“O PS defende a criação de uma Delegação de Câmara no Pinhal Novo”

Socialista Raúl Cristóvão faz balanço de dois anos de mandato.

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Raúl Cristóvão acredita que daqui a dois anos o Partido Socialista governará a autarquia de Palmela.

Que balanço faz destes dois anos de mandato?

Estes dois anos mostraram a importância de se ter retirado a maioria à CDU, que governava este concelho, em maioria absoluta, desde o 25 de Abril.

Faço questão de lembrar que os socialistas na autarquia conseguiram, que finalmente fossem aprovadas as Bolsas de Estudo.

Infelizmente este concelho esteve durante 40 anos sem bolsas de estudo e conseguimos que fosse dado o 1º passo. Iremos fazer a avaliação e ver o que é possível melhorar para que o mérito da medida permita chegar aos jovens que queiram continuar os seus estudos e que por vários motivos não o conseguem.

Outra das propostas que conseguimos fazer aprovar foi a atribuição de pequenos-almoços às crianças do pré-escolar. Defendemos também o alargamento dos pequenos-almoços até ao 4º ano de escolaridade.

Conseguimos também subir de quatro para 10 euros, por criança, o apoio à aquisição de material escolar pelas escolas.

“Mais poupança no IMI e no custo da energia elétrica”

Outra das medidas que defendemos foi a redução do IMI, que queremos que continue a baixar até aos 0,35 por cento até ao final do mandato, sem pôr em causa as condições financeiras da câmara.

Apresentámos e aprovámos o IMI familiar, medida que veio ajudar o orçamento das famílias e que por nós já podia ter sido aplicada no mandato anterior.

Também contribuímos para avançar com o Projeto LED, que irá levar a que o custo da iluminação pública baixe significativamente.

O projeto a ser implantado no Centro Histórico de Palmela e no Centro Urbano de Pinhal Novo, em nossa opinião devia ser extensivo a todo o concelho. Mas posso garantir que daqui a dois anos, quando o PS for poder, será uma medida prioritária, por questões ambientais e  porque nos permite libertar um montante significativo de recursos financeiros para outras áreas que precisam de mais investimento como as áreas sociais.

Esta medida só foi a concurso e está a ser implementada devido à visão de futuro que o vereador socialista tem do seu trabalho autárquico.

Continua a defender a descentralização de competências?

Reconheço que a descentralização vai trazer mais responsabilidades, mas o problema da CDU é gostar de ter as pessoas a protestar à porta dos outros. Eu defendo a descentralização para resolver os problemas com maior celeridade e com mais e melhor participação Confesso que gostava de ter eleitores ainda mais insistentes e participativos, de forma que a sua massa crítica melhorem a democracia e dinamiza a essência do exercício de um autarca que é saber ouvir e saber decidir em proximidade. Para o Partido Socialista é muito importante desenvolver um outro modelo de Participação cívica dos cidadãos e cidadãs na nossa autarquia. Queremos as pessoas a apresentarem propostas e a decidir sobre elas, queremos que o modelo não seja um mero espaço de reivindicações, quase sempre justas, mas que torna a filosofia da participação muito redutora.

A construção do pavilhão na Secundária de Palmela será uma realidade neste mandato?

Sou professor na escola há 34 anos e fiz parte do Conselho Diretivo que propôs o derrube do velho pavilhão por questões de saúde pública e segurança.

O novo pavilhão chegou a estar em concurso, mas foi travado pela crise e nessa altura defendemos a construção de uma nave desportiva que pudesse evoluir para um espaço totalmente coberto e conseguimos após alguma tempo de discussão com a direcção regional de educação a construção de polidesportivo exterior e um pequeno ginásio a instalar numa antiga oficina, e que ainda hoje são os únicos espaços desportivos na escola.

“O PS continua a defender a construção de um multiusos em Palmela”

Confesso que antes de sair da escola gostava de ver o pavilhão erguido. Tenho a esperança que haja bom senso nas negociações entre o o Ministério da Educação e a autarquia para a resolução deste problema que interfere na educação e formação dos alunos de Palmela e Quinta do Anjo numa área muito importante como a Educação Física.

