Parceiros
Opinião

NEM OS PARALÍMPICOS RUSSOS “SE SAFAM”

Uma crónica de Bruno Fialho.

- publicidade -

Decorreu ontem, dia 4 de março, a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno para os atletas com deficiência.

A mascote destes jogos chama-se “Shuey Rhon Rhon”, juntando todas as palavras, o significado do nome completo da mascote visa promover uma maior inclusão para as pessoas com deficiência na sociedade, e mais diálogo e entendimento entre as culturas do mundo.

É irónico que o nome da mascote seja esse, porque um dia antes do início dos jogos, com a desculpa da invasão russa da Ucrânia, alegadamente com apoio bielorrusso, o Comité Paralímpico Internacional (IPC) anunciou que os atletas da Rússia e da Bielorrússia não iriam poder participar nos Jogos Paralímpicos de Inverno Pequim 2022.

Não sei qual é a decisão menos inclusiva, se a da exclusão dos atletas ou aquela que tinha sido tomada no dia anterior pelo IPC, quando este organismo decidiu que os atletas da Rússia e da Bielorrússia podiam participar nos Jogos, mas sob bandeira neutra e sem serem incluídos no quadro de medalhas.

Considero que há muito que o espírito olímpico não existe na maioria dos desportos, pois os atletas são na sua maioria profissionais, mas nos Jogos Paralímpicos esse espírito estava muito vivo, pois, na sua maioria, são pessoas que têm de superar uma verdadeira olimpíada no seu dia-a-dia.

Recusar permitir que atletas com deficiência possam participar nos jogos olímpicos, por si só, já é vergonhoso, mas comunicar essa decisão um dia antes do início dos Jogos é completamente frustrante e penoso para esses atletas.

Para quem não sabe, em 1964, até os atletas paralímpicos da Africa do Sul, numa altura em que vigorava o regime do apartheid nesse país, puderam disputar os Jogos Olímpicos.

Apenas em 1980, quando o Parlamento holandês declarou que a participação da África do Sul nos Jogos desse Verão seria indesejável, é que os atletas da Africa do Sul ficaram proibidos de participar, situação que se alterou em 1992, depois do apartheid ter chegado ao fim.

Concordo que se recuse a participação de atletas que apoiam e vivem num país onde está implementado um regime de segregação racial.

Já não concordo que se discriminem atletas a quem não se perguntou se apoiam uma determinada guerra e que fazem grandes sacrifícios, que a maioria das pessoas não conseguiria fazer e nem tem noção dos mesmos, para poderem participar nos Jogos Olímpicos.

Agora, discriminar atletas paralímpicos unicamente pela sua nacionalidade (russa e bielorrussa) é dantesco e revelador que o espírito olímpico já não existe há muito tempo.

Posto isto, evidentemente que estou solidário com o povo ucraniano que está a sofrer horrores de uma guerra que não devia estar a acontecer, mas não posso aceitar que tudo seja permitido para fazer vingar uma posição contra um líder de outro país.

Os cidadãos russos também não são culpados pela guerra, principalmente os seus atletas paralímpicos.

- publicidade -

E também julgo que não é assim que vamos conseguir alcançar a paz na Ucrânia, porque ódio gera mais ódio e vingança é geradora de mais vingança.

Com todo o respeito pelas vítimas desta guerra, questiono-me se os atletas paralímpicos russos fossem adeptos da ideologia de género, será que o Comité Paralímpico Internacional (IPC) teria a coragem de os expulsar?

Será que o enorme lobby das letras do abecedário iria consentir que um dos deles fosse discriminado?

Da próxima vez (espero que não haja próxima vez) os paralímpicos russos têm de ser mais espertos, senão “não se safam”. Eles têm de fazer igual àqueles atletas que nem sequer conseguiam participar nos Jogos Olímpicos e que agora, ao dizerem que se sentem uma mulher, até já ganham medalhas.

O mundo está mesmo ao contrário: os governos discriminam quem deviam apoiar (atletas com deficiência), que jamais deveriam ser discriminados pois vivem esse drama no dia-a-dia, mas apoiam de uma forma doentia pessoas que decidem que o mundo e a ciência é que se tem de adaptar às suas opções.

Por último, espero que a guerra na Ucrânia termine rapidamente para que não haja mais vítimas inocentes.


Sondagem | Tem condições para acolher refugiados ucranianos em sua casa?
VOTE AQUI!
Sabia que o Diário do Distrito também já está no Telegram? Subscreva o canal.
Já viu os nossos novos vídeos/reportagens no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!
Siga-nos na nossa página no Facebook! Veja os diretos que realizamos no seu distrito

Escreva um comentário