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“O Amora tem o maior potencial do concelho”

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O Presidente do Amora Futebol Clube, Carlos Henriques, falou ao Diário do Distrito sobre a época desportiva do clube, abordando ainda o tema do novo estádio e a polémica com o Paio Pires, Seixal e Arrentela.

Como é que o Amora geriu a situação da pandemia, e que medidas foram tomadas?

A partir do dia 7 de março suspendemos todas as atividades, o que fez com que os juvenis, que estavam para subir de divisão, não subissem. Por outro lado, também tiramos partido da pandemia, pois os juniores estavam para descer, e tal acabou por não acontecer. Acabámos por não ter atividade nenhuma entre março e junho, mesmo a nível de relações com a comunidade. As instalações estiveram praticamente fechadas durante esse período, devido a prejuízos como o pagamento de cotas, mas acatamos as ordens da Direção-Geral de Saúde e da Federação, e tivemos de nos moldar.

 

Conseguiram manter todos os postos de trabalho?

Cumprimos com tudo o que havia para cumprir com a equipa sénior e com o futebol feminino, que é quem recebe alguma coisa aqui no Amora. Recorremos inclusive a um empréstimo da Federação, que abriu essa particularidade para os clubes. Não pedimos o empréstimo na totalidade, mas beneficiamos da ajuda.

 

Já voltaram aos treinos?

Os seniores femininos voltaram aos treinos na primeira semana de agosto, com as devidas precauções, mas ainda está tudo a meio gás, porque não temos a certeza de que vai começar o campeonato, embora esteja previsto para meio de setembro. Não há datas de sorteio, nem nada disso.

 

“Não temos recursos para controlar os atletas. Há que confiar no jogador”

 

O Amora tem recursos para controlar os atletas, no sentido de fazer testes de despiste à COVID-19 frequentemente?

Não tem. Nem o Amora, nem os outros clubes que estão nestes campeonatos nacionais. A primeira Liga é talvez a única que tem equipas com condições para fazer esses testes, dentro daquilo que é exigido aos jogadores, porque custa muito dinheiro. As equipas da segunda liga não tiveram hipótese, quanto mais as do Campeonato de Portugal. No entanto, demos apoio no caso dos jogadores terem algum problema, mas não houve nenhum alarme.

Tem de se confiar no atleta, não sabemos o que se passa. Há pais de atletas nossos que não se importam de dizer que os filhos tiveram o vírus, e há outros que se calhar tiveram e não disseram. É uma forma de proteger os miúdos.

 

“A época não decorreu como estávamos à espera. Tínhamos obrigatoriamente de ficar nos primeiros lugares “

 

Que balanço faz da última época no futebol masculino sénior?

A época não decorreu como estávamos à espera. Com o investimento que tinha sido feito, tínhamos obrigatoriamente de ficar nos primeiros lugares. Mudámos muitas vezes de treinador, com alguns jogadores a saírem pelo meio e outros a entrarem. Mas naquela fase em que a pandemia chegou a Portugal, o Amora estava a solidificar uma ideia de jogo que o treinador da altura tinha, o Rui Narciso, que foi o terceiro técnico dessa época. Vínhamos de quatro ou cinco jogos sem perder, e penso que iriamos partir para um final de época descansado.

No ano passado fizemos uma boa época. Esta já não foi tão boa, mas também é fruto de alguma oscilação daquilo que é uma dinâmica e organização de um clube que saiu dos distritais para os nacionais, e que encontra uma realidade diferente, com um Campeonato de Portugal quase profissional.

 

E no futebol feminino?

Tentámos preparar uma equipa que nos desse garantias para subir de divisão, embora o futebol feminino tenha particularidades completamente diferentes. É um bocado mais fácil atingir objetivos na vertente feminina se as coisas forem bem feitas, porque não há tantos clubes como no futebol masculino, nem tantas atletas. Uma equipa com duas ou três atletas boas já faz diferença, e acho que o Amora, se não tivesse subido de divisão, iria ficar muito perto de conseguir esse objetivo. Acabámos por subir, e o grupo de trabalho esteve muito bem, mereceu a subida.

