Os ex-combatentes que nunca ouviram um simples obrigado

Esta semana, um artigo de opinião de Miguel Pais, vogal na CPC da JSD Almada.

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Esta semana, um artigo de opinião de Miguel Pais, vogal na CPC da JSD Almada.

Em 1961 rebenta a Guerra Colonial. Sendo, a segunda guerra em que os portugueses se envolvem, em menos de 50 anos.

Este episódio da história militar portuguesa, teve início em Angola, no dia 15 de Março.

Não era desconhecida a insatisfação que os povos colonizados sentiam e a oposição que realizavam. Era, por outro lado, ignorada e minimizada.

Desde 1933 até 1974, o país esteve a comando do Estado Novo. Caracterizado por ser um regime autoritário, conservador e nacionalista. Muitas pessoas contra e muitas a favor. A verdade é, a Guerra não deixou ninguém escapar.

Durante este período de incertezas, todo o homem com idade e capacidade de lutar era chamado a cumprir o seu dever. Proteger Portugal.

Muitos jovens fugiram do país, de forma a evitar o conflito armado. Combater por uma ideia absurda de um regime desatualizado.

Apesar da discordância com o regime político e o medo de perder a vida, em terras longínquas, muitos foram… e nunca mais voltaram.

Estes ex-combatentes sofreram e ainda hoje sofrem. Padecem com falta de sono, visões, desespero, tudo devido ao stress pós-traumático. Temos ainda outros que se sentem excluídos e marginalizados pela sociedade. São pessoas! Militares que foram enviados para o Ultramar, longe das suas amadas, longe da família e amigos, combater por um ideal do antigo regime, numa terra passada. Lutaram numa guerra psicológica e física de outro mundo, nunca antes vista. E no entanto, chegavam a Portugal a pensar que seriam recebidos como heróis… Não podiam estar mais iludidos!

Ainda hoje, são vistos como um embaraço de um país que em 1974 ainda guerrilhava pelas colónias do século XVI.

É tabu, nos dias de hoje, tocar em assuntos como patriotismo, sacrifício, Guerra Colonial. Como um certo cronista um dia disse – “Antes tínhamos história a mais, hoje temos história a menos”.

Após quase 60 anos é altura de recordar estes heróis. São estes os heróis que, apesar de muitos serem contra o regime, e não concordarem com as suas ideias, foram cumprir o seu dever. Muitos ainda lá jazem, longe de Portugal. As suas famílias sofrem e pedem apoio ao Governo, um Governo que muitas vezes fecha os olhos aos portugueses.

Estes são os ex-combatentes que nunca ouviram um simples obrigado.

É a hora! É o tempo de agradecer e homenagear estes combatentes, da Guerra da Vergonha, pelo seu serviço e pelo seu sacrifício.

Obrigado por nos fazerem ver que enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, existirá sempre Guerra.

 

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