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O risco de afogamento nas crianças

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No concelho de Palmela, no espaço de um mês, faleceram duas crianças de dois anos afogadas em piscinas. Uma em piscina pública, no parque de campismo Vasco da Gama, no Pinhal Novo, e outra em piscina privada, na região de Cabanas. O Diário do Distrito contactou a Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI) e o Corpo de Bombeiros de Pinhal Novo para recolher informações sobre os cuidados a ter com crianças na época balnear.

«Basta um palmo de água» 

Sandra Nascimento, presidente e diretora técnica da APSI, apela à atenção perto da água, «em lugares com pouca água, que normalmente a família não percebe que é um risco, é preciso ter cuidado. Menos de um palmo de água é suficiente para afogar uma criança pequenina, até aos 3/4 anos, devido sobretudo ao peso da sua cabeça. Ela não se consegue levantar, o afogamento é em silêncio, não consegue pedir ajuda, e, portanto, é tudo tão rápido a partir do momento em que a criança perde a consciência. Praias, piscinas, banheiras, alguidares, baldes, seja o que for e onde for, é preciso ter sempre cuidado».

A Campanha de Prevenção de Afogamentos 2020 da APSI alerta para os perigos. O relatório de Afogamentos em Crianças e Jovens em Portugal, atualizado em junho de 2020, constata que nos últimos 17 anos ocorreram 254 afogamentos com o desfecho fatal em crianças e jovens. 

«A criança nunca pode ficar sozinha»

Muitas famílias estão a optar por férias em casa, comprando piscina ou tanque. Mesmo na própria residência, os cuidados devem ser os máximos. «A criança nunca pode ficar sozinha por pouco tempo que seja na água, e assim que a família deixar de utilizar a piscina, deve ser esvaziada de imediato. Por outro lado, se for uma piscina maior ou tanque, deve ser usada a barreira física vertical, colocar numa zona onde possa haver algum tipo de delimitação que impeça ou limite o acesso da criança, porque lá está, este tipo de piscinas normalmente, até por uma questão de economia da água, não é possível esvaziar todos os dias». 

Caso vão passar férias a locais que tenham piscinas, aconselha a averiguarem primeiro as condições do espaço, se estão equipadas e devidamente protegidas. «E o que é que é estar protegido? É ter a tal barreira física, porque o que é comum não são os acidentes/afogamentos quando estão todos na água, a tomar banho e em atividade, que aí normalmente há supervisão e há auxiliares para as crianças que não sabem nadar bem».

Seja em casa ou fora, as condições de segurança ajudam a precaver situações que podem ser dramáticas e anulam o sentimento de aflição constante. «É pensar que, para terem umas férias descansadas e divertidas em que a água naturalmente é importante e faz parte, têm que fazer este exercício de avaliar, ter um olhar crítico e escolher as opções e manter um comportamento muito próximo, para além destas barreiras físicas, nomeadamente quando a criança está a brincar perto de água».

«É preciso também ter cuidado com os jovens»

Os dados de 2012 a 2018 do relatório constatam que o maior número de mortes por afogamento ocorre na faixa etária dos 15 aos 19 anos. O respeito pelas regras e o desenvolvimento de competências aquáticas são essenciais para evitar situações de perigo.

«Nos campos de férias, ou em outros ambientes naturais como os lagos, os ribeiros ou as barragens, muitas vezes os jovens vão em grupo tomar banho ou brincar perto de água em zonas que não são próprias para tal e que não estão vigiadas, aumentando o risco de afogamento. É importante preparar os jovens em termos de competências, não só a aprendizagem da natação, naturalmente, que é mais uma medida, mas também a aquisição de competências aquáticas, saber, por exemplo, que nadar numa praia paralelamente à margem é mais seguro. Os jovens nessas idades gostam de desafios e não admitem ou e mais difícil admitir que precisam de ajuda, até porque, naturalmente, estão a testar os seus limites e em grupo tem uma certa pressão. É igualmente importante ter cuidado com as brincadeiras nessas idades. Quando temos um amigo atrapalhado dentro de água, o melhor não é, por vezes, atiramo-nos à água, porque se não formos capazes de o salvar, ficam duas pessoas em perigo. Se forem sítios vigiados, esta questão é fácil de resolver: temos o apoio, os nadadores salvadores, os elementos de socorro. Nos locais que não estão equipados com bens, por exemplo bóias ou varas, é importante o jovem perceber que a melhor maneira que tem ajudar o amigo é atirar alguma coisa que o outro possa agarrar e dar o alerta logo rapidamente, mantendo-se ali perto, naturalmente, para também dar algum apoio e alguma motivação».

