O Pardal e os Falcões – A Greve e os Jogos Eleitorais

Esta semana um artigo de opinião de Samuel Marques, sobre a greve dos motoristas e o posicionamento do Governo.

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A greve estava há muito no horizonte. E o governo sabia bem que isto se ia dar. Aliás isto começou a azedar quando em 2018 se começou por fazer o contrato colectivo de trabalho. Contrato de trabalho esse que as empresas têm vindo a desrespeitar.

Isto com o governo a fazer o jeito ao patronato.

Primeiro dramatizou ao máximo a greve, lançou o pânico geral levando as pessoas a fazer uma corrida aos postos de combustível, tendo-se registado algumas situações de alteração da ordem pública, como nas bombas do Jumbo em Almada.

De seguida não foi pró-activo tentando que a greve não acontecesse.

O governo procurou cavalgar eleitoralmente a situação, tentado virar as pessoas contra os motoristas. O governo tem sido conivente quer por omissão quer por cumplicidade efetiva com o roubo descarado por parte das empresas aos camionistas e aos impostos.

Mas nada disso interessa a António Costa.

Marcelo Rebelo de Sousa afina pelo mesmo diapasão. Se antes do 25 de Abril as greves eram reprimidas, agora são objectivamente sabotadas.

A tudo isto a ANREC vem dizer que os postos REPA, a que alguns foram obrigados a aderir estão a ter perdas se não prejuízos. Os quais, segundo a lei, vão ser apresentados ao governo. Claro que vão ser os contribuintes a pagar a fatura.

Estas medidas de força para com os fracos e aliarem-se ao patronato procurando cercar os motoristas é um erro que poderá sair caro.

Já os livros de estratégia dizem que: “Deve-se dar combate ao inimigo deixando-lhe sempre uma forma de poder retirar. Qualquer exército cercado lutará até ao último homem. E cada homem lutará com a tenacidade de 10 homens.”

Quanto mais tempo esta greve durar mais custos políticos terá para o governo, que está nesta guerra de braço dado com a ANTRAM e não é preciso muito para provar isso, quando o advogado André Almeida que representa a associação dos patrões é militante do PS e tem ligações óbvias ao governo e à gestão de fundos públicos.

E agora ainda há quem diga com a maior desfaçatez que os direitos democráticos dos camionistas estão a ser respeitados??? Ainda há quem critique o Salazar? Então e isto agora é o quê se não o caminho abertamente corrido para limitar o direito à greve no geral.

Basta olhar os pontos abaixo.

Com que então temos no quadro actual:
1º um governo de esquerda que se põe do lado dos patrões num conflito laboral.
2º colocando militares e GNR escoltados pela Polícia, todos pagos pelos contribuintes, a conduzir camiões de empresas privadas.
3º como mão de obra gratuita do Estado ao serviço do patronato.
4º garantindo um serviço gratuito escravizado de motoristas pago pelo governo de esquerda.
5º que é lucro para os patrões que poupam no custo dos trabalhadores.
6º enquanto cobram às gasolineiras o mesmo preço por um serviço que já não é pago pelo patronato.
7º cujo representante nas negociações é militante do partido do governo de esquerda, que contrariando o disposto na lei e direito à greve que sempre afirmaram defender, ameaça de prisão os grevistas recalcificantes.
Se o Salazar ainda fosse vivo hoje diria com certa graça e piada.

“E o ditador fascista sou eu? Ai que galhofa.”

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