Opinião

O Que Faz Falta em Portugal

- publicidade -

 A semana passada marcou o regresso às aulas em muitas instituições de ensino públicas, transversalmente nos vários ciclos escolares, do ensino primário ao ensino superior. Coincidentemente, a Carris Metropolitana voltou ao descalabro inicial.

Em vários concelhos do nosso distrito avolumaram-se as queixas, fruto do péssimo serviço da empresa Alsa Todi, contratualizada pela Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML). 

Alguns dos executivos autárquicos dos concelhos afetados foram obrigados a incluir nas agendas das respetivas reuniões de câmara da semana passada, um ponto de esclarecimento aos seus munícipes descontentes. A razão deste caos na rede de transporte rodoviário abrevia-se numa só explicação: a falta de motoristas na empresa Alsa Todi. Homens e mulheres, crianças e idosos, atrasam-se nos seus compromissos, adiam as suas vidas e comprometem o seu presente pela falta de rigor e de planeamento estratégico dos gestores públicos e dos gestores privados em concessões de serviços públicos.

Jamais a TML poderia ter estabelecido qualquer contrato que fosse com uma empresa de transporte rodoviário, sem se assegurar se a mesma iria dispor das devidas condições para prestar o respetivo serviço público que diariamente constrange a vida de centenas de pessoas. É de todo inaceitável, e é um claro sintoma do que se vive de uma forma generalizada em muitos outros setores da sociedade. Vejamos então.

 Se uma destas crianças, utente da Carris Metropolitana, tem a graça de chegar à escola por estes dias, poder-se-á dar o caso de não ter aula por falta de professor. Este é o estado do sistema de ensino público em Portugal. Conforme adiantavam alguns órgãos de comunicação social, ainda no passado dia 10 de setembro faltavam professores para 2500 turmas. E não é um problema recente ou meramente temporário, mas antes uma questão estrutural que urge por reformas estruturais. Segundo a Associação Nacional de Diretores e Agrupamentos de Escolas Públicas (ANDAEP), só no presente ano letivo prevê-se a aposentação de 2000 docentes.

Vejamos agora um idoso do nosso distrito, que contra tudo e contra todos, conseguiu apanhar um autocarro sobrelotado ao fim de um par de horas para se dirigir a uma unidade de saúde. Poder-se-á dar o caso de ver a sua consulta adiada ou não conseguir efetuar o tratamento desejado por falta de médicos ou enfermeiros. Numa informação facultada à Lusa, o Sindicato Independente dos Médicos adianta que para os próximos três anos perspetiva-se a aposentação de 1200 médicos hospitalares e 1000 médicos de família. O problema repete-se no que concerne aos enfermeiros, com a saída do SNS de 1800 profissionais nos últimos dois anos.       

Alarguemos agora o nosso campo de visão, muito para lá do distrito de Setúbal. Quem este verão visitou a costa algarvia, o litoral alentejano ou até mesmo o interior de Portugal terá visto à porta de vários estabelecimentos de restauração anúncios de oferta de emprego. O sintoma é sempre o mesmo, também há falta de mão-de-obra no setor da restauração. 

O mesmo desabafo alastra-se à mesa com amigos empreiteiros. Há falta de mão de obra na construção civil. Ou melhor, retificando-os, há falta de mão de obra qualificada na construção civil.       

Portugal é hoje um país onde tudo falta, faltam professores, faltam médicos, enfermeiros, faltam pedreiros, mas o primeiro que falta é o decoro da classe política governante para com os seus concidadãos. 

As carências de profissionais que aqui expus, transversais a vários setores e a várias regiões do país, devem ser objeto de rigorosa reflexão por parte da classe política, abrindo espaço a um diagnóstico real do desgoverno a que António Costa e os seus antecessores socialistas têm vindo a sujeitar o país.

De que nos vale consagrar um artigo na Constituição da República que estatua no seu proémio o Direito ao Trabalho (art.º 58º, nº 1 e nº 2) cuja essência se traduz por algo tão genérico? Certamente que é apenas uma formalidade estética do texto constitucional e que a seu devido tempo merecerá uma revisão. Mais do que a Constituição possa ou não dizer sobre esta matéria, o governo é responsável por criar as condições que solucionem estas carências generalizadas, começando por reduzir a carga fiscal das empresas para que as mesmas possam ter uma política salarial mais atrativa, capaz de reter os seus quadros e profissionais mais qualificados. No setor público urgem muitas reformas, não só de política salarial, mas também de estatuto e valorização das carreiras profissionais. Neste âmbito, pouco ou nada tem sido feito nos executivos de António Costa, com os resultados desastrosos à vista.   

Por tudo isto atribuo um cartão vermelho ao descalabro socialista pela falta gravosa que penaliza cada vez mais a vida aos portugueses. 

E respondendo com assertividade à canção que a esquerda tanto louva: O que realmente faz falta é transformar Portugal! 

Diogo Venâncio, vice-coordenador do núcleo concelhio do Montijo – CHEGA


Sabia que o Diário do Distrito também já está no Telegram? Subscreva o canal.
Já viu os nossos novos vídeos/reportagens em parceria com a CNN no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!
Siga-nos na nossa página no Facebook! Veja os diretos que realizamos no seu distrito
Siga-nos no Feedly, carregue em seguir (follow)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *