Opinião

O Clube Bilderberg

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O Grupo de Bilderberg foi fundado como uma plataforma para promover a compreensão e a cooperação entre as nações européias e as nações do Atlântico Norte. O primeiro encontro do grupo foi realizado no luxuoso Hotel de Bilderberg, em Oosterbeek, na Holanda, entre 29 e 31 de maio de 1954. Este primeiro encontro reuniu líderes de diferentes áreas.

No primeiro encontro os participantes discutiram questões importantes da época, como a situação política e econômica da Europa, a relação entre a Europa e os Estados Unidos e a situação internacional em geral. Além disso, eles também debateram sobre a ameaça soviética e a defesa da Europa, bem como o papel das organizações internacionais e os desafios da economia mundial. Desde então, esses encontros anuais continuam a reunir líderes de diferentes áreas para discutir temas relevantes e importantes para o mundo atual.

Os encontros são preparados com uma elevada segurança, para garantir a privacidade e segurança dos participantes.

Pinto Balsemão desempenhou um papel importante na direção do Grupo Bilderberg ao longo dos anos. Como jornalista e político português, ele foi um dos fundadores do grupo, durante as décadas seguintes, exerceu a função de presidente, encarregado da organização dos encontros anuais. Atualmente, essa posição é ocupada por Durão Barroso, um frequente participante do Grupo Bilderberg e considerado um de seus líderes.

De acordo com os organizadores, os encontros do Clube Bilderberg são simplesmente uma oportunidade para que líderes influentes possam discutir questões importantes de forma informal e sem pressão, promovendo uma troca valiosa de ideias e perspectivas. Não há votos ou resoluções definitivas sobre os temas discutidos. No entanto, devido à influência dos membros convidados, é possível considerar os encontros de Bilderberg como um “encontro da superclasse” e seus participantes como parte desse grupo de elite global descrito por David Rothkopf em seu livro “Superclasse: A Elite de Poder Global e o Mundo que Ela Está a Construir”. Rothkopf define a “superclasse” como um pequeno grupo de pessoas extremamente poderosas e influentes que exercem um controle significativo sobre os assuntos globais.

Esses indivíduos e organizações formam uma rede interconectada de poder e influência que é capaz de moldar a política global, a economia global e a opinião pública. A superclasse tem acesso a recursos e informações que não estão disponíveis para a maioria das pessoas, e essa vantagem lhes permite tomar decisões e implementar políticas que afetam a vida de milhões de pessoas em todo o mundo.

A particularidade do Clube Bilderberg é uma forte representação de líderes dos Estados Unidos e Europa, podendo considerar tratar-se de um encontro de elite ocidental. 

Relativamente aos aspectos positivos e negativos, é importante notar que a existência de encontros como este podem ser vista de forma ambígua. Por um lado, pode-se argumentar que a influência que detém pode ser usada para tomar decisões e implementar políticas que beneficiem a humanidade. Por outro lado, a verdade é que a falta de diversidade entre os participantes do Grupo de Bilderberg pode resultar em uma falta de perspectivas distintas e soluções alternativas. Como tal, é possível que o grupo possa considerar a população como um conjunto menos poderoso e menos influente, cujos interesses e opiniões não são tão valorizadas ou relevantes, o que pode levar a uma maior preocupação em preservar os interesses e posições de poder próprios.

Ademais, a falta de transparência e representatividade, pode desencadear uma descrença em grupos como o Bilderberg Meetings e a sensação de que os interesses e opiniões da população não estão a ser tidos em consideração, o que pode suscitar sentimentos anti-elitistas e aumentar a desconfiança em relação ao sistema político e económico global.

O que não podemos descartar é que a guerra na Ucrânia e as tensões entre a Rússia e a União Europeia têm desencadeado uma nova ordem mundial multipolar, com vários países e regiões a buscarem aumentar a sua influência e poder global. Isso tem colocado desafios à globalização e à cooperação internacional, tais como o aumento do protecionismo económico e o endurecimento das relações políticas entre as potências mundiais.

Este novo encontro do Clube Bilderberg, que provavelmente irá ocorrer em Portugal, poderá ser uma oportunidade para debater como a globalização poderá se adaptar e persistir diante desta nova ordem mundial multipolar. É importante que, em meio a tantas narrativas desonestas e tendenciosas disseminadas pelos meios de comunicação, que acendem os ânimos e paixões em torno de uma guerra cruel e que tem tido um alto custo para os mais desfavorecidos, prevaleça a necessidade de promover a estabilidade e segurança num mundo cada vez mais complexo e desafiante.

Caso essas soluções não sejam encorajadas através da influência dos líderes ocidentais, o povo europeu, já afetado pela corrupção sistêmica, por uma pandemia completamente alienada que colocou em causa os próprios fundamentos do humanismo e da democracia europeia, e pelo aumento brutal do custo de vida, não hesitará em se erguer em uma revolução dolorosa, tal como tantas outras já ocorreram na história da Europa.

A narrativa não é à prova de bala. É tempo de perceber isso.

Felipe Damasceno, Secretário do Conselho Nacional do Partido ADN – Alternativa Democrática Nacional


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