O PS continua a defender, como está no seu programa eleitoral, a construção de um multiusos em Palmela, que para além de espaço desportivo permitisse às atividades económicas, sociais e culturais terem um equipamento multifacetado de apoio e dinamização das suas atividades.

Como vê o facto de ainda existirem edifícios com amianto no concelho?

Essa realidade ainda existe em espaços da Escola Hermenegildo Capelo, num pavilhão da Escola José Maria dos Santos e no Mercado da Quinta do Anjo. São problemas com duas dimensões em escala e em responsabilidades. Se no caso das escolas o processo de retirar as placas de amianto é da responsabilidade do Ministério da Educação no caso do Mercado é da responsabilidade da autarquia. Mas o que mais tristeza me dá é o “projeto adormecido” do Mercado da Quinta do Anjo, que aparece e renasce em tempo de eleições, e vai-se empurrando com a “barriga”.

Desde o início do mandato que os vereadores do PS falam da necessidade da elaboração de um plano estratégico para o desenvolvimento sustentável do território. O que temos é rico, o que fazemos nem sempre são as melhores escolhas porque também não definimos os caminhos e os pontos de chegado no futuro (10 a 15 anos).

Continuamos à espera do Plano de Mobilidade, do Projeto Educativo, da revisão do PDM… Temos que ter instrumentos fundamentais e ajustados às políticas territoriais e só o podemos fazer com a elaboração e aprovação destes planos de gestão territorial.

“Há muito que Palmela necessita de um edifício que concentre os serviços camarários”

Acha que há coisas que continuam adiadas?

Há muito trabalho de gabinete. Se daqui a dois anos for candidato e ganhar a Câmara tentarei que o meu percurso de presidente passe por estar mais próximo das populações, para melhor compreender e melhor decidir. Espero que num futuro próximo as reuniões de câmara possam ser feitas no salão nobre. A recuperação da sala, uma obra difícil, mas a decisão política tem demorado.

Há muito que Palmela necessita de um edifício que concentre os serviços camarários, a sua dispersão pela vila não ajuda a eficácia e a eficiência dos mesmos. Passaram os anos em que foi possível realizar, com a ajuda de dinheiros comunitários, obra nos paços dos concelhos ou mesmo construir novos edifícios. Agora é muito mais difícil e vamos ter que encontrar melhores soluções para a reorganização no espaço de todos os serviços camarários. Quando falamos neste assunto preocupa-nos a acessibilidade aos serviços por parte das populações e dos trabalhadores autárquicos que merecem melhores condições de trabalho.

Mas há outras medidas que deviam avançar e o PS defende que no Pinhal Novo haja uma Delegação da Câmara com descentralização de serviços.

Outro problema que nos preocupa é o do saneamento básico, não é barato, nem fácil de resolver as muitas situações que põem ainda hoje num território grande e com ocupação humana muito disperso. Temos que trabalhar muito e bem para dignificar a vida das populações.

Quanto ao alcatroamento deviam ser criados critérios, claros e objectivos, com as Juntas de Freguesia de prioridades de alcatroamento de aceiros e estradas municipais de forma que as pessoas compreendam as razões das escolhas. As prioridades, seja no saneamento básico ou no alcatroamento, deviam ter regras da política de proximidade que passam por ouvir, compreender e agir.

Tem acompanhado a obra de requalificação do Jardim José Maria dos Santos?

Tenho encarado com preocupação o decorrer das obras e continuo a considerar que a provável mudança da paragem dos transportes públicos vá contribuir para o entupimento do trânsito numa via já congestionada. Devia ser dada prioridade à criação de uma rotunda na zona dos Pinheirinhos.

Este projeto do Jardim deveria englobar todo o espaço até ao mercado municipal num processo de reabilitação de um espaço central e muito utilizado pela população do Pinhal Novo e que devia apontar para a criação de um espaço verde, com espaços desportivos renovados, espaço de convívio e de lazer e que melhore o estacionamento.

