Opinião

Os mascarados de Abril

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“Então nós íamos mascarados para o 25 de Abril?”. Foi desta forma singela, mas lapidar que a segunda figura do Estado, o Presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues nos mostrou o quanto o país político, sobretudo aquele que alterna no poder, despreza o país real, aquele que se levanta às 6 horas da manhã para ir trabalhar. Na casa onde se fazem as leis que privaram milhares de pessoas do seu sustento, a lei não se pretendia cumprir. A cerimónia de celebração do 25 de Abril lá ocorreu e com máscara, mas o sinal estava dado, os senhores de Abril, aqueles que se julgam donos da liberdade alheia não gostam que lhes sejam aplicadas as regras que aplicam à plebe.

Há um ano foi assim, agora os “mascarados de Abril” voltaram a atacar. Se em 2019 a Iniciativa Liberal não pediu licença parar descer a avenida, desta vez a actual Comissão Executiva resolveu fazê-lo e a resposta que levou é a típica dos tiranetes; evocando razões sanitárias e de saúde pública, a participação da IL não seria possível. Se eu fosse membro da Comissão Executiva, esta resposta seria suficiente para não querer desfilar sequer perto de tais “democratas”, no entanto, compreendo a decisão, desfilando no mesmo local a IL mostra que não tem medo e que a liberdade não tem donos.

Um óptimo local para a IL estar no dia 25 de Abril de 2022 seria qualquer cidade da margem sul do Tejo. Aqui está demonstrado o falhanço das políticas dos “mascarados de Abril” em todo seu esplendor. Do lado sul do rio Tejo está um povo que trabalha, estão empresas que querem inovar e exportar, estão famílias que ali querem viver e criar os filhos. Neste distrito, onde todas as Câmaras Municipais são socialistas ou comunistas, em 2015 a taxa de retenção e abandono escolar foi de 44% no concelho de Setúbal e de 43% no Seixal, sendo estes concelhos os campeões nacionais.

 Admito que estes números se tenham alterado de 2015 para cá, mas não foi graças aumento de conhecimento dos alunos, mas sim ao facilitismo que impera na educação.

No distrito de Setúbal, que elegeu nas últimas eleições legislativas 9 deputados do PS, 3 do PSD, 3 do PCP, 2 do BE e uma deputada do PAN, o PIB per capita é menos de metade do da margem norte. Entre 2000 e 2013, a região perdeu 32 mil jovens entre os 20 e os 34 anos e o PIB per capita divergiu da média da União Europeia, atingindo em 2016, 55%, e pode ser em 2027, 47% se não forem aplicadas medidas correctivas.

O distrito de Setúbal, estando historicamente à mercê do poder do PCP e sindicatos, tornou-se no exemplo acabado do que é o falhanço das políticas de esquerda e que a direita não tem sabido contrariar. Não podemos continuar a ignorar um distrito que é fundamental para quem quer mudar a actual maioria governativa, a direita que anda entretida com as causas fracturárias que a esquerda lhe impõe, ainda não percebeu que não será nesse campo que conseguirá mudar o jogo.

Os “mascarados de Abril”, aqueles que querem ter uma avenida só para si no dia em que se comemora a Liberdade estão decrépitos, são a face do atraso crónico da nossa educação, do laxismo das instituições, da corrupção endémica, dos atrasos na justiça, e da pobreza a que estamos condenados. Aqueles que se julgam- donos da liberdade não percebem que estão sozinhos a descer a avenida, que os portugueses já deixaram de lhes ligar, que a avenida que descem já não leva a lugar nenhum.

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