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‘Não temos registo de anormalidades nos serviços de apoio a ucranianos em Setúbal’

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O presidente da Associação de Ucranianos em Portugal, Pavlo Sadokha, interveio na Assembleia Municipal de Setúbal que decorreu esta sexta-feira, para uma declaração acerca das notícias que vieram a público sobre a recepção de refugiados ucranianos por cidadãos russos ligados ao regime de Putin.

“Todos vivemos uma situação dia a dia muito difícil não apenas os ucranianos, mas todo o mundo, ao ver como morrem todos os dias mulheres, crianças e homens que não são soldados, mas cuja única culpa para morrerem é apenas por serem ucranianos” e frisou que “esta guerra não começou agora, a preparação para esta matança dos ucranianos não é de agora, começou há muito tempo”.

Pavlo Sadokha referiu também que “já há muito tempo que alertámos em Portugal o Alto Comissariado para as Emigrações de que existem organizações dos migrantes que não se identificam como organizações russas, e que estão reconhecidos pelo Alto Comissariado como organizações ucranianas, mas que têm ligações directas à Embaixada Russa e à Agência de Propaganda Russa e que fazem parte do programa de ideologia fascista russo de matar ucranianos, de fazê-los desaparecer deste mundo.”

É inaceitável que os refugiados que fogem da guerra, e que têm vindo a ser tão bem recebidos em Portugal, onde os portugueses lhes dão tudo o que precisam, que organizações que sempre fizeram parte da propaganda e espionagem russa estejam a ajudar a acolher estes ucranianos.

O facto que foi aberto pelos repórteres portugueses de uma ucraniana interrogada sobre dados pessoais e pela localização do marido, já sabíamos que ia acontecer, porque sabemos como trabalham os agentes da Rússia, e isso trás perigo para todos os refugiados e para quem lá ficou a defender a nossa Pátria.

É também inaceitável que os ucranianos que fugiram dos russos, venham para Portugal, um país que defende a democracia, e caiam novamente nas mãos dos russos. E todos nós temos de impedir estes casos no futuro.”

Pavlo Sadokha deixou ainda um apelo: “não podem continuar a existir agências de propaganda russa num país de direito como Portugal e todos nós temos de impedir estes casos que  essas pessoas continuem a influenciar a comunidade ucraniana que agora a defender o seu país e a sua vida”.

Executivo expressa solidariedade para com o povo ucraniano

O presidente da Mesa da Assembleia Municipal, Manuel Pisco frisou que “todos os membros desta assembleia, do executivo municipal, toda a população de Setúbal e de Portugal está solidária para com o povo ucraniano.

Temos demonstrado isso, por todos os meios, e se há falhas no processo, elas serão corrigidas.”

E garantiu ainda que “não creia que a Câmara Municipal e Assembleia Municipal tivessem conhecimento da existência de espiões russos que fossem postos a trabalhar com ucranianos” explicando que “recorremos a uma funcionária da Câmara Municipal para ajudar na tradução com os refugiados.

Se alguma dúvida existe, ela será esclarecida e é esta solidariedade que tem expressão nas ações e no trabalho que o município tem desenvolvido para acolher todos os ucranianos que cá têm chegado.”

Manuel Pisco não deixou de enviar uma farpa “aos aproveitamentos político-partidários que se fazem destas coisas e que já não são controláveis”.

Por sua vez, o presidente do município, André Martins, relembrou que “Portugal é um país de emigrantes e imigrantes”, e enumerou várias acções desenvolvidas pelo município “para garantir as melhores condições para receber os refugiados ucranianos, além de temos sempre reafirmado a nossa posição a favor da paz e contra a guerra.”

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Relativamente ao assunto da recepção de refugiados, o presidente destacou que “a comunidade de Setúbal tem dado provas de que há um processo positivo de integração desses migrantes na nossa sociedade e até agora há identificação de nenhuma situação contrária a esta avaliação.

Não temos registo nenhum de situações de anormalidade neste serviço de registo ou na comunidade de Setúbal e acreditamos que todo o processo tem vindo a decorrer com a total normalidade e segurança.

Da nossa parte, tomámos as iniciativas que consideramos adequadas junto das entidades competentes para serem feitos os esclarecimentos que se justificam.”

André Martins informou que “emitimos um ofício ao ministro da Administração Interna para que, junto dos serviços que foram instalados em Setúbal por iniciativa da Câmara Municipal e com um conjunto alargado de instituições, faça as devidas averiguações sobre as informações que circulam”.

Adiantou também que “já enviámos uma carta ao Presidente da República, onde esclarecemos as declarações da Embaixadora da Ucrânia a um órgão de comunicação social”.

Em relação à Associação dos Emigrantes de Leste, “que está em Setúbal desde 2005 segundo os nossos registos, e com a qual nos relacionamos como com tantas outras, não temos razão nenhuma para identificar esta associação com alguma das informações que têm circulado, mas já tomámos medido para afastar uma trabalhadora da Câmara Municipal, associada ao serviço de recepção, para evitar que seja molestada por alguma situação menos positiva, até a averiguação terminar.”

O autarca destacou também “a transparência e a boa fé com que temos trabalhado e o encaminhamento que temos feito das pessoas que se dirigem a este serviço para obterem qualquer tipo de ajuda, que continuaremos a desenvolver”.

Pavlo Sadokha voltou a intervir para mostrar o seu descrédito em relação aos argumentos apresentados.

“Não acredito que não soubesse que Igor Khasin, que lidera essa organização desde 2005, está ligado à Embaixada Russa, para quem desenvolve tudo o que é trabalho. Também é muito estranho não lhe tenham perguntado qual o seu posicionamento quando em 2014 a Rússia anexou a Crimeia, nem a sua posição sobre a invasão da Ucrânia em Fevereiro deste ano, se apoia ou não que Putin mate ucranianos”.

Após esta intervenção, Manuel Pisco referiu que “não podemos andar a perguntar opiniões a dirigentes de associações sobre os seus posicionamentos”.


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