OPINIÃO – Trumps não assumidos

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Esta semana um artigo de opinião do deputado municipal eleito pelo PAN no Seixal, André Nunes.

Trump dirigiu esta terça-feira palavras à nação norte-americana num discurso marcado pela necessidade de justificar a construção de um muro na fronteira com o México. Este não é, porém, um texto sobre aquela proposta eleitoral em concreto, nem sequer sobre as complexas questões de imigração e segurança nos Estados Unidos, antes uma constatação sobre as semelhanças existentes na governação de Trump e de outros auto-proclamados democratas noutros pontos do globo.

A primeira semelhança é o tipo de discurso escolhido, assente no medo e na apologia do cataclismo, o qual faz por vergar quer os indecisos quer os que, dele discordando, não estão disponíveis para manter um braço de ferro com o poder instituído. De resto, Trump deixou perfeitamente claro, ainda na semana passada, que o shutdown poderia prolongar-se por dias, meses ou mesmo anos.

A segunda semelhança prende-se com o desvio estratégico à governação, um desvio calculista e interesseiro, assente na pressão social e no granjear de apoio tendo por base a insatisfação que advém da não implementação de medidas. No caso norte-americano, tal característica é por demais evidente na paralisação de parte do sector público e que afecta, directamente, quase um milhão de funcionários públicos, sendo os possíveis cortes nos salários, os atrasos no pagamento de programas de assistência alimentar e no reembolso de impostos um importante trunfo de Trump.

A terceira e última semelhança tem que ver com a culpabilização da oposição, a qual funciona como forma de responsabilização de terceiros para justificar o próprio insucesso e a inviabilidade (moral, quanto mais não seja) de certas medidas. Nos Estados Unidos e com a paralisação do governo a levar já dezoito dias, Trump culpa os democratas pelo impasse gerado, esquecendo-se, como tantas vezes acontece, que há uma diferença entre governar com maioria e governar sem.

Isto para concluir, no tocante ao exercício do poder político, que, lá como cá, muitos são aqueles que vestem a camisola da democracia sem lhe sentirem o peso e com a agravante de que os Trumps desta vida ao menos assumem ao que vêm.

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