 

“No distrito de Setúbal não existe uma infraestrutura com a qualidade que o nosso estádio terá”

 

A construção do novo Estádio está nas mãos da Câmara Municipal do Seixal, mas já se prolonga há algum tempo. O que se passa?

O novo Estádio já se “arrasta” desde 2017, quando foi assinado o protocolo. No princípio a ideia era partir para um concurso publico e para outras pré-formalidades. O Amora tentou, junto da Câmara Municipal do Seixal, algumas possibilidades de contornar essas pré-formalidades, e conseguimos arranjar uma engenharia financeira, que foi aprovada em Assembleia Municipal, de modo a poder fazer o estádio, tendo o Amora os investidores financeiros.

O edital da aprovação em Assembleia Municipal diz que o plano de pagamentos será de 1 milhão este ano por parte da Câmara, e 1 milhão para o próximo ano. Se há 1 milhão este ano, a ideia é que a obra comece em breve. Espero que seja o mais rápido possível, para no ano de 2021 e nos 100 anos do Amora, existir realmente o estádio com algum adiantamento em relação à sua construção, de forma a podermos festejar esse feito. É uma construção que a todos nós beneficia, quer seja ao Amora, quer seja à cidade da Amora, ao concelho do Seixal e ao próprio distrito de Setúbal, porque no nosso distrito não existe uma infraestrutura com a qualidade que esta terá.

O atual Estádio da Medideira, onde joga o Amora Futebol Clube

Será um Estádio com quase 5 mil lugares e dois patamares de bancada. 3 mil no primeiro patamar, e 1 e 200 no segundo. É importante que a Câmara Municipal esteja preparada para responder rapidamente àquilo que vai sendo solicitado, e espero que toda a gente esteja consciente que isto vai ter de ser uma obra feita rapidamente. O Amora não pode estar tanto tempo sem jogar aqui no campo, e a obra não se pode perder no tempo.

 

“O Zuneid foi infeliz naquilo que disse, e não o devia ter dito de maneira nenhuma”

 

O Zuneid Sidat disse numa entrevista que “O seixal, o Arrentela e o Paio Pires estão mortos, e que este é o momento para enterrar de vez o Seixal e agarrar os seus adeptos”. Revê-se nestas palavras?

Não, e já tive o cuidado de dizer isso aos clubes citados. Mas acho que essas palavras estão a ser interpretadas no sentido que dá mais jeito. Não há aqui, da parte do Amora, nenhuma animosidade contra o Seixal, Paio Pires e Arrentela. É evidente que o Zuneid foi infeliz naquilo que disse, e não o devia ter dito.

Aliás, ele quando disse isso já nem era, oficiosamente, administrador da SAD do Amora, portanto estaria à vontade para não ser politicamente correto. A nossa SAD já está nas mãos de uma empresa americana. Mesmo assim, não devia ter dito aquelas palavras de maneira nenhuma. Eu não acho que o Seixal esteja morto, porque está a trabalhar bem. É verdade que tanto o Paio Pires como o Arrentela, nos últimos anos, perderam alguma evidência e notoriedade que viriam a ter, mas penso que também foi fruto do crescimento do Amora.

 

“Em 2012/2013, o futebol de formação do Amora quase não existia”

 

Enquanto presidente do Amora, não tenho problema nenhum em analisar o seguinte: em 2012/2013, o Amora tinha as equipas de juniores, juvenis e iniciados para descer de divisão. Futebol de formação quase não existia. Para mim, isto é o que eu considero um clube que está em dificuldades. O Amora ocupava o 20º lugar no ranking do futebol do distrito de Setúbal. Nessa altura, o Arrentela e o Paio Pires estavam em lugares de destaque, principalmente no futebol de formação.

Ou seja, o Paio Pires e o Arrentela estavam muito fortes naquela altura. Mas com o aparecimento do sintético do Amora, o clube cresceu. Todos dizem que o Amora é ajudado, mas fomos os últimos a ter um relvado sintético. E para ter um campo destes, o Amora teve de fazer uma parceria e hipotecar o seu espaço, porque não tínhamos dinheiro. Eu sabia perfeitamente que iríamos crescer com o sintético, porque em termos de futebol, somos os que temos o maior potencial do concelho.

