Opinião

O estudante de mérito, tem valor?

Uma crónica de Pedro Janes.

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Reputo como indispensável a qualquer sociedade democrática, a igualdade de oportunidades. Não como uma abstracção, mas como ‘aquela’ realidade   que não dissocia ética de valores ético-morais. Defendo, portanto, uma sociedade que assenta um dos seus pilares fundamentais para o desenvolvimento na Educação. Apostar na formação dos cidadãos implica, também, estar preparado para responder às suas exigências sociais, económicas e políticas. Senão vejamos: Um estudante com evidente entrega aos estudos não tem como garantida, por si só, a sua ascensão social. A envolvência social assim como as condições económicas e financeiras serão desafios a enfrentar, se quiser melhorar os seus conhecimentos seja na formação superior, seja noutra. E é desta fase tão particular da vida de muitos dos nossos jovens de que vos quero falar.

Diferentes condições económicas de alunos, com excelente classificação no ensino secundário, forçam a paragem no seu percurso académico.  Iniciam a atividade laboral, pela necessidade de aumento dos rendimentos do agregado familiar. Outros, por via dos custos da alimentação e do alojamento, optam por ‘adequar’ a sua formação ao curso disponível na instituição de ensino mais próxima de casa. E é este o panorama: um Estado onde as instituições desvalorizam o mérito. Porque se não é aceitável que um aluno com avaliação mediana se veja impedido de progredir nos seus estudos, menos será para quem, apesar de enfrentar inúmeras adversidades, tenha conquistado mérito escolar.

A carência económica não pode impedir os alunos, com aproveitamento elevado, de prosseguir os seus estudos.  Aí, a sociedade civil tem de intervir para exigir do Estado a  justiça e  o desenvolvimento social que quer. Teremos então uma comunidade desenvolvida que   investe no futuro e uma nação comprometida com o seu povo. Investir no desenvolvimento social, promover e fomentar bem-estar económico e financeiro é obrigação de todos. dos governos enquanto representantes   de um ‘estado defensor do bem social’; das empresas enquanto actores participantes no tecido empresarial e económico, social e financeiro e das instituições públicas e privadas, cujas funções têm de atender, cada vez mais, às exigências das sociedades. Todos têm o seu papel social a desempenhar. A A.I.C – Associação de Intervenção Cívica defende que as empresas, mais atentas e receptivas podem apadrinhar alunos cujos cursos interessem às suas áreas de negócio e, dessa forma, apoiarem financeiramente, ou facultando estágios intercalares imprescindíveis na consolidação da matéria lecionada nas escolas. Desta participação, desta tomada de consciência surgirão inúmeras potencialidades para ambos os lados.

Há que recompensar e cultivar o mérito.  Há que apostar na educação.  A capacidade económica não pode ser o travão que pára   o desenvolvimento social.

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