Opinião

Preconceito é querer asfixiar os outros com os nossos (pré)conceitos

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Inicia-se esta semana uma colaboração de Pedro Cavaco com artigos de opinião sobre vários temas.

Inicio aqui a minha participação no Diário do Distrito. Quero antecipada e publicamente dirigir, como nota prévia, uma palavra de apreço à Direcção e, de modo particular, à Dra. Carmo Torres.

Há dias atrás escrevi um texto no Blogue Política XXI com o título Lembram Lord Voldemort? Remeto para esse texto e, no presente escrito, irei dar-lhe sequência. Se naquele aludi à censura que nos tempos ditos modernos – paradoxo – estigmatizam quem ousa divergir do que alguns pensam e escrevem, neste aludo a algo mais sofisticado, a caricatura que algumas pessoas com relevo na opinião pública fazem dos primeiros estigmatizados.

No programa Governo Sombra, Ricardo Araújo Pereira, chamou de palerma a Bruno Vitorino. Na opinião publicada, Daniel Oliveira usou o espaço da sua coluna no Expresso para, em texto escrito, escrever que Bruno Vitorino é um cretino, mas é um cretino com imunidade parlamentar. Na rede social Twitter, Fernanda Câncio escreveu que Bruno Vitorino pertence a uma tipologia de pessoas que não deviam poder adoptar porque tal seria arriscar que a eventual adoptada sofresse gozo na escola por ter um pai alarvemente preconceituoso.

Vieram assim estes notáveis adocicar ainda mais o ambiente em que Bruno Vitorino se viu mergulhado depois de uma publicação (eliminada no Facebook por denúncias de quem, quais polícias do pensamento, não toleram o que lhes é contrário), uma queixa na CIG por duas deputadas do BE e uma série de dizeres ofensivos gratuitos.

Quem leia ou ouça estas pessoas pensa que nestes tempos ditos modernos só há espaço para um pensamento, um caminho, um conceito e tudo quanto deles derivar. O resto será de rejeitar e, podendo, erradicar.

Todavia, pensar que estas pessoas são o rosto do pensamento moderno é tão errado quanto risível. Na verdade, ainda somos livres de pensar e escrever por mote próprio, sem ir a reboque de agendas ou lobbies, venham donde vierem.

O que se lastima além da estigmatização é a ofensa gratuita à pessoa alvo, achincalhando-a a coberto de uma pseudo liberdade de expressão a qual, àquela, não foi permitida. Porque se fosse, não teria havido o que houve nem o deputado Bruno teria sido adjectivado elegantemente de alarve preconceituoso, palerma ou cretino, algo que revela a classe de cada um.

Quase que somos obrigados a pensar que hoje em dia para se ser moderno – essa ambição de tantos – temos de andar em rota única e sintonizados ao cardápio pré-definido.

Desenganem-se! O “package” que nos querem vender está gasto, é absolutamente delimitador, incoerente e só os mais incautos não o percebem.

Mais. Na minha opinião, tais impropérios – se o visado se considerar ofendido – resolvem-se em tribunal com apresentação da respectiva queixa e, quiçá, pedido de indemnização civil. Ao fim e ao cabo, como escrevi há dias noutro fórum, há pessoas que se metem a jeito de uma maneira tal que até dá pena não lhes satisfazer a vontade.

De uma coisa tenho certeza, sentiram-se acossados e tal implica dar mérito – ainda mais – ao deputado Bruno Vitorino.

Não Fernanda, preconceito é querer asfixiar os outros com os nossos (pré)conceitos, sociais ou outros.  Quando nos queremos a legislar da cátedra sobre o que se deve ou não dizer, se deve ou não escrever, estaremos a delimitar a liberdade de terceiros. Depois, qual paradoxo, defende-se eximiamente a liberdade a propósito de uma qualquer vicissitude ou acontecimento que mereçam o nosso sempre ambicionado comentário.

Aparte, um parágrafo dedicado ao Movimento 5.7 que, no Sábado, será apresentado em Belém, no Espelho d’Água. Conto estar presente. Trata-se de um Movimento “cívico” cujo rosto é o deputado Miguel Morgado, do PSD, e que junta dirigentes do PSD, CDS, Aliança e independentes. O nome é alusivo ao dia em que foi assinada a Aliança Democrática, a 5 de Julho de 1979.

Pedro Guerreiro Cavaco

Escreve à Quinta-Feira e de acordo com a anterior ortografia


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