 

Porque diz isso?

Porque o clube está enquadrado numa zona do concelho que é propicia a isto. Cruz de Pau, Foros de Amora, Fogueteiro, Paivas. Há aqui montes de gente, montes de miúdos a querer jogar futebol. E eu sabia que se o Amora fizesse esse trabalho e começasse a colocar equipas nas divisões nacionais, os melhores miúdos queriam vir jogar para o nosso clube, o que é perfeitamente natural.

 

“O ano fatal para o Paio Pires foi quando saíram 300 e tal miúdos para o Seixal, e o futebol feminino para o Amora”

 

O Seixal em 2012/2013 praticamente também não tinha formação, fruto das más condições, porque jogavam no campo de terra do Albano. Mas começou a crescer assim que teve as condições para tal, e com isso houve uma flutuação de miúdos de um lado para o outro, é a realidade.

Durante bastante tempo o Corroios dominava a formação do concelho, mas para mim, houve um ano fatal para o Paio Pires: Foi quando saíram 300 e tal miúdos do Fusco para o Seixal e saíram também as jogadoras de futebol feminino para o Amora. O Paio Pires está com dificuldades em ter lá miúdos por força do acordo que foi desfeito com o Fusco.

 

“O Amora foi abordado, há dois anos, pelo Arrentela e pelo Paio Pires para ajudar”

 

Preocupa-o o que se está a passar com estes clubes?

Claro que me preocupa, porque eu sou do concelho do Seixal, vivo aqui, e se puder ajudar, vou fazê-lo. Aliás, o Amora foi abordado, há dois anos, pelo Arrentela e pelo Paio Pires para ajudar, e nessa altura, tanto um como o outro, enalteceram o trabalho que o nosso clube está a fazer.

Agora, se gostava de ter equipas mais forte no concelho? Claro que sim. Gostava de ter por exemplo, um Paio pires mais forte, e atenção que têm potencial para crescer, condições e instalações. O Seixal está forte, está a fazer o seu trabalho, tal como nós. O Arrentela também, na minha a opinião tem o melhor estádio do concelho.

 

“O Amora pediu desculpa ao Seixal, Paio Pires e Arrentela. Solicitámos uma reunião, mas os clubes rejeitaram”

 

Mas agora com isto tudo até parece, que afinal, o Amora é o mau da fita porque houve um senhor que fez aquelas declarações. Fizemos um comunicado a pedir desculpa aos clubes, e eu acabei pessoalmente por fazer uma publicação no Facebook.

Escrevemos ainda um e-mail para o Seixal, Paio Pires e Arrentela a pedir desculpa, solicitando uma reunião em que terminaria com um almoço, com o convite a chegar inclusive à Associação de Futebol de Setúbal e à Câmara Municipal para se juntarem a nós. Os clubes rejeitaram.

Eu sei para quais são os lados que estes clubes querem levar isto, porque há aqui a intenção de mostrar que o Amora está a ser mal ajudado, e que não merece esta ajuda. Este é o interesse, e não tenho problema nenhum em falar nisto, porque é aquilo que eu sinto. O Amora fez o que tinha a fazer, que era desmarcar-se das declarações e pedir desculpas.

O Paio Pires e o Seixal chegaram a recorrer à associação para o Amora ser castigado, já depois de terem recebido as desculpas e terem recusado, pedindo ainda uma reunião com o Vereador do desporto.

 

“Há receio de que o Amora cresça. Com o novo estádio, ficamos com condições para ser um dos maiores clubes do distrito”

 

O Zuneid disse ainda que “o Amora tem potencial para ser o maior clube da Margem Sul, mas não o vai conseguir sem o novo Estádio”. Concorda?

