Montijo

Nuno Canta garante ‘averiguação’ de queixas dos Bombeiros Voluntários do Montijo

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O debate da tarde da reunião camarária desta semana no Montijo centrou-se no vídeo lançado nas redes sociais pelo vereador João Afonso (PSD/CDS-PP), que se iniciou com uma questão levantada pelo vereador Carlos Almeida (CDU) ao executivo sobre a situação nos Bombeiros Voluntários do Montijo, “onde um alto quadro da organização referiu que ‘está o caos instalado’ e que ‘há pessoas a morrer no Montijo’, o que nos deixou profundamente alertados.

Recordo algumas propostas que foram aprovadas com apoios financeiros diversos. Aqui ou temos uma situação em que a gestão PS traz a esta casa um conjunto de apoios que não são o que os bombeiros necessitam, face ao seu passivo; ou os bombeiros pedem A e a Câmara Municipal dá B; ou ainda fazem chegar à autarquia necessidades que não são as reais.

Além disso, devia saber que este assunto seria levantado aqui nesta reunião e deveria ter vindo preparado para responder a estas questões e dar uma explicação cabal sobre o assunto.

E queremos também uma reunião o mais cedo possível do Conselho Local de Segurança, e que o mesmo emita um documento sobre a situação dos BVM.”

O presidente Nuno Canta considerou que “esta questão é absurda da forma como foi abordada. Não sigo vídeos, nem as estratégias de falsidade do vereador do PSD, que usa as redes socais para lançar o alarme social, de forma infantil, irresponsável e populista.

Mas como agora trás esse assunto à reunião, aceito o que me diz e irei no imediato contactar o Comandante dos Bombeiros e o presidente da Associação Humanitária, e comprometo-me a trazer na próxima reunião camarária um ponto da situação.”

Segundo Nuno Canta “esta autarquia dá um apoio significativo aos nossos bombeiros e isso até foi reconhecido a nível nacional. Colocámos ao serviço dos bombeiros do Montijo cinco novas ambulâncias nos últimos anos e não admito que afirmem que não há resposta de socorro. Não falha um cêntimo de apoio aos bombeiros todos os meses, e até já fizemos antecipação de verbas. Além disso, são essas entidades que nos informam sobre as suas necessidades e com quem estabelecemos aquilo que a Câmara pode disponibilizar.

Sempre estivemos disponíveis para falar com todas as entidades e fiquei perplexo com esta questão. Não compreendo porque é que através de um filme que se trás algo assim para a praça pública não havendo a preocupação, quer do presidente da AHBVM ou do comandante dos Bombeiros, de nos terem transmitido antes essas questões, ou até do vereador do PSD questionar o presidente sobre o assunto.”

O principal visado da discussão, João Afonso, interveio depois para esclarecer o vídeo que realizou com os responsáveis dos Bombeiros Voluntários do Montijo e partilhou nas redes sociais.

“Espanta-me que diga que não sabe de nada sobre a capacidade financeira e operacional dos bombeiros, porque como edil devia dominar esta matéria, é autarca há vinte anos e tem o pelouro da Proteção Civil Municipal.

Este assunto é de enorme seriedade, com questões de enorme importância no socorro à população, e fundamentais na vida autárquica. Apelida-me de irresponsável, mas é ao vereador do PSD/ CDS-PP que chegam estes assuntos, que considero de interesse público relevante, e por isso entendi ser urgente passar essa situação para o domínio público.”

Seguidamente o vereador apontou os vários problemas que lhe foram transmitidos: “estão a perder serviços do CODU diariamente; as ambulâncias estão a sair sem as equipas formadas; os barcos de socorro estão inabilitados para o socorro, porque perderam o alvará; há ambulâncias a circular apenas com socorrista e motorista; das 6h30 e 8h00 não há serviço de emergência por falta de operacionais; faltam operacionais para a EIA, equipa de combate e equipa de registo, que têm de estar também agregados a outros serviços; o carro de combate de incêndios industriais esteve parado mais de um mês por falta de verba para o arranjo e duas viaturas de combate a incêndios urbanos estiveram inoperacionais; falta fardamento adequado para os bombeiros assalariados e os BVM perderam a candidatura do Programa 2020 de meio milhão de euros para modernizar o quartel, porque a candidatura foi entregue fora de prazo, quando todo o telhado tem de ser removido e as camaratas arranjadas.”

Segundo o vereador “não está em causa que a Câmara Municipal não apoie os bombeiros, mas sim que a Câmara Municipal, sabendo desse facto, não atribui aos bombeiros o valor mínimo necessário para garantir a operacionalidade da corporação, porque não transfere as verbas suficientes e reclamadas pelos bombeiros, colocando-os assim numa situação de crise profunda.”

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Em resposta  Nuno Canta frisou que “não existe nada na Lei das Finanças Locais que indique que cabe às Câmaras a gestão dos problemas dos bombeiros, mas nos últimos seis anos a autarquia transferiu 1,2 milhões de euros aos BVM.

Mais uma vez o vereador diz coisas ao vento, não pensa as coisas a sério e com as acusações que aqui fez está a colocar em causa a direção da corporação. Os temas que levantou não têm nada a ver com a autarquia mas sim com a Associação Humanitária dos BVM. O presidente sabe as suas limitações e não mete ‘o bedelho’ nas associações.”

O edil explicou depois que “a Câmara Municipal estabelece com os bombeiros relações institucionais, mas não fazemos a gestão de ambulâncias, das respectivas equipas, ou da falta de fardas. Da minha experiência nas várias ocorrências onde estive presente em nome da Protecção Civil Municipal nunca vi ambulâncias sem as equipas completas. E do tratamento que tenho no terreno com os bombeiros, não tenho conhecimento dessas situações.

Posso dizer que tanto os operacionais do Montijo como de Canha funcionam com grande operacionalidade, o que nos deixa com grande orgulho.

Ninguém está a colocar em causa as suas afirmações, até acredito que tenha as suas ‘toupeiras’ e que trás com convicção esse assunto à praça pública, por isso e como responsável pela Protecção Civil Municipal vou tomar como verdadeiras as questões que aqui trouxe, e falar no imediato com o presidente da Associação Humanitária e o Comandante, mas também lhe digo que há entidades superiores que fiscalizam esses órgãos.”

Acerca das acusações sobre a falta de pagamento o presidente garantiu que “a Câmara Municipal pagou tudo até ao último tostão do que foi aprovado em protocolos e temos vindo a negociar com as corporações sucessivos acrescentos para os dotar de maior capacidade financeira, embora tenhamos noção de que é sempre insuficiente”.

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