Opinião

O perigo dos “ismos” e o fim de uma civilização

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Os acontecimentos das últimas semanas, num mundo já de si doente porque pandémico vêm servindo de sério sinal de alerta para o problema que o mundo todo tem em mãos (não me refiro à questão epidemiológica) e, em muitos casos, com governantes e cidadãos sem consciência plena dos riscos que corremos.

Mais do que uma crise de valores, que é nítida e inegável, parece-me, olhando para a realidade das últimas semanas, que atravessamos uma crise civilizacional, algo ainda mais amplo do que a crise de valores, pois faz antever uma mudança radical de paradigma social, político e mesmo económico, não se negando que a pandemia não é isenta de responsabilidades neste ponto de viragem deveras alarmante, e é em especial alarmante para quem esteja programado para viver e conviver segundo as normas do mundo antes de todas estas mudanças começarem a surgir bem visíveis, ostensivas e intrusivas no nosso mundo.

Na se sequência do homicídio em clara situação de uso excessivo e até abusivo de força policial sobre o cidadão Norte Americano George Floyd, rapidamente surgiu uma crise étnica e social nos Estados Unidos que, prontamente encontrou o terreno e ambiente ideal para um contágio à escala mundial. Nos Estados Unidos surgiram focos de manifestações e protestos violentos contra a polícia, e ostentando a bandeira do combate ao flagelo do racismo.

Um pouco por todo o mundo, e Portugal não foi excepção, os movimentos de protesto surgiram e foram ficando patentes em actos simbólicos mais ou menos lícitos e mais ou menos desinteressados.

E num ápice, num abrir e fechar de olhos, com uma tolerância aqui, e um incentivo ali, com o contributo de pessoas que verdadeiramente defendem e acreditam numa causa mas que não conseguem controlar a intervenção de agitadores (que surgem associados artificialmente a estes movimentos apenas com o intuito de causar distúrbios, agressões ou actos de puro vandalismo gratuito que já estão bem distantes da noção de protesto e de simbologia representativa de uma causa que se desejaria justa), daqui ao nascimento de um forçado novo conceito de “politicamente correcto” que permite entrar em extremismos que mostram já sérios, graves e assustadores reflexos em termos culturais, potenciando actos de censura cultural, com a pretensão de apagar a história da humanidade (história esta que sempre terá momentos menos bons e de que é exemplo aquele que agora estamos a vivenciar) e que serve de pretexto a actos de vandalismo que destroem ou causam danos severos em monumentos como estátuas , vai uma distância muito curta.

Numa cópia do que é errado, vimos esta semana ser vandalizada a Estátua do Padre António Vieira em Lisboa ( o que aliás mostra uma crua ignorância, já que foi este Sacerdote e Pregador um dos firmes defensores dos Indígenas do Brasil, e chegou mesmo a ser perseguido pela Inquisição por contestar o poder da Igreja Católica ao proteger os mais fracos e denunciar os abusos da sociedade de então). Pasme-se, aqui mesmo na margem Sul, em Alcochete, vejo hoje que nem a Estátua de D. Manuel I escapou à vandalização com grafiti ofensivo dos habitantes locais. Que mundo este que surge irreconhecível aos nossos olhos em toda a linha?

Estamos a caminhar por estradas perigosas, algo de muito errado de passa quando uma civilização quer apagar a história, negar a sua herança cultural. Quando vemos empresas de conteúdos televisivos a censurar filmes como “E Tudo o Vento Levou”, que passou a ser considerado de génese “racista” – trata-se de um filme magistral, que retrata a história da Guerra Civil Americana com base em personagens inesquecíveis no imaginário de qualquer cinéfilo, e que foi inspirado na obra homónima de Margaret Mitchell, escritora Norte Americana.

A censura é uma das armas próprias das ditaduras, daqui poderemos ver o perigo daquilo a que estamos a assistir. Foi assim que surgiram e se cimentaram regimes ditatoriais quer de Direita, quer de Esquerda, o que se segue: perseguição e ataques a seres humanos porque têm diferentes opiniões políticas? Tenhamos medo, muito medo! Urge tomar medidas de contenção e punir severamente os prevaricadores, sob pena de se instalar o caos total.

E aqui, correndo o risco de ser polémica, tenho de admitir que, pelo menos em Portugal, sempre ágil em importar modelos de imbecilidade agravada, estamos a assistir a actos de vandalismo que resultam, desde logo, de uma profunda ignorância da nossa cultura, da nossa língua e da nossa história e até da história mundial. É tempo de repensar seriamente o sistema de ensino, pois a educação molda as pessoas na sua vida, para o bem e para o mal.

Quo Vadis mundo? Quo Vadis Portugal?

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2 Comentários

  1. Excelente artigo, equilibrado e longe de embarcar em populismos baratos tipo Chega que por aqui já apareceram publicados por outro comentador de nome Samuel Marinheiro.

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