Opinião

Presos nas redes (sociais)!

Uma crónica de Isabel de Almeida.

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Se já vinha sendo uma tendência há alguns anos, a presença e o tempo de permanência nas redes sociais, com especial destaque para o Facebook e Instagram em termos de popularidade, mostra-se em crescendo de evolução, desde logo porque estas já mesmo verdadeiras extensões virtuais dos pontos de encontro clássicos em formato presencial que correspondiam a cafés, pastelarias, esplanadas, salas de espera de consultórios, jardins ou outros espaços públicos onde as pessoas perdiam algum tempo a conversar ou, num formato mais intimo e pessoal, das salas das nossas próprias casas ou dos gabinetes em centros de escritórios ou empresas.

Todos estes cenários de reunião presencial constituem assumidamente o pano de fundo tradicional para um verdadeiro clima de intriga palaciana, de “disse que disse”, do “ainda não sabias?!”, do “não sei como ele conseguiu chegar tão longe sendo tão incompetente!”, do “contaram-me no outro dia que… e foi fonte segura!”

Agora, numa interpretação e representação mais actualista da realidade muitos destes fenómenos ocorrem nas redes sociais, ou conversas públicas onde podemos até esquecer que estamos expostos aos olhos atentos do restante mundo virtual e não apenas em amena cavaqueira com os nossos amigos ou familiares. Claramente seria um exercício muito interessante percorrer as caixas privadas de mensagens das redes sociais, pois ali encontraríamos a intriga e coscuvilhice que antes sucediam presencialmente.

Estejamos atentos e não baixemos a guarda face ao que publicamos e conversamos publicamente com o nosso grupo de amigos. Cautela com amigos virtuais ou pessoais que podem nem sempre andar pelas nossas redes com a melhor intenção que aparentam ter.

Uma foto, uma citação, um desabafo tudo pode ser usado contra nós para promover campanhas de homicídio social ou mesmo profissional, para julgamentos de carácter, para especulações e daqui aos boatos maledicentes e destrutivos vai um pequeno passo. Logo somos rotulados, devassados, mal interpretados, ofendidos e julgados com base num simples desabafo, por exemplo. Também a informação que partilhamos, seja esta da mais diversa ordem, pode dar origem prontamente a meras suposições que se transformam para estranhos ou próximos em crenças de verdades absolutas, à formação de juízos de valor precipitados e negativos e a um julgamento social em praça pública virtual que pode ser desagradável e que, em última análise, pode mesmo redundar em ofensas graves e atentados ao bom nome, honra e consideração de utilizadores mais ingénuos das redes sociais.

Se ainda pudessem existir dúvidas quanto a este facto, a verdade é que uma exposição demasiado espontânea e íntima nas redes sociais e a partilha de estados simples expressões de estados de alma é prontamente escrutinada e devassada por verdadeiros serviços de espionagem virtual que estão melhor organizados que muitos serviços oficiais de informação.

Nos tempos que correm, mesmo em termos profissionais, é especialmente perigosa a exposição e as redes sociais chegam mesmo a ser usadas como instrumento de pressão, bullying, e denuncia caluniosa e há quem se dê ao trabalho de criar perfis falsos para causar sérios prejuízos a colegas de trabalho, por exemplo.

A prática de crimes contra a honra (injúria e difamação) é bastante frequente e na maioria das vezes passa incólume. Mas especialmente perigosos são os inimigos silenciosos que passam horas nas redes sociais sem dar nas vistas a fazer prints de écrans e a enviar metodicamente os mesmos para criar problemas a cidadãos incautos e de boa-fé.

Dizem as boas práticas de uso da internet e redes sociais em concreto que quanto menor for o número de amigos virtuais, quando mais protegidas estejam as publicações de cariz privado ou mais pessoal menos problemático pode ser este contexto para os utilizadores. A espontaneidade e o impulso podem pagar-se caros neste novo mundo nem sempre maravilhoso mas antes perigoso.

Cada vez que pensar em partilhar algo com o mundo cibernético pondere bem, avalie os prós e os contras, a verdade é esta: big brother is watching you!  E temos mais quem nos queira mal do que bem!

Não se deixe prender nestas redes que são a versão moderna da Corte dos Tudor!

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