Opinião

O PCP continua alheado da realidade

Uma crónica de Emanuel Boeiro.

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De forma incompreensível para quem acompanha o aumento exponencial de casos de Covid-19 no concelho de Palmela, o prolongamento do Estado de Emergência pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, à Assembleia da República, foi aprovado com o voto contra do PCP no passado dia 28 de janeiro de 2021.

O Presidente da República, reeleito por mais 5 anos no dia 24 de janeiro, foi claro na sua intervenção, afirmando que este é o período mais difícil da pandemia que dura há quase onze meses, com os mais elevados números da Europa, eu até acrescentaria do Mundo. A variante inglesa do vírus surgiu e propagou-se vertiginosamente, abarcando mais de 50% dos casos em áreas como a Grande Lisboa e o Distrito de Setúbal, aumentando a pressão sobre as estruturas da saúde.

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O número de mortes cresce a um ritmo há meses inimaginável e com ele cresce a perigosa insensibilidade à vida e à morte, mesmo de familiares, amigos, vizinhos, companheiros de tantos momentos marcantes de uma vida.

Num momento de catástrofe nos hospitais do SNS, em particular no Distrito de Setúbal, não se entende esta atitude por parte deste partido, pois demonstra total indiferença e insensibilidade relativamente ao número de infectados e ainda mais às centenas que morrem diariamente. Não fico indiferente, não podemos ficar indiferentes às esperas infindáveis por internamentos, ao sufoco nos cuidados intensivos, ao sofrimento de doentes Covid e não-Covid e das suas famílias.

As pessoas já perceberam que estas medidas são necessárias para evitar o colapso do SNS. Obviamente, ninguém gosta de ficar confinado, mas é o preço a pagar para se puderem salvar vidas e isso prevalece sempre, para os humanistas como eu. E o que dizer dos milhares de enfermeiros, médicos, técnicos, assistentes operacionais que trabalham no limite das suas forças há já 11 meses e que agora são confrontados com uma pressão nos locais de trabalho ainda maior? Nos momentos mais difíceis e complexos são necessárias respostas adequadas, que impliquem a aplicação de medidas fundamentadas pela evidência científica, planeamento estratégico e acção concertada para resolver os problemas das pessoas. Não adianta conservar o poder durante décadas a fio e depois esquecerem-se das pessoas.

A Covid-19 não é a única doença, mas o seu alto grau de contágio, a falta de tratamento 100% eficaz e a elevada taxa de mortalidade em pessoas acima dos 65 anos, sobretudo, as que têm doenças crónicas, mudou o Mundo e quem não percebe isto, continua alheado da realidade. É isso que acontece em pleno 2021 com o PCP.

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