Sou muito crítico a certas intervenções sem uma estratégia de ação que dignifique os espaços e a mobilidade.

Dou um exemplo: com a colocação do Chaimite na zona sul do Pinhal Novo numa praça entre prédios. Uma excelente ideia para comemorar o 25 de Abril e que sem enquadramento paisagístico e histórico/descritivo leva a que as pessoas sejam mais críticas do que favoráveis.

As acessibilidades continuam a preocupá-lo?

Vejo com alguma preocupação a instalação das bombas de combustível na antiga Serapa, embora não estejamos perante qualquer ilegalidade formal, mas gostaríamos que toda aquela área fosse ocupada por um outro tipo de equipamento público ou privado. Veja – se o caso da Câmara do Montijo que tem adquirido edifícios velhos e abandonados para os reabilitar e pô-los ao serviço das pessoas e do concelho

Mas preocupa-me também a acessibilidade ao Centro de Saúde, ao cemitério de Palmela e ao castelo, que continuam a ser extremamente difíceis, No caso do castelo considero que os autarcas, que são embaixadores de Palmela, deviam dialogar mais com o Governo para se estudarem possíveis respostas para estes problemas.

“O PS pediu uma vista à Escola de Cabanas porque temos a informação que a obra está a avançar muito lentamente”

Na última sessão de câmara pediu para visitar as obras da Escola de Cabanas. Está preocupado com a lentidão das obras?

Só posso tirar conclusões se souber o que se passa. O PS pediu uma visita porque temos a informação que a obra está a avançar muito lentamente. Queremos saber o que se passa e porque tememos que possamos estar na presença de uma situação de atraso como a que se verificou com a escola Matos Fortuna, em Quinta do Anjo.

Mas também me preocupa a anunciada deslocalização do posto da GNR do Poceirão. Se fosse autarca com poder tentava resolver os problemas de instalações com mais rapidez. O que está em causa é a segurança das populações e a autarquia tem a obrigação de ser parte da solução e não continuar a arrastar o problema.

A nomeação de Patrícia Gaspar para secretária de Estado da Proteção Civil irá ser benéfica para o Distrito de Setúbal?

Mais do que para distrito é boa para o país, é uma solução de grande qualidade humana e técnica.

Esta escolha vem valorizar um cargo cada vez mais importante na vida das pessoas e no desenvolvimento sustentável das regiões. A secretária de Estado Patrícia Gaspar é uma pessoa que sabe, sabe fazer, tem capacidade de decisão e de diálogo.

O PS ficou com pelouros muito complicados. Acha que o vereador Pedro Taleço foi “tramado” pela maioria CDU?

Não, o vereador Pedro Taleço caracteriza-se por ser um vereador bem preparado tecnicamente e politicamente, é conhecedor da estrutura funcional da autarquia e apresenta-se com um político voltado para o futuro e com futuro. O vereador Pedro Taleço tem feito muito em áreas muito sensíveis e expostas ao crivo da opinião pública, em dois anos já concretizou e desbloqueou muitas coisas. algumas paradas há mais de 20 anos.

Também a vereadora Mara Rebelo tem sido uma enorme mais valia para a nossa estratégia de oposição com soluções alternativas e diferenciadoras.

O vereador António Braz um homem de enormes qualidades humanas e políticas, a que associa excelentes conhecimentos nomeadamente na área da Proteção Civil e que é um exemplo de entrega à causa e a valores fundamentais ao nosso projeto politico.

O PS tem feito oposição pela positiva?

O Partido Socialista tem sido uma oposição de enorme responsabilidade com propostas diferenciadoras e com uma acção que põe em primeiro lugar as pessoas e o território a outros interesses.

Tenho cada vez mais a certeza que o concelho merece e quer uma mudança de projecto e forma de gerir a autarquia. Somos o partido vencedor em todas as eleições nacionais e europeias, temos uma equipa forte, unida e conhecedora, estamos prontos continuar para trabalhar mais e melhor para o concelho.

Lutamos para que o futuro do concelho passe por uma nova gestão mais moderna e melhor participada, que esse futuro passe pelo PS.

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