Atualidade

Ossos partidos e lesões cerebrais levam PRP a solicitar legislação para trotinetas

O aumento de fracturas em tornozelos, rosto e costelas, além de lesões cerebrais levaram mesmo os médicos da capital finlandesa, Helsínquia, a pedir a proibição de trotinetas elétricas no início do verão de 2021, quando verificaram que a causa estava no uso dos veículos elétricos.

Em Portugal o alerta parte de alguns dos maiores centros hospitalares de Lisboa e do Porto, onde se registou um aumento de vítimas de acidentes de trotineta elétrica, muitas vezes em estado grave, nomeadamente com lesões cerebrais e a precisar de cuidados intensivos.

O Centro Hospitalar de Lisboa Central, que integra o Hospital de São José, recebeu no último semestre uma média mensal de 31 casos graves de acidentes com trotinetas e bicicletas a requerer internamento e cirurgia.

Perante este problema, a Prevenção Rodoviária Portuguesa irá apresentar ao Governo uma proposta de regulamentação que prevê, por exemplo, reduzir a velocidade máxima permitida de 25 para 20 km/h, descendo até aos 6 km/h nas zonas pedonais.

As propostas incluem ainda a obrigatoriedade da utilização do capacete bem como o seguro obrigatório para todos os utilizadores e a proibição da utilização destes veículos por menores de 14 e 16 anos, consoante circulem nas ciclovias ou nas restantes vias.

À medida que a compra e o uso de trotinetas continuam a crescer significativamente em toda a Europa, vários governos olham novamente para as regras que regem a sua utilização.

No seu site, a PRP cita vários médicos, como Carlos Nascimento, Director médico do Hospital Egas Moniz e chefe de equipa de Cirurgia Geral do Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa.

«O número de acidentes provocados por quedas de trotineta está a crescer bastante. Temos recebido vários casos, que resultaram não apenas em fraturas dos membros e dos punhos mas também, com frequência, em traumatismos crania­nos graves e muito graves, porque as pessoas caem completamente desamparadas e batem com a cabeça sem nenhuma proteção. Já tivemos vários casos em cuidados intensivos, sobretudo de jovens e turistas.»

Também João Varandas Fernandes, Coordenador do Centro de Responsabilidade Integrado de Traumatologia Ortopédica de Lisboa Central, indica que «predominam as fraturas múltiplas e complexas, que são reveladoras da violência das quedas e em 25% dos casos há traumatismo cranioencefálico».

Também no Porto se regista uma subida acentuada deste tipo de ocorrências.

«Temos recebido casos bastante graves de acidentes com trotinetas e bicicletas elétricas, que resultam em traumatismos cranioencefálicos com necessidade de internamento em cuidados intensivos. Como têm as rodas pequenas, as trotinetas são pouco estáveis. Uma pequena pedra pode ser suficiente para provocar uma queda com consequências irreversíveis, uma vez que não se usa capacete», explica Alfredo Calheiros, Diretor do serviço de Neurocirurgia do Centro Hospitalar do Porto.


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