Opinião

Os que do pão retiram o seu pão

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Vivemos tempos de grande dificuldade. Se existem áreas de negócio que têm conseguido manter a sua atividade, de forma mais ou menos remota, ou criar forma de transacionar bens que permitem mitigar os volumes de perda de faturação, há outras que não o podem fazer.

O grande problema e o grande sinal de alerta é que são as atividades de maior relevância e que têm permitido um crescimento económico do país, bem como um crescimento do número de empregos, que mais se têm ressentido de maior quebra de volume de vendas.

As áreas do turismo, do alojamento e o canal HORECA têm sofrido quebras de volume de negócio nunca vistas, em muito superiores aos anos de 2012/2013 aquando da última grande crise financeira.

A atual crise não é de todo apenas de índole financeira. É também, por um lado motivada pelo receio dos seus utilizadores e por outro, por constrangimentos legislativos vários, que têm promovido um caminho decadente numa área de negócio que já perdeu cerca de 49.000 postos de trabalho, dos cerca de 350.000 empregos que garantia no início desta crise pandémica.

O sector procurou adaptar-se às obrigações a que todo este enquadramento obriga, quer em redução da sua lotação, no cumprimento das normas de higiene a que estão obrigados, quer, diria até eticamente, pelo número reduzido de elementos que podem estar juntos a uma mesma mesa. Custa a entender que estes espaços não possam laborar, que se encontrem impedidos por lei de trabalhar, e se é a lei que os impede, deverá ser também a “lei” a permitir um apoio decente e sério para que não fechem portas definitivamente.

Existem já estimativas que uma descida do IVA para 6% nesta área permitiria salvar cerca de 35.000 a 40.000 postos de trabalho (medida esta a que devia ser somada uma redução da TSU e um não pagamento de PEC em 2021), que, sendo destruídos, somariam aos 49.000 já destruídos. Esta medida foi, de resto, adaptada pela Alemanha, país com finanças saudáveis e equilibradas que tem conseguido com algumas medidas suportar a economia, para que, no pós-pandemia, ainda exista tecido económico e empresarial e, consequentemente, um país para abrir a porta. De outra forma, poderemos terminar a pandemia sem qualquer tecido económico relevante para a necessária recuperação.

Posto isto, e para que a recuperação suceda e seja tão mais rápida quanto possível, há que ter especial atenção às exportações. E que peso tem o turismo nas exportações deste país! Teremos que em 2021 possuir ainda empresas que continuem a exportar e vender Portugal num “bacalhau na telha” ou numa “chanfana”, iguarias pelas quais tantos nos continuam a visitar e a contribuir para o equilíbrio dessa balança comercial tão instável.

Desta forma, e numa área em que os custos fixos rondam os 40% do volume de faturação, apontar como solução um apoio de 20% do volume de faturação média no último ano (no qual 3 meses foram, praticamente, de faturação zero) estamos a vetar à morte, possivelmente, entre 10.000 a 20.000 empresas e à destruição de, pelo menos, 50.000 postos de trabalho adicionais.

Por todos os empregos e famílias que retiram o seu pão do ato de amor de bem servir o pão aos outros, por todos aqueles que nos servem experiências sensoriais que recordamos em cada viagem, por favor, que algo se faça para que não se destruam mais negócios, mais famílias e que não se interrompam mais sonhos.

Aqui me reconheço como apaixonado pela área, pois foi com esta construção de sonhos à mesa que os meus pais (já reformados) me criaram e foi com o “pôr pão à mesa dos outros” que nunca, na minha, me faltou o pão.

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