«As sequelas podem ser muito graves»

Além do risco de afogamento, Sandra Nascimento avisa para as consequências que os acidentes na água podem envolver. Uma questão de segundos pode deixar marcas para a vida. «Os afogamentos estão identificados pela Organização Mundial de Saúde como sendo dos acidentes que tem mais efeitos a longo prazo e mais custos em termos de saúde porque deixam sequelas neurológicas muito graves em alguns casos e com todas as implicações que isso tem na qualidade de vida da criança e da família, com os cuidados médicos e reabilitação que ela vai precisar ao longo da vida. Pelo tipo de mecanismo, o cérebro deixa de ser oxigenado, o que origina sequelas quando a criança perde a consciência que podem ser muito graves».

 

Os cuidados a ter no verão com as crianças

O Corpo de Bombeiros de Pinhal Novo enviou ao Diário do Distrito uma lista de cuidados a ter no verão com as crianças.

Cuidados nas praias

  • Devem ser praias vigiadas por profissionais e respeitar a sinalização;
  • Nunca perca a criança de vista quando ela estiver perto do mar e usar sempre colete salva-vidas ou braçadeiras;
  • Acompanhe sempre a criança até à água e nunca a deixe sozinha. Também não permita que ela ultrapasse profundidades superiores à cintura, esse é o limite para as crianças;
  • Respeite sempre as condições do mar, a cor das bandeiras e antes de permitir a entrada da criança na água, informe-se sobre a profundidade do local;
  • A entrada na água deve ser sempre muito devagar (choque térmico).

Cuidados nas piscinas

  • Esteja sempre atento a todos os movimentos das crianças, seja dentro de água ou nas proximidades;
  • Se possível, a piscina deve estar sempre coberta com oleado próprio e só deve ser retirado quando se vai utilizar;
  • Nunca deixe a criança sozinha na água é importante que tenha sempre um adulto dentro da piscina;
  • Evite que a criança corra perto da piscina, pois pode escorregar e cair;
  • Ensine a criança a não ter determinados comportamentos como, por exemplo, as simulações de afogamento, aguentar muito tempo debaixo de água ou forçar a cabeça de um amigo para dentro da água. São situações muito perigosas e que podem ter consequências drásticas;
  • Nunca deixe brinquedos dentro da piscina, pois é uma situação que chama a atenção da criança e pode ser uma distração fatal;
  • É fundamental equipar as crianças para entrar na piscina com segurança, sendo os acessórios adequados à idade, sexo e peso da criança. Essa é uma das melhores recomendações contra afogamentos;
  • Por fim, converse com a criança sobre os perigos. Diga onde ela pode tomar banho, o que pode ou não fazer, com o que pode ou não brincar e avise principalmente que abraços, afundar outra pessoa e brincadeiras semelhantes não podem ser feitas.

Cuidados na exposição ao sol

  • As horas mais prejudiciais ao sol são entre as 11:00 e as 16:00, deve ser evitada a exposição ao máximo e utilizado protector solar adequado à idade e tipo de pele da criança.

Cuidados com a alimentação

  • Devido à exposição solar excessiva fora da normalidade a que o corpo está habituado, deve dar a criança mais líquidos, de preferência água. Muita atenção à desidratação.

Em casos de dúvidas, a Associação para a Promoção da Segurança Infantil tem disponível no seu site toda a informação necessária e também se encontra disponível para esclarecer questões, seja via e-mail ou facebook.

 

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