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Presença de Cinha Jardim em evento do Chega gera mal-estar na comunidade LGBT

Vários grupos LGBTIQA+ têm vindo a manifestar a sua preocupação com o crescimento do nacionalismo e da direita em Portugal.

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André Ventura juntou 450 apoiantes no jantar-comício deste sábado em Almada. Entre estes, encontravam-se a atriz Maria Vieira, Mandatária Presidencial de André Ventura junto das Comunidades Portuguesas, e a socialite Cinha Jardim.

“Agradeço à Cinha Jardim a presença, ontem à noite, no jantar comício do Chega no distrito de Setúbal”, escreveu André Ventura no Twitter. O líder do Chega disse, na mesma rede social, que “pouco a pouco, as figuras públicas” estão a perceber a “necessidade fundamental do CHEGA em Portugal”.

As críticas foram praticamente imediatas, principalmente nas redes sociais. A página LGBTIQA+ ‘esQrever‘ recordou que Cinha Jardim se referiu na TVI, em 2018, a dois homossexuais como “paneleirotes” e que esse termo era considerado “carinhoso”.

A mesma página lembra ainda que a figura pública também hesitou, na altura, em proferir a palavra “lésbica”, acrescentando “para não dizer outra coisa”.

Pedro Frazão, militante do partido, confrontado com a presença de Cinha Jardim no evento, respondeu a outro usuário no Twitter que ela “teve a bravura e a coragem de, sendo figura pública, mostrar o seu apoio” ao candidato à Presidência, “sem medo do #Cancelem_X” (Cancel culture, ou cultura do cancelamento, que visa bloquear a atividade de figuras públicas ou influencers nas redes sociais, não lhes dando feedback ou seguimento às suas contas e publicações).

No discurso de ontem, num espaço com vista para Lisboa, André Ventura apontou para a capital, dizendo: “Um dia, nós entraremos ali [no Parlamento], para conquistar este país”.

Vários grupos LGBTIQA+ têm vindo a manifestar a sua preocupação com o crescimento do nacionalismo e da direita em Portugal e temem, com uma eventual chegada ao poder, a revogação de alguns direitos que esta comunidade adquiriu, principalmente na última década.

Por isso, vêem com apreensão a ligação de pessoas influentes com partidos que se alinham à direita no espectro político.

Contudo, segundo o último relatório anual do Observatório da Discriminação em função da orientação Sexual e Identidade de Género, apesar de durante o ano de 2019 terem aumentado as denúncias feitas pelas próprias vítimas, manteve-se a tendência decrescente nos crimes de motivação homofóbica.

O Observatório é uma iniciativa da ILGA Portugal e visa recolher dados sobre incidentes/crimes discriminatórios contra pessoas lésbicas, gays, bissexuais, trans ou intersexo (LGBTI+) e/ou contra pessoas percecionadas como sendo LGBTI+.

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