Opinião

Os “negacionistas”, as “Ovelhas” ou “Covideiros”, os “de esquerda”, os “do centro”, “de direita” ou “fachos”, os educados os sem educação …e muitos outros!

Uma crónica de Isabel de Almeida

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Bem vindos, caros leitores ao novo mundo distópico, aterrador, violento mas muito diversificado onde assistimos ao nascimento de uma nova sociedade (quiçá a sociedade do novo (a)normal) com todo um conjunto de novos rótulos e grupos sociais que diariamente se digladiam em combates violentos na nova arena que são as redes sociais, a coberto do anonimato (mas já nem este é tão anónimo assim, mas quem se preocupa?, vale tudo num mundo em colapso!)

Devo dizer que tudo o que era corriqueiro tornou-se uma verdadeira experiência social digna de um “big brother” daqueles modestos, de trazer por casa, que se passam ali mesmo nos nossos quintais virtuais (os nossos perfis do Facebook). A simples publicação de uma foto que contenha factos públicos, notórios, decorridos na via pública acompanhada de uma reflexão considerada politicamente ou socialmente incorrecta é quanto basta para cair o carmo e a trindade e para vermos as nossas mães a serem tratadas como as senhoras que deram à luz os árbitros de futebol, e as autoras da ousadia a merecerem na net o tratamento melhor descrito com o nome da mais recente obra literária nacional, que é o mesmo que dizer: “para cima de puta!”

Ora vejamos os novos papéis sociais dentro de novos grupos, vou dar o meu melhor:

– Os “negacionistas” – negam a existência da pandemia, acreditam em teorias da conspiração e acham que estamos a ser vítimas de uma nova ordem secreta mundial comandada por um grupo capitalista mas com ligações à China e o vírus foi criado para exterminar grande parte da população mundial e criar novas ditaduras com toda a gente controlada por Chip que será inoculado através da vacina (esta versão procura resumir as teorias que polulam por toda a internet) o objectivo é domínio económico e politico e a “nova ordem mundial” – pesquisem nos motores de busca. Um parêntesis, os restantes grupos opostos a este extremismo de ficção científica de série B Americana colocam nesta “gaveta” toda e qualquer alma que discorde da forma como os líderes mundiais estão a gerir a pandemia e convenhamos que nada é estanque, não há categorias rígidas, muito menos de pessoas.

– As “Ovelhas” ou “Covideiros” – grupo constituído por todos aqueles que aceitam e consideram perfeitas as soluções sanitárias impostas pelos governantes, porque tem de ser, porque eles que mandam é que sabem o que estão a fazer, porque temos que confiar, porque a saúde está acima da economia, porque não podemos fazer mais nada e é um pequeno sacrifício comparado com estarmos ligados a um ventilador e obrigar os profissionais de saúde a ter de escolher entre quem vive e quem morre. Naturalmente, também se tende a esquecer que em tudo no meio é que está a virtude, todos temos de ter consciência social, mas os líderes não estão sempre certos apenas porque são líderes, todos erram, e se é certo que o vírus existe e mata, também o desemprego , a falência da economia e a fome matam e já parámos para pensar como vão os próprios países sobreviver a esta hecatombe económica?

Os “de Esquerda”, “do centro” ou “da direita” ou “Fachos” são as classes politicas tipicamente Portuguesas, também vistas como categorias estanques, mas depois acordemos para a realidade, eles atacam-se no Parlamento mas depois surgem prontamente pactos de regime que contrariam os princípios e valores essenciais dos programas de cada partido político, e sempre há e haverá quem ceda e quem divida para reinar ou quem se una para reinar, ou seja, vale bem a pena nós cidadãos comuns trocarmos ofensas em nome de pretensos ideais políticos, porque a politica não tem ideais, tem interesses, é falacciosa, depende de como bem ou mal se esgrimem argumentos e está longe de ser perfeita, é um mal necessário apenas por comodidade de vivermos em sociedade e não podermos todos, na prática, governar o que seria o caos.

Assustador é que ela mesma, a senhora dona politica, é quem afinal manda nisto tudo, quem põe e dispõe e sim, vale mais do que a saúde, mais do que a vida, mais do que tudo, aliás em Portugal até o exercício politico é supra constitucional (está acima da constituição, simplificando, não podemos sair em recolher obrigatório em estado de emergência, excepto se formos participar em acções políticas), isto não tem o seu quê de irónico? Pergunto eu!?

Não menos assustador é não entendermos que não há categorias e rótulos rígidos, as coisas não são de uma única cor, há cambiantes!

Depois, para concluir este exercício filosófico-social, sou forçada a reconhecer algo que muito me entristece, somos, genérica e maioritariamente um pais mal educado, sem cultura, sem valores, cheio de ignorância, de maldade, de inveja, de intolerância, e curiosamente, o vírus tem servido para evidenciar isto mesmo, há máscaras que se põem, mas há outras que caiem, e não sei bem quais me assustam mais.

O baixo nível cultural e de formação moral da nossa população é estimulado por meios de comunicação social que nos bombardeiam os fins de semana com música pimba, galas do big brother e casados à primeira vista, assim não vamos longe, portanto meus caros leitores, quem não me suportar tem bom remédio, não ler o que escrevo, não olhar para a minha cara feia, abster-se de ofender a minha mãe (que coitada da senhora não tem culpa de ter criado uma filha que pensa e gosta de expressar o que lhe vai na alma e que se calhar também começa a ser intolerante porque a paciência tem limites) e quanto ao Facebook, recomendo que não me sigam e que me desamiguem, pois só fazem falta pessoas educadas e que aceitam a diferença sem ofender!

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