Entrevista

“Os autarcas deviam estar unidos na oferta de mais trabalho para as pessoas”

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Montijo anda nas bocas do mundo e o presidente Nuno Canta garante que o “ano de 2020 será de grandes concretizações para o território” com uma “cidade mais coesa e projetos muito importantes para o concelho e para a região”. 

Podemos anunciar que o aeroporto vai ser uma realidade que transformará a região? 

É bom que se diga que não será apenas o Montijo a beneficiar com o aeroporto, mas toda a região, que irá usufruir e beneficiar de grandes alterações. E citando apenas algumas, haverá uma interligação do Montijo com a construção de uma ponte de ligação ao Barreiro e do Barreiro ao Seixal. 

É errado dizer que é um aeroporto pequeno, quando tem as mesmas dimensões do aeroporto de Lisboa, sendo dotado de enorme segurança, pois está inserido numa Base Aérea e irá ocupar 300 hectares de área. É uma estrutura de enorme importância para a cidade do Montijo e para a região, projetando toda a Península de Setúbal. 

As medidas, mais de centena e meia, apresentadas pela APA, estão a ser desenvolvidas e acredito que o projeto avançará ainda este ano. O ano de 2020 será de grandes concretizações, nomeadamente a nível do emprego, pois não queremos continuar a ser vistos como cidade dormitório. 

Todos os autarcas deviam estar unidos na oferta de mais trabalho para as pessoas, que só se consegue com projetos e o aeroporto é um deles. O aeroporto, que irá receber 10 milhões de passageiros por ano, irá fazer com que os concelhos do Montijo, Alcochete, Moita e Palmela, entre outros, tenham um enorme crescimento no mercado de trabalho dentro da região. A criação de emprego evita que se desloquem para Lisboa milhares de pessoas todos os dias. Até o ambiente irá ganhar ao evitar-se a entrada de milhares de carros e centenas de autocarros na capital. Morar perto do emprego leva a que se acompanhe os filhos nas escolas e nas creches. 

Vamos passar a ter o Montijo em todos os aeroportos do mundo, contribuindo para uma grande internacionalização da nossa economia. Claro que o nosso mandato não se esgota no aeroporto. 

Que projetos está a autarquia a desenvolver? 

As nossas preocupações ambientais começaram muito antes da decisão do aeroporto vir para a Base Aérea. Muitos dos projetos já estão a desenvolver-se na cidade como por exemplo o Jardim do Pocinho das Nascentes e a Casa da Música, que defendem as questões ambientais e evitam a construção nas zonas baixas da cidade. A implantação de um corredor verde criará uma espécie de tampão. Defendemos também a preservação e património da memória do homem e da natureza, com um corredor verde de quase 30 hectares, que envolve um investimento de quase dois milhões de euros. Este ano até Maio estará concluído o Jardim e a Casa da Música será inaugurada no próximo ano. Vamos também ter ciclovia. Devo referir que ciclovias estendem-se por todo o território, ao longo da antiga linha ferroviária com quase oito quilómetros de extensão e ligação ao Pinhal Novo que será inaugurada na Primavera e envolveu um investimento de 800 mil euros. Queremos continuar a promover o transporte com energias amigas do ambiente.   

“Iremos construir casas para jovens casais a preços controlados” 

A reabilitação urbana passa pelo projeto da antiga fábrica do Isidoro? 

Iremos proceder à transformação e reabilitação urbana da antiga fábrica do Isidoro, cujos terrenos foram adquiridos pela câmara, que os comprou por duzentos mil e tal euros, quando o valor atribuído foi de 1,2 milhões de euros. Esta fábrica foi abandonada e temos o projeto de construção de casas a preços controlados para casais jovens, para se fixarem no centro da cidade. 

Mas ainda ficamos com muito terreno e vamos aproveitar a restante área para serviços da câmara e serviços culturais para tornar esta zona mais dinâmica. Queremos recuperar a fábrica de azeite e apostar na restauração. A antiga estação, onde se inicia a ciclovia, será alvo de um protocolo com a Refer para que a câmara possa intervir. 

Na outra parte do terreno será criado um parque de estacionamento e um jardim para requalificar aqueles bairros e dar mais vida à zona ribeirinha. 

“Canha está a atrair investimentos em diversas áreas” 

O Estado Central também aposta num Estabelecimento Prisional para Canha? 

Estabelecimento Prisional vai ser uma realidade em Canha. Já foi apresentada a ideia, o Ministério da Justiça já tem o terreno e tenho conhecimento que está para ser lançado o concurso internacional de 50 milhões de euros. Esse equipamento servirá para acabar com as cadeias de Setúbal, Montijo e Lisboa. Mas Canha irá voltar a estar no mapa com os investimentos que têm surgido para a criação de empresas de logística, agricultura e serviços. Estas empresas já cá estavam antes de haver aeroporto. O Allegro comprou o Fórum e há investidores a criarem espaços comerciais em antigas instalações de fábricas desativadas. 

“A riqueza do património religioso” 

Como está a decorrer o projeto que defendia para a Atalaia? 

Esse projeto atrasou-se um pouco porque a oposição votou contra ele. Agora que estão de acordo, assim como a igreja e os círios, vamos trabalhar com uma universidade para avançar com o projeto. Temos também um projeto para Sarilhos Grandes onde existe uma riqueza arqueológica, que queremos recuperar e dar a conhecer. Vamos proceder ao desenterramento do túmulo do segundo capitão da armada de Vasco da Gama, que envolve a arqueologia, a igreja, a diocese e a população. Para que conste não estamos apenas a trabalhar no património imaterial de Atalaia, mas de Sarilhos Grandes e do colonato de Pegões. Apesar de ser do tempo do Estado Novo, queremos reabilitar e estudar a história.  

Criação do Departamento Policial 

Como está a criação da Esquadra da PSP? 

A PSP vai ter necessidade de ter uma estrutura, que voltou agora a ser falada e o terreno será o local ideal para colocar ali um Departamento Policial. Já mostrámos a nossa disponibilidade para ser a câmara a fazer a obra e o Estado a pagar. Ainda não houve resposta, mas com a decisão do aeroporto é mais que urgente criar ali um Departamento da Policia, assim como um Quartel de Bombeiros. 

“Somos o Município da AML com menos médicos de Saúde” 

Confirma o interesse do Grupo CUF em abrir uma clínica no Montijo? 

Sabemos que a CUF está interessada em instalar aqui uma clÍnica e, posteriormente, um hospital. Acho que este ano ainda iniciam a construção. Há também o alargamento do Centro de Saúde, no Bairro dos Areias, no terreno que era da cooperativa e que a Câmara comprou, para que as pessoas daquela zona desde Areias, Esteval e Afonsoeiro, tenham acesso à saúde sem ter que se deslocar ao centro da cidade. Queremos que as pessoas do Montijo tenham acesso ao médico de família, pois não podemos ignorar que este Município é aquele que tem menos médicos de família na AML. 

“Os vídeos do vereador João Afonso vão todos para o lixo” 

Está disponível para se recandidatar à Câmara? 

Apesar de ainda ser cedo irei aguardar pela decisão do meu partido, mas não posso deixar de estar disponível até porque será o último mandato que a lei me permite.  

Já viu o último vídeo do vereador João Afonso? 

Não vi, mas vindo do vereador do PSD, deve ser mais um assunto furado. Mas devo informar que os filmes do vereador João Afonso vão todos para o lixo. 

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