Editorial

O lobo mau e os capuchinhos amarelos

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As fábulas dos mais pequenos começam todas por “Era uma vez”, mas aqui a minha não vai começar assim, porque não necessito de começar com um “Era uma vez” para dizer o que me vai na alma e o que sinto.

E quando falei atrás em lobos, são figurados, e não os nobres seres de quatro patas aos quais muitos dos ditos humanos nunca se poderão vir a comparar.

Comecemos então pelo início para que perceba esta fábula O Diário do Distrito nos idos de março – quando se iniciou o confinamento ao Covid-19 – lançou a ideia de entrevistar os presidentes das autarquias do distrito de Setúbal, num trabalho intensivo e que devia envolver todos os autarcas de Almada até ao Litoral Alentejano.

Praticamente todos os presidentes aceitaram o desafio, de falar directamente para um jornalista e responder também a questões que fossem surgindo durante a entrevista, talvez por ser e aqui repito, inovador em termos jornalísticos no distrito.

Todos já lemos as entrevistas dadas pelos autarcas, mas seja qual for, será sempre apresentada na visão do jornalista que a realizou e editou.

Assim, ao vivo e a cores, torna-se um novo desafio para ambos os lados, porque não há o ‘isto é em off’ ou o ‘não posso/quero responder a isso’, mas também é preciso uma preparação diferente, para não existirem os tais ‘momentos mortos’.

Como não podia deixar de ser, logo vieram pegar na ideia do Diário do Distrito, assunto sobre o qual falei no meu outro editorial ‘O ideias… E o come ideias!’, a ponto de não podermos anunciar de um dia para o outro o entrevistado, porque se apressavam a fazer uma entrevista horas antes das que havíamos anunciado.

Voltando à fábula, posso dizer como director e jornalista que elaborou as entrevistas, ficámos a ver ‘navios’ com o declínio imediato por parte do presidente da Câmara do Seixal, sendo que os autarcas de Almada e do Barreiro tiveram conhecimento do convite, mas não se dignaram a responder.

No Litoral Alentejano, tivemos a entrevista marcada com o presidente da Câmara de Grândola que à última hora desmarcou ficando prometido uma próxima a agendar em breve.

O mesmo aconteceu com a Câmara Municipal de Setúbal, onde a presidente Maria das Dores Meira aceitou a data apresentada por nós (22 de maio).

Como seria de esperar de um concelho com as características de Setúbal, começámos no imediato a receber muitas questões pelos leitores, enviadas por email para a nossa redação, mas também deixadas na nossa página do Facebook, onde se fazia o anúncio da entrevista.

Pelos vistos, tal manancial de questões terá causado algum receio à digníssima presidente, e poucas horas da hora marcada enviou uma comunicação de que não poderia dar a entrevista desse dia, e que ficaria prometido que na semana a seguir iria fazer a remarcação da mesma.

Da nossa parte, apenas solicitámos que em nome da decência e do comprometido, a senhora presidente mantivesse o Diário do Distrito no topo da sua lista para conceder a entrevista.

De forma a manter o que havíamos prometido aos nossos leitores e também a linha das entrevistas, seguiram-se várias comunicações com o gabinete de imprensa da senhora presidente, que ia ‘empurrando’ para a frente a data.

Dois meses passaram.

Qual não é o nosso espanto (ou não), quando há dias vemos partilhado em vários grupos duas entrevistas da senhora presidente da Câmara de Setúbal, uma delas a um órgão de comunicação de especialidade e a um jornal local.

E como também seria de esperar, não são as questões que os setubalenses ansiavam ver respondidas, mas sobre isso não nos imiscuímos nas linhas editoriais.

O que lamentamos é a falta de ‘tempo’, não apenas para a redação do Diário do Distrito, mas para os munícipes de Setúbal.

Cenário quase semelhante ocorreu em relação ao autarca do Seixal, Joaquim Santos, que quando o convite foi enviado, de imediato o declinou por ‘falta de espaço em agenda’, embora tivesse surgido em duas entrevistas em jornais locais poucos dias antes.

Se calhar aqui temos de dar um pequeno desconto e considerar que foi o coração do edil que falou mais alto, porque se num destes meios de comunicação é colaborador regular, noutro a Câmara Municipal do Seixal participa como que em modo de ‘accionista’.

Isto tudo para dizer o quê? Para dizer que quando fazemos um trabalho em prol das comunidades e das populações, somos sempre o Lobo Mau da fábula aos olhos de alguns, habituados que estão a ser apaparicados e a ordenarem o que querem ou não ver publicado, porque já se sabe que não é com apenas com crowdfundings ou suplementos que se faz dinheiro.

Felizmente o Diário do Distrito tem uma conduta que segue desde 2006, não fazemos noticias, nem entrevistas maquilhadas.

Quero só deixar como nota final o seguinte: Somos um media de âmbito nacional, com mais de 1 milhão de pageviews mensalmente, estamos no top 30 dos sites mais vistos a nível nacional, damos voz a quem mais precisa, mas infelizmente depois temos estes dissabores de ver políticos sem senso comum nem de respeito para com aqueles que vão precisar um dia.

Quem perdeu foram sem dúvida os setubalenses e os seixalenses.

É a vida! Somos o Diário do Distrito.

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