Concordo, mas há aqui algum receio de que o Amora cresça. Eu fico admirado como é que o Paio Pires e o Arrentela dizem: “O Amora vem buscar-nos os miúdos”. Pois vai, o Amora vai buscar os melhores. E ao Amora, quem vem buscar os melhores? O Cova da Piedade, Vitória de Setúbal, Belenenses, Benfica e Sporting. E nós não nos queixamos, temos de continuar a fazer o nosso trabalho. Se o Amora está nas divisões nacionais, é evidente que os melhores que estão espalhados pelo concelho e pelo distrito querem vir jogar para cá.

Com um novo estádio o Amora fica com umas condições para poder ser um dos maiores clubes do distrito. Mas isso já o somos, porque o Amora, a par de vários clubes como o Cova da Piedade e o Vitória de Setúbal, tem equipas nos nacionais. No concelho, somos o único clube que tem equipas nos nacionais, mais nenhum. Neste momento somos o clube que tem o maior número de votos na Associação de Futebol de Setúbal.

 

E em relação ao Campo do Serrado?

É evidente que o Amora, com a construção do Campo do Serrado, vai crescer. Mas para ter condições para levar público, ainda falta um bom bocado. Aquele campo nasce através de um apoio muito bom que a Câmara Municipal tem dado ao Amora, e que tem marcado a diferença pela excelência do espaço e da obra. Mas o que as pessoas não sabem é que tivemos de abdicar de património para fazer aquele campo. Felizmente, a Câmara deu-nos a mão.

 

“Quando cheguei ao clube, nem luz tínhamos. As equipas andavam a levar 7 e 8, era impensável

 

Desde que chegou, em 2013, mudaria alguma coisa do que fez?

O Amora em 2013 estava para acabar, e quando eu entrei não senti ninguém preocupado. A Junta de Freguesia da Amora foi a única a dar apoio, porque os outros clubes… nada. O Amora há 7 anos estava morto, e quase enterrado. Nem luz tínhamos. Um clube quando não tem luz, se não está morto, está o quê? Tínhamos 150 atletas, e as equipas andavam a levar 7 e 8, o que era impensável.

Carlos Henriques com um quadro do seu pai, Cesário Henriques, que também foi presidente do Amora em 1964/65

A nossa preocupação foi tentar perceber a contas correntes que existiam com a Segurança Social, Finanças, Federação, Associação de Futebol de Setúbal e por aí fora. O Amora devia a toda a gente nessa altura. Na Federação até fomos aconselhados a mudar de nome, mas felizmente conseguimos erguer o clube e ir pagando as dívidas.

A vertente desportiva era importante para os sócios voltarem a estarem animados à volta do clube, e nos 5 anos seguintes conseguimos quatro segundos lugares e um primeiro lugar nas distritais. Isto juntou os adeptos, nunca se desligaram.

 

“No dia em que cair a primeira pedra para construir o estádio, o Amora vai voltar a subir”

 

A curto prazo, onde vê o Amora?

Tenho a noção que no dia que começarem as obras no estádio, vai aparecer uma força ainda maior do que temos tido até agora, e isto é fruto daquilo que é o estado emocional das pessoas e dos sócios. Quando subimos à primeira divisão, em 1980, eu jogava no amora e vi exatamente o que aconteceu: Deu-se um ‘boom’ em termos daquilo que era o interesse das pessoas pelo clube, que apanhou todo o concelho. Muitos vieram ver os jogos e tornaram-se sócios.

Isso vai voltar a acontecer no dia em que começarem as obras do Estádio. Neste momento temos 1.501 sócios, e não tenho duvidas que no dia em que cair a primeira pedra, e que as pessoas começarem a vir ver o Amora, vamos voltar a subir. Há clubes que nunca chegam a passar dos 1.000 sócios e já estão na segunda liga. Mas aqui é diferente, porque as pessoas gostam do Amora, é um clube que gera entusiasmo, e estou convencido que é o Estádio que falta.

O Diário do Distrito já marcou uma entrevista com os responsáveis do Paio Pires Futebol Clube, e está também a tentar encontrar a melhor data para agendar com o Seixal 1925, tendo já realizado contactos com o Atlético Clube de Arrentela para o mesmo efeito.

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