêncio.

E por falar em associações que se calam perante o ataque àqueles que dizem defender, ainda não consegui ver ou ouvir aquelas que se arrogam titulares de metade das letras do abecedário a insurgirem-se contra o país organizador do Mundial deste ano, o qual aplica a pena de morte a quem for homossexual e acusado de sodomia.

Mas voltando aos trabalhadores que construíram os estádios do Mundial do Qatar, que na verdade são escravos, parece-me que poucas pessoas se importam com o facto deles auferirem salários mais baixos do que o prometido (chegando, em alguns casos, a metade), com atraso de vários meses no pagamento dos mesmos, tenham o confisco dos seus passaportes, que trabalhem até 80 horas por semana sob temperaturas de 50ºC, tenham alojamentos precários e superlotados e sejam ameaçados em caso de reclamação sobre as condições de trabalho.

Foi este cocktail de violações aos Direitos Humanos dos trabalhadores que foi o responsável pela morte de 6,5 mil pessoas desde o início das construções dos estádios do Mundial de futebol.

Só para terem um dado comparativo, a ONU contabiliza até ao momento 1.104 civis mortos na guerra da Ucrânia, ou seja, no Qatar já morreram seis vezes mais pessoas a contruírem 8 estádios de futebol!!!

Provavelmente a consciência das pessoas é muito selectiva, pois ainda não vi uma manifestação que fosse ou bandeiras nos perfis das redes sociais para afirmarem ser contra o Mundial vir a ser realizado no Qatar.

Será que a embaixada do Qatar em Portugal é um apartado dos CTT? Esclareço que não é, pois fica numa moradia no Restelo, em Lisboa.

Da mesma forma, os governantes europeus devem explicar por que razão ficam calados perante estas violações dos Direitos Humanos, ou então temos de presumir que deve ser verdade as acusações de suspeitas de corrupção, segundo as quais o governo do Qatar teria despendido uma verba a rondar os 880 milhões de euros para comprar votos a favor da sua candidatura, 21 dias antes do anúncio oficial da FIFA, realizado em novembro de 2010.

A hipocrisia das pessoas não me deixa de surpreender, principalmente quando falamos de Direitos Humanos, pois, há muito que já percebi que para muitos há Humanos e humanos….

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É por isso que eu digo que: Qatar rima com matar, mas ninguém se importa com isso.


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