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Portugueses estão a comer demais (e Governo pode ter de intervir)

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Os portugueses estão a comer o dobro do necessário e de forma desequilibrada, alertou esta sexta-feira a Ordem dos Nutricionistas, depois de serem conhecidos os resultados da ‘Balança Alimentar 2016-2020’ do Instituto Nacional de Estatística.

O estudo conclui que o aporte calórico médio diário aumentou face à última análise (2012-2015) e que «representa duas vezes o valor recomendado para um adulto com um peso médio saudável» e ainda devido ao confinamento em 2020 «foi registado um ligeiro decréscimo do aporte calórico e um aumento da inatividade física».

Os grupos de produtos alimentares com maiores desvios em 2020, face ao consumo recomendado pela Roda dos Alimentos, foram, por excesso, a carne, pescado e ovos, mais 11,9 pontos percentuais, contra 11,4 p.p. em 2016, enquanto por defeito foram os frutos, menos 4,7 p.p., e os hortícolas, menos 8,6 p.p, que compara com -6,5 p.p. e -7,2 p.p. em 2016, respetivamente, segundo a Balança Alimentar Portuguesa (BAP) 2016-2020, esta sexta-feira divulgada.

A BAP conclui que “as disponibilidades alimentares para consumo continuam a evidenciar «uma oferta alimentar excessiva e desequilibrada», alertando que «o aporte calórico diário médio disponível para consumo por habitante neste período foi de 4.075 calorias», superior às 3.954 calorias registadas em 2012-2015.

O consumo diário de café, cacau e chocolate tem vindo a subir há mais de dez anos, atingindo, em média, 25,8 gramas diárias por habitante,

Também se registou um aumento das quantidades diárias disponíveis per capita de bebidas alcoólicas, atingindo, em média, 110 litros anuais por habitante, refletindo um aumento de cerca de 14% face a 2012-2015, das quais 47,9 l/hab/ano de vinho e 57,6 de cerveja.

Em trajectória descendente está o consumo de óleos e gorduras, reduzindo-se em 2,2%, bem como os açúcares adicionados que totalizaram 83,7 gramas diárias por pessoa, decrescendo 3,2%.

Perante este cenário, que a Ordem dos Nutricionistas considera «assustador», foi pedida «a ação urgente ao Governo para que a política interministerial de promoção de uma alimentação saudável tenha mais ritmo e intensidade para acabar com as escolhas erradas que têm resultados nefastos para a saúde dos portugueses».

Algumas medidas que a ON pretende ver implementadas são a redução de consumo de refrigerantes e o reforço da liderança do consumo de água, «intensificados pela Assembleia da República e pelo Governo a quem se exigem ações imediatas pela saúde de todos nós», reforça a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, em comunicado.

Outro aspecto é a necessidade de um «estudo alargado ao estado de saúde dos portugueses no período pós-pandémico, nomeadamente através de uma avaliação do estado nutricional da população portuguesa».


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