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Pai de Jéssica pede indemnização de um milhão de euros e ‘bruxa’ Tita diz que mãe da menina “está a mentir”

Julgamento prossegue no Tribunal de Setúbal.

O julgamento do caso da morte de Jéssica está a entrar na recta final e esta quinta-feira de manhã foram ouvidas as testemunhas chamadas pelo único assistente do processo, o pai da criança de três anos que morreu em Junho de 2022 com mais de 100 hematomas na cabeça, e ainda a ama da menina, Ana Pinto (também conhecida por ‘bruxa’ Tita), acusada dos crimes de homicídio qualificado consumado, rapto, rapto agravado e coacção agravada, violação agravada e tráfico de estupefacientes agravado, e que quis prestar declarações para rebater as acusações da mãe da criança.

Vamos por partes. Ao início da manhã, o tribunal de Setúbal ouviu uma testemunha do pai de Jéssica, que disse ter visto a menor por três vezes na companhia das arguidas Ana Pinto e Esmeralda Pinto Montes. Joaquim José Milho disse que as três vezes que viu Jéssica acompanhada pelas duas mulheres foi na semana anterior à morte da criança. Ainda segundo esta testemunha, da primeira vez que viu a criança, acompanhada pelas arguidas, esta estaria a caminhar normalmente. Já da segunda vez, a criança estaria contrariada, sendo que na terceira e última vez Jéssica já ia com “um chapéu na cabeça, com óculos e chorava, não querendo acompanhar as duas mulheres”.

A meio da manhã, uma das advogadas do processo revelou também aos jornalistas que o assistente Alexandrino Biscaia, o pai de Jéssica, terá pedido uma indemnização de um milhão de euros, sendo 800 mil pela morte da filha e 200 mil pelo desgosto que sofreu.

Segundo informações de outro advogado do processo, caso seja atribuída a indemnização, e tendo em conta que os arguidos não têm meios para pagar um montante tão elevado, poderá ser accionado o “fundo de garantia da vítima”, sendo que o limite máximo pago por este organismo, segundo disse, “é de pouco mais de 36 mil euros”.

“Esta senhora está a mentir”

Antes da pausa de almoço, a arguida Ana Pinto (a ‘bruxa’ Tita) também decidiu falar, depois do presidente do colectivo de juízes ter feito um resumo das declarações prestadas ontem pela mãe de Jéssica, sem a presença dos restante arguidos.

“Esta senhora está a mentir”, afirmou Tita, sendo imediatamente advertida pelo juiz, que lhe lembrou que não tem de comentar o que foi dito pela outra arguida.

A seguir, a ama da menina afirmou: “Jéssica esteve uma vez na minha casa, juro pela minha rica saúde. Ela pediu-me para ficar com a filha porque ia sair. Isto foi num domingo, antes da morte. Eu estava a comer – só estava eu e a miúda – e disse-lhe: ‘Jéssica, põe-te quieta’. Ela deu um pulo da cadeira para cima do cadeirão e ouvi um estouro. Foi quando ela caiu. Não foi porque tivesse feito mal à miúda”.

Interrogada sobre quando é que Jéssica saiu de sua casa, Tita disse que foi no sábado e garantiu que “a menina estava bem”. Segundo a arguida, no dia em que Jéssica terá caído, ligou a Inês Sanches para lhe contar o sucedido: “Disse-lhe: vem porque a miúda caiu e eu vou contigo ao hospital. A Inês disse-me que não ia. Só ia no dia seguinte. Eu entreguei a miúda viva. O que ela fez ou não, não sei. A miúda não foi morta, foi viva. Se morreu, a mãe é que sabe”.

Para esta tarde estão agendados os testemunhos de dois médicos do INEM e ainda uma segunda ronda de perguntas a Ana Pinto.


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