Opinião

O César do Qatar

Uma crónica de Bruno Fialho

Há precisamente 5 meses escrevi um artigo neste jornal sobre o próximo mundial no Qatar e a hipocrisia que é fazer um campeonato do mundo de futebol num país onde os Direitos Humanos, simplesmente, não existem.

Mal sabia eu que, quando escrevi esse texto, já havia um português ilegalmente detido nesse país, apenas porque denunciou a precaridade laboral que existe na companhia aérea Qatar Airways, onde ele trabalhava.

O nome desse português é César Ferreira e ele tem o azar de não ser ucraniano, paquistanês ou afegão, caso contrário, António Costa ou algum dos seus delfins já o tinham ido buscar ao Qatar e ele já cá estaria a viver com um apoio social de, pelo menos, mil euros mês e uma casa oferecida.

A situação do César Ferreira faz-me recordar Mafra, local onde cumpri com orgulho o serviço militar, nomeadamente na Escola Prática de Infantaria (EPI), onde a nossa divisa tem escrito “AD UNUM”, ou seja, “ATÉ AO ÚLTIMO”, lema que invoca Leónidas I, rei e general de Esparta e a batalha de Termópilas, onde ele morreu e que até hoje perdura o mito da luta dos 300 guerreiros Espartanos contra o Rei da Pérsia.

Depois da EPI em Mafra fui colocado a dar instrução no Campo Militar de Santa Margarida, no 2.º BIMEC, onde também não se abandonava ninguém, seja em que situação fosse.

Percebo que para os membros do Governo lhes seja difícil perceber que não se abandona ninguém, primeiro nunca serviram o país, só se serviram dele, depois, porque têm vivido toda a vida no pantanal que é a política portuguesa, onde o lema é “abandona todos, para conseguires vencer”, tal como fez António Costa ao seu antecessor no PS, António José Seguro, que lhe deu uma facada nas costas, como é seu apanágio.

Neste momento, sinto vergonha por constatar que a maioria dos portugueses faria mais pelo César ferreira se ele fosse estrangeiro, pois, até agora, ele só teve apoios nacionais do ADN, da associação Habeas Corpus e, mesmo não simpatizando com a pessoa em questão, não posso deixar de o referir, do Marques Mendes, que fez um apelo na sua rubrica semanal na televisão.

Assim, apelo a todos os portugueses, mas em particular aos que colocaram uma bandeira de outro país no seu perfil das redes sociais e até nas varandas das casas desde fevereiro, que façam algo pelo César Ferreira e que, pelo menos, enviem massivamente uma carta para a caixa de correio electrónica da Secretaria-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros, a exigir que o Governo faça algo pelo português ilegalmente retido no Qatar.

Deixo aqui o correio-electrónico da Secretaria-Geral do MNE: secgeral@mne.pt

Não se esqueçam, o César do Qatar é português e nós não deixamos ninguém para trás, é AD UNUM!


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