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PCP critica sanções e ‘lógica de confrontação’ da NATO na guerra na Ucrânia

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O PCP publicou uma declaração de João Ferreira, apresentada em conferência de imprensa esta segunda-feira, na qual demonstra a posição do Partido perante a Cimeira da NATO e a reunião do Conselho Europeu.

Para o PCP «as decisões suscitam fundadas preocupações e inserem-se na lógica de confrontação que, nos planos político, militar e económico, está a marcar a evolução da situação na Europa e no mundo».

Sobre a guerra na Ucrânia «uma guerra que não deveria ter começado e a que urge pôr termo» nas palavras de João Ferreira, tem de contar com «o desenvolvimento de iniciativas e medidas que possibilitem um cessar-fogo, uma solução política do conflito, a necessária resposta aos problemas comuns de segurança na Europa, do desanuviamento e do desarmamento, o respeito pelos princípios da Carta da ONU e do direito internacional, em particular da Acta Final da Conferência de Helsínquia».

O PCP volta a apelar ao «diálogo e à paz, olhando às causas do conflito, e não alimentar e instigar uma escalada de consequências imprevisíveis» e considera que «ao contrário do que se impunha, as conclusões do Conselho Europeu, alinhadas com as conclusões da Cimeira da NATO – algumas das quais há muito delineadas –, apontam precisamente no sentido da política de confrontação que está na origem da grave situação actual».

O PCP acusa as entidades de «em vez de esforços para o desanuviamento e para parar a guerra, as medidas aprovadas são objectivamente de sentido contrário; insiste-se num reforçado impulso belicista, com meios e contingentes militares no continente europeu, mobilização de centenas de milhar de tropas (de países europeus membros da NATO, mais de 100 mil norte-americanos) e diversos meios militares terrestres, aéreos e marítimos da NATO no Leste da Europa, do Mar Báltico ao Mar Negro, numa presença sem precedentes nesta região».

João Ferreira considerou que «a presença da NATO no Leste da Europa é parte do problema, nunca será parte da solução. Não se promove a paz e a segurança com confrontação, com ameaças, com propaganda de guerra, nem com sanções.»

E as críticas são também para o Conselho Europeu «cujas conclusões evidenciam o seguidismo da União Europeia face aos Estados Unidos da América e aos seus interesses, sacrificando os interesses dos países da Europa, com um impacto brutal no aumento do custo de vida, no quadro da política de imposição de sanções, que em Portugal e por toda a Europa está a servir para aproveitamentos vários, bem patentes na acção de grupos económicos que fomentam a especulação, oneram fortemente os trabalhadores e as populações e atacam direitos laborais e sociais. Infelizmente, esta realidade não mereceu nem uma palavra do Conselho Europeu».

O PCP defende nesta posição que «a escalada armamentista, a política de sanções económicas, comerciais, financeiras, culturais e desportivas, a deriva autoritária e de imposição do pensamento único não servem a causa da paz, nem os interesses dos povos.

Servem, como já é evidente, os lucros da indústria de armamento, o complexo militar-industrial, cuja capitalização em bolsa bate recordes por estes dias; servem os que se aproveitam das sanções para aumentar lucros; servem os beneficiários directos do redireccionamento da dependência energética de diversos países na União Europeia, nomeadamente os EUA, em especial no que toca aos combustíveis fósseis e, em particular, ao gás – com soluções mais caras e de maior impacto ambiental, deixando a nu a hipocrisia subjacente às propaladas preocupações ambientais da União Europeia; servem, também, para alimentar o crescimento de concepções reaccionárias, antidemocráticas e fascizantes.»

Também o «aumento brutal dos custos com a energia» foi abordado pelo deputado: «deve sublinhar-se que o Conselho Europeu mantém intocados os aspectos essenciais do status quo nos mercados da energia: a liberalização, privatização e segmentação do sector, que decompôs custos de produção que foram transferidos para os consumidores finais; e uma metodologia de fixação de preços nos mercados grossistas que é responsável por diferenciais brutais entre os custos na produção e os preços ao consumidor, assegurando enormes margens de lucro aos grupos oligopolistas privados» e exige «a implementação de medidas que promovam a produção nacional, criando emprego com direitos, atenuando défices produtivos, substituindo importações por produção nacional, nomeadamente no plano alimentar, diversificando relações económicas, diminuindo os desequilíbrios da balança comercial e a dependência externa do país».


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