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Opinião

O orçamento do cerco

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Caríssimos (as) leitores (as) esta semana vamos falar do orçamento de Estado.

E é preciso que as pessoas entendam, que mesmo com o orçamento aprovado não é líquido que antes do final do próximo ano não tenhamos por aí eleições antecipadas.

E isto um risco bem real. E porquê?

OS SITIADOS

Os sitiados neste momento são o PS e o PCP. E porquê? O PS teria tudo a ganhar se tivesse o orçamento favorável com os votos favoráveis quer do BE quer do PCP. E o que aconteceu foi algo completamente diferente. A GERINGONÇA que funcionou tão bem em quanto houve dinheiro para distribuir para as bandeiras de cada partido.

É o fim da festa, Costa vê-se assim sozinho ao comando das tropas no meio da guerra. Catarina Martins e o seu BE andaram com Costa a aprovar orçamento atrás de orçamento.

Havia dinheiro e mesa farta. Foi uma farra. Deu para tudo. Agora que a massa acabou e vai ser preciso fazer face a despesa social imediata e ao mesmo tempo não deixar derrapar as contas o BE sai fora. Quais pandegos que seguem o individuo que paga as rodadas. Agora saem de fininho. Muita gente já teve amigos dos copos ou amantes espanholas. Estão connosco enquanto estamos a abrir a carteira e pagamos as folias e luxos. Quando acaba o dinheiro desaparecem como o fumo.

Costa andou com o PCP e BE de mão dada desde 2015. Vários orçamentos aprovados. Apenas uma pedra no sapato do Novo Banco. E o Novo Banco não foi nacionalizado como queriam o BE e PCP. Foi vendido com uma garantia de 4 800 milhões de euros. O PCP e BE conseguiram ainda a reversão da privatização da TAP.

Algo que nos vai custar. Costa teve que ceder bastante ao PCP e ao BE e vice-versa. Foi uma união de conveniência e não de confluência. O cimento era Pedro Passos Coelho; as bandeiras de cada um e o acesso ao poder. O PS tinha muita gente para distribuir tachos e tinha as contas do partido nas lonas.  Sim o PS esteve à beira da falência. Convém lembrar quem foram beneficiados, os BOYS. Com o maior governo desde o 25 de Abril imaginem o batalhão de assessores; chefes de gabinete membros de comissões. Mas a festa acabou.

Quanto ao PCP. Este mantém-se estoicamente na geringonça. Mas conseguiu bons ganhos de causa. Contratações para o SNS e escolas. Melhoria das pensões; os aumentos do salário mínimo; os apoios sociais; o apoio às PME. Conseguiu ainda o recuo do PS na questão do aeroporto. A verdade é que o COVID ajudou nesta parte. Costa meteu o aeroporto do Montijo na gaveta mas sem ter que perder a face. Mas o PCP não sai só a ganhar a suspeita e o ataque político de que a festa do Avante e o congresso foram a moeda de troca.

Mas há algo que o PCP está também a ganhar outra coisa que não é imediatamente óbvia é que vai obrigar o PS a ficar amarrado ao governo se isto tudo se afundar. Se a crise de agravar e formos para a banca-rota, o PS não vai conseguir sair de cena.

Ou seja a posição politicamente responsável do PCP vai obrigar o PS a apresentar-se perante os eleitores como responsável político pela situação actual e pela crise e ela acontecer.

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Há ainda a considerar que com o actual jogo de forças. O PCP será provavelmente o aliado natural do PS para segurar o poder. Até porque há a hipótese de crescimento eleitoral do CHEGA.

OS ALIADOS

Nos aliados ficam o PEV; o PAN e as duas deputadas não inscritas em partidos. Que viabilizaram o orçamento com a sua abstenção Sendo que fica a nota do PAN. Viabilizou o OE mas com o aviso de que vai cobrar resultados sociais.

OS SITIANTES

Os sitiantes foram todos os outros PSD; CDS o IL e o CHEGA. Não era crível que algum destes partidos votassem favoravelmente. Até porque queriam que o orçamento se fixa-se mais nas empresas privadas e menos no estado. E no caso do PSD, António Costa dispensou ostensivamente o apoio que Rui Rio lhe poderia dar.

Mesmo com Marcelo Rebelo de Sousa a fazer esforços para que o PSD aprovasse o OE nem que fosse abstendo-se. Já o BE mudar de lado quase à última hora é que escangalhou os planos ao primeiro ministro. As  negociações não foram fáceis e o BE foi esticando a corda impondo cada vez mais linhas vermelhas. Até que à 3 semanas ficou claro que iria mudar de lado a meio da contenda. Fazendo a cena da birra por causa do Novo Banco. Isto depois de ter andado a assinar orçamento atrás de orçamento agora arranjou uma forma airosa de sair de cena.

O ROMBO NA MURALHA

A Fenda na muralha é mesmo o Novo Banco. O PS cercado por todos os lados contando apenas com dois pequenos partidos. E mais o apoio condicionado do PCP que não quis deixar cair Costa para não juntar uma crise política à situação desgraçada e aflitiva em que nos encontramos. O PCP é quem na fotografia sai melhor na fotografia pois apesar de ter votado favoravelmente a proposta do BE viabiliza o OE quase anulando o efeito político negativo desta situação.

O PSD alinhou na jogada. Ainda tivemos a cena caricata dos duas deputados do PSD Madeira e telefonarem para “um amigo” como se estivessem no concurso quem quer ser milionário. Depois tivemos a cena do CHEGA a fazer a cena do totobola 1 X 2. Isto depois de dizer ao BE que a proposta era uma aberração jurídica. Enfim e ainda há quem diga que o homem é de extrema-direita. Nada mais errado !!! O Costa até tentou que o CHEGA viabiliza-se o OE. Imaginem o desespero do homem.

A tudo isto ainda juntamos as contradições de António Costa e Marcelo em Maio na Autoeuropa que diziam que o dinheiro só ia para o Novo Banco após a auditoria.

À ESPERA DA SALVAÇÃO

António Costa está com as calças na mão à espera da bazuca que se calhar nem a fisga vai chegar graças ao Sr Orban por sinal amigo do Costa. O Marcelo poderá ser outra saída com o veto ao orçamento. E ainda os tribunais administrativos.

CONCLUSÃO:

Não tá motivo nenhum para pânico. Isto ainda vai acabar tudo nos tribunais com você senhor(a) contribuinte a pagar os 480 milhões de euros mais as custas dos tribunais e mais os juros desta macacada toda. Mas enfim não se queixem. Até porque não há motivo para queixas. Porque vocês votaram nisto tudo.

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